Se
você está cansado daquela mesmice de Hollywood e procura um filme com culhão,
mas que ao mesmo tempo te pegue pelo estômago com uma história humana e
sincera, precisa conhecer Irina Palm. Lembro perfeitamente de
quando assisti a esse drama britânico pela primeira vez; a premissa parece uma
piada de mau gosto, mas a entrega é de uma sensibilidade absurda. Prepare o
café, porque hoje vamos destrinchar essa pérola escondida do cinema europeu.
O que é Irina Palm e qual é a sua história?
Lançado originalmente em 2007, o filme (que
mantém o mesmo título original, Irina Palm) conta a saga de Maggie,
uma viúva de 50 e poucos anos que está na corda bamba. O neto dela está nas
últimas, sofrendo de uma doença rara, e os pais do garoto já esgotaram todas as
economias. O tratamento custa uma fortuna que ninguém tem.
Desesperada e sem qualificações para o mercado de
trabalho tradicional, Maggie sai andando pelas ruas do Soho, o bairro boêmio e
o distrito da luz vermelha de Londres. Ela acaba entrando em um "clube
privado" chamado Sexy World e consegue um emprego
inusitado: masturbar homens por um buraco na parede. Para proteger sua identidade
na vizinhança conservadora onde mora, ela adota o pseudônimo de Irina Palm. O
que tinha tudo para ser um filme apelativo vira uma jornada espetacular sobre
dignidade, sobrevivência e o tamanho do sacrifício que alguém faz por quem ama.
Quem está por trás e na frente das câmeras?
A direção cirúrgica do filme é de Sam Garbarski, que
conseguiu equilibrar o humor ácido britânico com o drama pesado sem derrapar no
melodrama barato. Mas o coração da obra está na atuação impressionante de Marianne Faithfull
como Maggie/Irina. Para quem não liga o nome à pessoa, a Marianne foi um ícone
dos anos 60, musa dos Rolling Stones e uma cantora com uma voz visceral. No
papel, ela entrega uma atuação contida, firme e incrivelmente expressiva.
O elenco ainda conta com o mestre Miki Manojlović na
pele de Miki, o dono do clube erótico que, apesar do negócio duvidoso, se
mostra um sujeito decente e o porto seguro de Maggie. A dinâmica entre os dois
é um dos pontos altos do filme. No IMDb, o longa sustenta uma nota 7.1, o que faz total
justiça à sua qualidade técnica e narrativa.
Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?
As locações em Londres ajudam a ditar o tom cinzento e
realista do filme, contrastando o subúrbio pacato e fofoqueiro com o submundo
neon do Soho. E por falar nos bastidores, existem alguns detalhes fascinantes
sobre a produção que pouca gente nota de primeira:
·
O
mal de Irina Palm: Durante as filmagens,
Marianne Faithfull acabou desenvolvendo uma tendinite real de tanto repetir os
movimentos mecânicos exigidos pela personagem nas cenas do cubículo.
·
Trilha
sonora de peso: A música do filme conta
com a colaboração do cantor belga Ghinzu, trazendo uma atmosfera indie que casa
perfeitamente com a estética do final dos anos 2000.
·
Sucesso
em Berlim: O filme foi um dos grandes
destaques do Festival de Cinema de Berlim na sua época, sendo indicado ao Urso
de Ouro e aplaudido de pé pela crítica internacional.
Vale a pena assistir a esse drama britânico?
A minha resposta curta é: com certeza. Olhando pelo lado
mais prático, Irina Palm é uma
baita lição de resiliência. O filme aborda o universo do trabalho sexual sem o
falso moralismo que a gente costuma ver por aí, focando na mecânica do sustento
e no pragmatismo da personagem. Maggie não está ali por prazer ou por vício;
ela está executando uma tarefa técnica para salvar uma vida.
O humor negro é afiado, principalmente quando ela começa
a ficar famosa no submundo pela "suavidade de suas mãos" e o clube
ganha filas de clientes, forçando Maggie a encarar o preconceito das suas
amigas de igreja na comunidade onde vive. É um filme que te faz pensar sobre o
que você faria no lugar dela. Não espere explosões ou reviraviras mirabolantes;
o foco aqui é a força bruta de uma mulher comum enfrentando um sistema que virou
as costas para a sua família. Se você curte um cinema maduro, direto ao ponto e
com personagens de verdade, faça um favor a si mesmo e assista.
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