Liga da Justiça (Justice League)

 


Quando você entra no cinema para ver a maior equipe dos quadrinhos reunida na tela grande pela primeira vez, a expectativa é gigante. A promessa era de um épico inesquecível para quem cresceu lendo HQ ou assistindo ao desenho na TV, mas a realidade foi bem mais complicada.

Lançado originalmente em 2017, o longa Liga da Justiça (Justice League, no título original) trazia o peso imenso de consolidar o universo compartilhado da DC. Só que, nos bastidores, o filme passou por uma tempestade perfeita de problemas de produção, refilmagens às pressas e um choque gritante de visões criativas. O resultado? Um projeto retalhado, mas que ainda guarda bons momentos de pura nostalgia.

Abaixo, troco uma ideia sobre os bastidores desse lançamento, os acertos, os tropeços e o impacto do filme.

Qual é a história e o contexto de Liga da Justiça?

A trama se passa logo após os eventos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Com a morte do Homem de Aço, a Terra fica desprotegida e atrai a atenção de Steppenwolf (o Círculo de Ferro/Lobo da Estepe), uma ameaça alienígena que busca reunir três Caixas Maternas para dominar o planeta.

Percebendo o perigo iminente, Bruce Wayne (Ben Affleck) decide mudar de atitude e, com a ajuda de Diana Prince (Gal Gadot), parte pelo mundo para recrutar outros metahumanos. A ideia é formar uma aliança imbatível composta por Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher). Mas eles logo sacam que, sem a força do Superman (Henry Cavill), a conta simplesmente não fecha.

Quem dirigiu e quem está no elenco principal?

A direção do filme acabou virando um capítulo à parte na história de Hollywood. O cineasta Zack Snyder começou o projeto imprimindo seu tom sombrio e operístico tradicional. Porém, após uma tragédia familiar devastadora durante a pós-produção, ele precisou se afastar. A Warner Bros. então contratou Joss Whedon (que vinha do sucesso de Os Vingadores) para reescrever e regravar boa parte das cenas.

Essa troca gerou um "filme de dois diretores": de um lado, a pegada densa de Snyder; do outro, o humor sarcástico e colorido de Whedon.

No elenco principal, temos:

·         Ben Affleck como Bruce Wayne / Batman

·         Henry Cavill como Clark Kent / Superman

·         Gal Gadot como Diana Prince / Mulher-Maravilha

·         Jason Momoa como Arthur Curry / Aquaman

·         Ezra Miller como Barry Allen / The Flash

·         Ray Fisher como Victor Stone / Cyborg

·         Amy Adams (Lois Lane), Jeremy Irons (Alfred) e Ciarán Hinds (voz do vilão Steppenwolf)

O filme teve suas gravações principais concentradas nos estúdios da Warner no Reino Unido (Leavesden) e locações externas em paisagens impressionantes da Islândia — que serviram de cenário para a vila de pescadores onde o Batman encontra o Aquaman.

Na trilha sonora, Danny Elfman assumiu o bastão de última hora, resgatando temas clássicos como a famosa marcha do Batman de 1989 e o tema original do Superman de John Williams. A intenção foi legal, mas soou um pouco deslocada para a estética moderna que a DC vinha construindo.

Quais são as melhores curiosidades e prêmios do filme?

Se a história dentro da tela teve muita ação, fora dela teve mais drama ainda. A produção virou lendária pelos seguintes fatos:

·         O bigode de 25 milhões de dólares: Durante as refilmagens de emergência com Joss Whedon, Henry Cavill estava gravando Missão: Impossível - Efeito Fallout e, por contrato, não podia raspar o bigode. A solução do estúdio foi remover o bigode do Superman digitalmente via CGI em várias cenas. O resultado ficou bizarro e virou piada imediata na internet.

·         Nota modesta no IMDb: O filme de 2017 amarga uma nota mediana no IMDb, atualmente girando em torno de 6,1/10.

·         Premiações e bastidores: O longa passou longe das grandes premiações de cinema, sendo lembrado apenas em categorias técnicas pontuais de premiações voltadas ao público jovem (como o Teen Choice Awards).

·         Orçamento explosivo: Com as regravações extensas, o orçamento disparou para a casa dos 300 milhões de dólares, tornando-o um dos filmes mais caros da história na época.

O filme realmente vale a pena? Uma crítica sincera

Direto ao ponto: a versão de 2017 de Liga da Justiça é um filme que tenta agradar a todo mundo e acaba não cravando a bandeira em lugar nenhum.

Dá para ver nitidamente o retalho. Em uma cena, você tem o estilo visual marcante, escuro e estilizado do Snyder; na cena seguinte, entra uma piadinha forçada sob uma iluminação clara de estúdio que quebra a tensão por completo. O vilão Steppenwolf também deixa a desejar: é genérico, feito de um CGI pesado que lembra um chefão de videogame antigo e falta profundidade às suas motivações.

Por outro lado, não dá para negar que o filme entrega seus momentos de entretenimento. Ver o Batman de Ben Affleck atuando como o estrategista que tenta unir caras mais fortes que ele tem o seu valor. A dinâmica entre a experiência da Mulher-Maravilha, a postura bruta do Aquaman e a energia moleque do Flash traz uma química honesta no grupo. E o retorno do Superman no ato final, demonstrando aquele poder absurdo que o herói tem nos quadrinhos, entrega aquela sensação clássica de alívio e empolgação que todo fã busca em uma adaptação.

Em suma, Liga da Justiça (2017) funciona se você busca uma sessão pipoca despretensiosa de final de semana, com boas sequências de combate e a realização do sonho de infância de ver esses ícones juntos. Não é o clássico supremo que os fãs mereciam naquela época, mas cumpre o papel básico de entregar duas horas de ação direta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.