Sabe aquele dia em que você só quer ligar a TV, abrir uma cerveja e
curtir um mistério inteligente sem muita enrolação? Pois é, foi exatamente
assim que trombei com uma ficção científica britânica que me chamou a atenção
pelo visual cru e pela proposta direto ao ponto. Estou falando de Infinitum: Perigo Invisível, um filme que usa e abusa
do conceito de loop temporal, mas com uma pegada minimalista que te prende pela
curiosidade de entender o que diabos está acontecendo ali.
Se você curte produções independentes com grandes conceitos e pouca
firula, vem comigo que vou te contar tudo sobre essa obra.
Do que se trata a história de
Infinitum: Perigo Invisível?
No longa, acompanhamos Jane, uma mulher que acorda amarrada a uma cadeira
em um sótão escuro, sem a menor ideia de como foi parar lá. O pior é que ela
logo descobre estar presa em uma realidade paralela, revivendo o mesmo dia e os
mesmos testes repetidamente. Ela não sabe quem a colocou ali e nem o porquê,
mas cada falha em tentar escapar a joga de volta ao ponto de partida.
A dinâmica é muito parecida com a de um videogame de sobrevivência: ela
precisa coletar pistas no ambiente, entender a lógica do lugar e correr contra
o tempo antes que o ciclo ressete de novo. É um thriller focado na resiliência
e na capacidade humana de resolver problemas sob extrema pressão.
Quem está por trás e na frente das
câmeras?
O filme foi lançado oficialmente no ano de 2021 com o título
original de Infinitum: Subject Unknown. A direção ficou por conta
de Matthew Butler-Hart, que também assina o roteiro ao
lado de sua esposa, Tori Butler-Hart. É uma verdadeira
produção em família.
A própria Tori assume o papel principal como Jane e carrega o piano do
filme praticamente sozinha nas costas durante a maior parte do tempo. Mas o
diretor conseguiu fisgar dois nomes de peso para participações especiais que
dão uma força tremenda à narrativa: o veterano Sir Ian McKellen (o
eterno Gandalf de O Senhor dos Anéis) como o Dr.
Charles Marland-White, e Conleth Hill (o Lord
Varys de Game of Thrones) interpretando o Professor Aaron
Östergaard.
Onde o filme foi gravado e quais são
suas curiosidades?
A maior curiosidade de Infinitum: Perigo Invisível
está nos bastidores da sua produção. O filme foi totalmente rodado durante o
primeiro grande lockdown da pandemia no Reino
Unido. Como a equipe não podia se aglomerar, Matthew e Tori transformaram a
própria crise em oportunidade.
A principal locação do filme foi a própria casa deles e as ruas desertas
da Inglaterra, o que ajudou a criar aquela atmosfera perfeitamente isolada e
pós-apocalíptica sem gastar um tostão de efeito especial. Para fechar o pacote
do improviso genial, a obra foi inteiramente filmada usando um
iPhone. É o tipo de feito técnico que força o diretor a ser criativo
com o posicionamento de câmera e iluminação natural, algo que respeito bastante
no cinema independente.
Qual é a minha crítica sincera sobre
a obra?
Se formos olhar a frieza dos números, o filme ostenta uma nota de 4.0 no IMDB. É uma pontuação baixa, mas que precisa ser
lida com contexto. Se você der o play esperando um Interestelar cheio
de computação gráfica e explosões espaciais, vai quebrar a cara e se frustrar.
O ritmo aqui é mais cadenciado, focado na solidão e na descoberta lógica da
protagonista.
A minha visão é que o filme entrega exatamente o que se propõe a fazer
dentro das suas limitações gigantescas de orçamento. A atuação de Tori
Butler-Hart é sólida o suficiente para nos fazer torcer por ela, e a premissa
de ficção científica "raiz" entrega um mistério psicológico honesto.
Não é uma obra-prima que vai mudar a sua vida, mas é um exercício de cinema
muito digno, criativo e que funciona muito bem para uma noite descompromissada
de entretenimento.
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