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Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider)

 

Motoqueiro Fantasma


Sempre fui fascinado por histórias sobre escolhas difíceis, adrenalina e máquinas insanas. Quando assisti pela primeira vez ao filme do Motoqueiro Fantasma no cinema, fiquei impressionado com o apelo visual daquela jaqueta de couro, do fogo e daquela moto customizada que parecia ter saído direto de um pesadelo futurista. Lançado nos cinemas em 2007 sob o título original Ghost Rider, o longa marcou a primeira grande adaptação em live-action deste icônico anti-herói da Marvel Comics.
 

Dirigido por Mark Steven Johnson (o mesmo que esteve à frente de Demolidor), o filme divide opiniões até hoje. No IMDb, sua nota gira em torno dos 5,3 de 10, o que reflete bem o quanto a produção dividiu a crítica especializada e os fãs de quadrinhos. Mas a verdade é uma só: se você busca um entretenimento descompromissado com boa dose de ação e testosterona, a obra entrega exatamente o que promete.

Qual é a história por trás da maldição de Johnny Blaze?

A trama nos apresenta Johnny Blaze, interpretado por Nicolas Cage. Na juventude, para salvar a vida de seu pai afetado por um câncer, Johnny faz um pacto com Mephistopheles (vivido pelo lendário Peter Fonda). O problema é que negócios com o diabo nunca saem de graça. Enganado, ele vê o pai morrer logo em seguida em um acidente de dublê e perde o grande amor da sua vida, Roxanne Simpson (Eva Mendes). 

Anos mais tarde, Johnny se torna o maior dublê de acrobacias de moto do planeta, desafiando a morte a cada salto. É quando Mephistopheles cobra a dívida e o transforma no Motoqueiro Fantasma: um caçador de recompensas infernal com uma caveira em chamas. Sua missão principal é deter Blackheart (Wes Bentley), o filho rebelde do demônio que quer dominar a Terra. O elenco ainda conta com atores de peso como Sam Elliott no papel do enigmático Coveiro e Donal Logue como Mack, o fiel mecânico de Johnny.

Onde o filme foi gravado e como é a ambientação?

Apesar de a narrativa se passar majoritariamente no interior dos Estados Unidos, grande parte das locações foi gravada na Austrália, mais especificamente em Melbourne e no estado de Victoria. A escolha das paisagens abertas, estradas isoladas e o contraste urbano trouxeram um clima gótico e quase de faroeste moderno para as cenas de pilotagem.

 A trilha sonora composta por Christopher Young faz um trabalho competente ao misturar orquestração pesada com riffs que casam perfeitamente com o ronco do motor da Hellcycle. Músicas de bandas como Spiderbait e clássicos do rock também aparecem no longa, reforçando aquela vibe autêntica de estrada e jaqueta de couro.

Quais são as maiores curiosidades da produção?

Assistir a essa produção sabendo dos bastidores deixa tudo mais interessante. Separei alguns fatos marcantes sobre a obra:

·         A paixão de Nicolas Cage: O ator é um fã tão alucinado do personagem que possui uma tatuagem do Motoqueiro Fantasma no braço. Para filmar sem estragar a caracterização do herói na tela, a equipe de maquiagem precisou cobrir a própria tatuagem de Cage com maquiagem digital. 

·         A lendária Hellcycle: A moto usada no longa foi totalmente inspirada nas famosas choppers americanas, com um design personalizado em formato de ossos e chamas que virou objeto de desejo para quem ama o universo das duas rodas. 

·         Premiações inusitadas: O longa não conquistou grandes troféus da indústria, mas chegou a ser indicado ao prêmio de Melhor Filme de Horror no Saturn Awards. Do outro lado da moeda, a atuação caricata de Nicolas Cage renderia a ele uma indicação ao Framboesa de Ouro como Pior Ator naquele ano. 

Como a crítica avalia a transformação do herói?

Se analisarmos o filme pelos padrões atuais do cinema de heróis, fica claro que a produção peca em alguns pontos de roteiro e nos efeitos visuais que envelheceram um pouco. A crítica na época não poupou o tom meio exagerado do roteiro e a falta de vilões mais marcantes. 

No entanto, o filme tem uma energia própria que merece respeito. A performance de Nicolas Cage é intencionalmente extravagante, criando um Johnny Blaze que bebe leite em taça de martíni e escuta The Carpenters para relaxar a mente enquanto luta contra impulsos demoníacos. A "Olhada da Penitência" — o golpe em que o Motoqueiro faz o vilão sentir a dor de todas as suas vítimas olhando nos seus olhos — é uma das cenas mais marcantes do cinema pop dos anos 2000. 

No fim das contas, Motoqueiro Fantasma é um clássico cult de ação sem frescuras. Um prato cheio para quem gosta de motos, rock and roll e uma boa história de vingança sobrenatural.

O Esquadrão Suicida (The Suicide Squad)


Vou ser bem sincero com você: lá em 2016, quando saí do cinema depois de ver o primeiro filme desse bando de vilões, a sensação foi de pura decepção. Prometeram um terremoto e entregaram um desastre sem sal. Por isso, admito que fiquei com um pé atrás quando anunciaram uma nova versão em 2021. Mas aí o diretor James Gunn assumiu o projeto e a história mudou da água para o vinho. 

Lançado oficialmente em 2021, O Esquadrão Suicida (título original: The Suicide Squad) não é uma continuação direta e nem um reboot total. É quase um "deixa que eu faço do jeito certo". O filme pegou a premissa de vilões descartáveis em missões suicidas e finalmente entregou o espetáculo sangrento e absurdamente divertido que a gente queria ver. Hoje, o longa ostenta uma sólida nota 7.2 no IMDb, o que mostra como ele caiu nas graças da galera. 

Se você quer entender o que faz esse longa funcionar tão bem e por que ele merece o seu tempo no streaming, troquei uma ideia rápida aqui para resumir os principais pontos.

Qual é a história e quem comanda esse bando em O Esquadrão Suicida?

A premissa continua simples e direta: Amanda Waller (Viola Davis) pega a escória dos presídios de segurança máxima e força esses caras a cumprirem missões impossíveis em troca de redução de pena. A bola da vez é invadir a ilha de Corto Maltese para destruir um laboratório da época nazista que esconde uma ameaça bizarra conhecida como Projeto Estrela-do-Mar. 

O grande trunfo aqui é o comando de James Gunn, o mesmo cara que fez milagre com Guardiões da Galáxia na Marvel. Gunn trouxe exatamente o que faltava: liberdade total. Como o filme é para maiores de 18 anos, ele não economizou na violência estilizada, no humor ácido e na criação de personagens estranhos que a gente se apega sem querer. 

O elenco tem uma química sensacional:

·         Idris Elba brilha como Bloodsport (Sanguinário), um mercenário de elite que assume a liderança moral do grupo. 

·         Margot Robbie entrega, disparado, sua melhor atuação como Harley Quinn (Arlequina), em uma sequência de fuga que já nasceu clássica. 

·         John Cena surpreende demais como o Peacemaker (Pacificador), um cara tão obcecado pela paz que mata qualquer um para alcançá-la. 

·         Joel Kinnaman volta como o Coronel Rick Flag, mas muito melhor trabalhado do que no filme anterior. 

·         Fechando o time principal temos a Ratcatcher II (Daniela Melchior), que é o coração do filme, e o hilário King Shark (Tubarão-Rei), dublado por ninguém menos que Sylvester Stallone. 

Onde o filme foi gravado e como é a trilha sonora?

Para dar aquela cara de filme de guerra dos anos 70 misturado com quadrinhos, a produção gravou bastante coisa nos estúdios em Atlanta (EUA), construindo cenários gigantescos como praias e selvas artificiais. Já as cenas externas que dão vida às ruas e ao palácio do governo da fictícia Corto Maltese foram gravadas no Panamá e em Portugal. Essa mistura de locações reais com cenários práticos deu um peso visual incrível, fugindo daquela cara de "fundo verde" de telas de computador. 

E assim como em outros trabalhos do Gunn, a trilha sonora é um espetáculo à parte. A trilha original foi composta por John Murphy, mas o grande destaque são as músicas selecionadas para pontuar a ação. De Johnny Cash com "Folsom Prison Blues" na abertura até The Pixies com "Hey" e faixas de Grandson, as músicas ditam o ritmo de forma cirúrgica, transformando sequências de tiro e pancadaria em verdadeiros videoclipes cheios de atitude.

Quais prêmios e curiosidades marcam a produção?

Mesmo sendo um filme de super-heróis e vilões fora do padrão tradicional de Hollywood, a produção acumulou bastante atenção e indicações em premiações focadas em cinema de ação e efeitos visuais. Ganhou prêmios de dublês no Satellite Awards e acumulou indicações ao Critics Choice Super Awards, Saturn Awards e Visual Effects Society. 

Nos bastidores, existem algumas curiosidades sensacionais:

·         Gunn teve passe livre: A Warner deu total liberdade para o diretor matar qualquer personagem que quisesse. E ele levou isso muito a sério logo nos primeiros vinte minutos de filme. 

·         Sets gigantescos: O set da praia construído em Atlanta foi uma das maiores estruturas físicas já erguidas para uma produção da Warner Bros. 

·         Derivação de sucesso: O trabalho de John Cena agradou tanto o diretor que, antes mesmo do filme estrear, Gunn escreveu a série solo do Peacemaker (Pacificador), que virou um enorme sucesso de público e crítica. 

Vale a pena assistir? Confira nossa crítica do filme!

Direto ao ponto: vale cada segundo. O Esquadrão Suicida funciona porque não se leva a sério demais, mas trata seus personagens com um carinho genuíno. A dinâmica de grupo parece uma mistura doido-varrido entre um filme de resgate militar à lá Doze Condenados com o absurdo dos quadrinhos clássicos da DC. 

As cenas de ação são muito bem dirigidas, os efeitos visuais fazem sentido dentro da proposta estilizada e o texto consegue alternar entre piadas pesadas e momentos de verdadeira camaradagem sem parecer forçado. Ver caras durões e desajustados criando laços no meio do caos e enfrentando uma estrela-do-mar alienígena gigante parece ridículo no papel, mas na tela sob o comando de Gunn funciona perfeitamente. 

Se você busca uma ótima diversão para o fim de semana, com muita pancadaria, bom humor e zero enrolação, essa é uma das melhores opções do gênero nos últimos anos. Pegue a pipoca, bote o som no alto e aproveite a viagem.