Cara,
se você curte aquele tipo de filme que te deixa grudado na cadeira, com o
cérebro fritando e tentando adivinhar o final até o último segundo, você
precisa conhecer Exame. Esse é um daqueles suspenses
psicológicos cirúrgicos, que com pouquíssimos recursos consegue entregar mais
tensão do que muito blockbuster de super-herói por aí. Lembro da primeira vez
que assisti: terminei o filme e precisei de uns minutos olhando para a parede
só para processar o peso da história.
Se você gosta de tramas inteligentes, dinâmicas de poder
e um bom mistério de sobrevivência, vem comigo que vou te contar por que essa
obra merece sua atenção.
Qual é a história por trás de Exame?
Lançado lá fora com o título original de Exam, o filme chegou
aos cinemas no ano de lançamento de
2009. A premissa é aquela velha máxima do "menos é mais". A história
se passa inteira dentro de uma única sala fechada e sem janelas, onde oito
candidatos disputam uma vaga de emprego altamente lucrativa e misteriosa em uma
megacorporação poderosa.
O cenário é minimalista e passa uma sensação de
claustrofobia absurda. As regras do teste são simples, passadas por um homem
que eles chamam de O Avaliador: eles têm 80 minutos, uma pergunta e uma folha
de papel em branco na mesa. Se eles estragarem o papel, falarem com o guarda ou
com o avaliador, ou saírem da sala, estão desclassificados. O cronômetro começa
a rodar e, quando eles viram o papel, descobrem que a folha está completamente
em branco. Não há pergunta.
É aí que o bicho pega. Como responder a uma pergunta que
ninguém sabe qual é? A partir desse ponto, o filme vira um jogo psicológico
brutal, onde a competição profissional rapidamente se transforma em uma luta de
sobrevivência mental e moral.
Quem está por trás e na frente das câmeras?
O grande mérito de manter um filme tenso em um único
cenário vai para o diretor Stuart Hazeldine, que
também escreveu o roteiro. O cara foi genial ao usar a câmera de um jeito que
faz a gente se sentir trancado ali dentro junto com os personagens.
Como os candidatos não podem revelar seus nomes reais
para não quebrar o sigilo da empresa, eles criam apelidos baseados em suas
características físicas ou roupas. O elenco faz um
trabalho fantástico em dar vida a esses arquétipos sem parecer caricato. Temos
o Luke Mably (como "White", o cara arrogante e pragmático que assume
uma postura de liderança agressiva), Adar Beck ("Dark"), Chris Carey
("Dafydd"), Gemma Chan ("Chinese"), Nathalie Cox
("Blonde"), John Lloyd Fillingham ("Deaf"), Jimi Mistry
("Brown") e Chukwudi Iwuji ("Black").
A química entre eles funciona muito bem porque o roteiro
joga com preconceitos, racismo, inteligência pura e desespero, fazendo com que
cada um mude de postura à medida que o tempo vai esgotando.
Onde o filme foi gravado e quais são suas curiosidades?
Uma das coisas mais legais sobre a produção é a sua locação. O filme foi
inteiramente rodado nos Elstree Studios, em Hertfordshire, na Inglaterra.
Basicamente, toda a ação acontece em um único set construído para simular essa
sala de exames futurista e estéril. Essa limitação geográfica foi proposital
para sufocar o espectador e focar 100% nas atuações e no diálogo.
Nos bastidores, existem algumas curiosidades que
tornam a obra ainda mais interessante:
·
Orçamento
enxuto: O filme teve um orçamento
baixíssimo para os padrões da indústria, mas compensou tudo na inteligência do
roteiro.
·
Reconhecimento: Stuart Hazeldine foi indicado ao BAFTA de Melhor Estreia
de um Diretor ou Roteirista Britânico em 2010.
·
Linguagem
corporal: O diretor pediu para os atores
manterem posturas corporais muito específicas para que o público conseguisse
decifrar a personalidade de cada um antes mesmo de falarem muito.
Atualmente, o filme segura uma nota IMDB de 6.8/10.
Para um suspense de nicho e com orçamento limitado, é uma média respeitável,
mostrando que o público que curte o gênero realmente valoriza a entrega.
Vale a pena assistir a esse suspense psicológico?
A minha crítica da obra é extremamente
positiva, principalmente se você curte tramas que testam os limites da natureza
humana. O filme funciona como um microcosmo da nossa sociedade e,
especialmente, do mercado de trabalho corporativo agressivo. Até onde você iria
por uma vaga que mudaria a sua vida financeira para sempre? Você jogaria limpo ou
puxaria o tapete do cara ao lado na primeira oportunidade?
O ritmo é frenético. Mesmo sem grandes cenas de ação ou
explosões, a urgência do relógio correndo na parede mantém a adrenalina lá em
cima. O roteiro é afiado e te faz tentar desvendar o enigma junto com os
personagens. Quando você acha que entendeu a lógica do teste, a história te dá
um drible.
O final divide opiniões — como quase todo filme
enigmático —, mas a jornada psicológica e a tensão construída ao longo daqueles
80 minutos fazem cada segundo valer a pena. É uma escolha certeira para o fim
de semana se você quer um filme direto ao ponto, inteligente e que não
subestima a inteligência de quem está assistindo.
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