Eu preciso confessar logo de cara que pisei feio na bola. Assisti recentemente a MaXXXine sem saber que o filme era, na verdade, o encerramento de uma trilogia. Quando a ficha caiu e percebi a burrada, dei um passo para trás na hora e fui direto assistir ao primeiro longa para entender todo o contexto da história. Agora estou aqui, publicando a minha resenha sobre o começo de tudo. Inclusive, amanhã sem falta vou assistir ao segundo capítulo (Pearl) e volto para publicar a análise dele por aqui.
Se você gosta de um bom filme de terror raiz, daqueles que prestam uma baita homenagem ao cinema dos anos 1970, precisa prestar atenção no que a produtora A24 aprontou desta vez.
O que torna X - A Marca da Morte um
terror tão fora da curva?
Lançado em 2022, o longa carrega o título original simples e direto de X. Ele atualmente mantém uma nota muito sólida de 6,6 no IMDb, o que para o gênero de terror atual é um excelente indicativo de qualidade.
O filme nos joga de cabeça em 1979. Acompanhamos um grupo de jovens cineastas independentes e atores que alugam uma pequena casa de hóspedes na zona rural do Texas. O objetivo da turma é audacioso e simples: gravar um filme adulto de alta qualidade para faturar alto no emergente mercado de home vídeo. Só que eles cometem o erro fatal de não avisar os idosos donos da propriedade sobre o verdadeiro teor das gravações. Conforme a noite cai e as filmagens acontecem, os proprietários descobrem o que está rolando e o clima festivo transforma-se em um banho de sangue.
Quem está por trás e na frente das
câmeras nessa obra?
A mente brilhante no comando do projeto é o diretor Ti West, um velho conhecido de quem aprecia o cinema de horror focado em tensão progressiva. Ele não apenas dirigiu, mas também escreveu e editou o filme, mostrando um controle absoluto sobre o ritmo da narrativa.
O elenco entrega atuações afiadas e muito acima da média para o gênero slasher:
· Mia Goth: Dá um show absoluto e brilha em papel duplo como a jovem e ambiciosa Maxine Minx e também como a assustadora idosa Pearl (com uma maquiagem prostética impressionante).
· Jenna Ortega: Interpreta Lorraine, a jovem tímida encarregada do som que aos poucos vai se transformando ao longo da trama.
· Brittany Snow: Vive Bobby-Lynne, a atriz principal da produção dentro do filme, cheia de carisma.
· Kid Cudi (Scott Mescudi): Faz o papel de Jackson, o ator principal e veterano da guerra do Vietnã.
· Martin Henderson: Interpreta Wayne, o produtor empolgado e visionário que lidera a equipe.
Curiosamente, embora a história se passe no interior texano, toda a locação das filmagens aconteceu na Nova Zelândia. O diretor rodou a obra em segredo durante a pandemia de COVID-19, aproveitando a segurança sanitária do país na época para erguer a fazenda do zero.
Como a trilha sonora e o clima do
filme te envolvem?
A trilha sonora é um espetáculo à parte e merece destaque. Composta por Tyler Bates ao lado da cantora synth-pop Chelsea Wolfe, a música alterna entre batidas tensas que pesam no peito e canções icônicas da época, como uma versão marcante da clássica Oui, Oui, Marie. O som trabalha o tempo todo para te colocar dentro daquela atmosfera abafada e esquisita do final dos anos 70.
A aceitação da crítica foi tão pesada que o filme abocanhou diversas premiações em festivais especializados. X venceu categorias de Melhor Filme de Horror no Saturn Awards e no Critics' Choice Super Awards, consolidando Mia Goth como uma das grandes rainhas do grito da nossa geração.
Uma das maiores curiosidades dos bastidores é que Ti West escreveu o roteiro da pré-sequência, Pearl, enquanto ainda estava rodando X na Nova Zelândia. Ele aproveitou a mesma equipe e o mesmo cenário para gravar os dois filmes praticamente em sequência, algo pouquíssimo visto na indústria.
Vale mesmo a pena assistir a este
slasher moderno?
Vale cada minuto investido. O grande mérito de Ti West aqui é não entregar apenas mais um massacre genérico com gente jovem sendo esquartejada. Existe uma camada muito interessante de debate sobre o envelhecimento, a inveja da juventude e a repressão de desejos.
O visual do filme bebe diretamente na fonte de clássicos como O Massacre da Serra Elétrica (1974), mas sem parecer uma cópia barata. A câmera passeia pela fazenda criando uma sensação constante de que algo terrível está prestes a acontecer no canto da tela. As cenas de morte são brutais, diretas, sem aliviar o impacto, mas usadas no momento exato em que a tensão atinge o limite.
Mesmo tendo começado a jornada pelo fim ao assistir MaXXXine primeiro, ver como toda essa história começou
deu um peso totalmente novo para o universo da franquia. Amanhã é dia de
maratonar Pearl e fechar o quebra-cabeça de vez.