Maxxxine

 


Quando sentei para assistir a MaXXXine, fecho da trilogia iniciada por Ti West em 2022 com X e Pearl, sabia que não encontraria um slasher comum. O cinema de horror recente tem tentado ser intelectual demais, esquecendo a atitude, o sangue e o impacto. Esse filme resgata exatamente essa energia, entregando uma obra com identidade marcante, visual neoclássico e uma protagonista que recusa o papel de vítima. 

Lançado em 2024, MaXXXine ostenta uma nota média de 6.3 no IMDb, um número honesto para uma produção do gênero que divide opiniões, mas entrega entretenimento cru e direto. O título original mantém o nome da protagonista Maxine Minx, interpretada pela incansável Mia Goth, sob a direção afiada de Ti West.

Como o cenário de Hollywood nos anos 80 transforma a narrativa de MaXXXine?

A trama nos projeta diretamente para Los Angeles em 1985. O pano de fundo é a era de ouro do VHS, o neon dos cinemas de rua e a sombra real do assassino em série conhecido como Night Stalker, que aterrorizou a Califórnia na época. Maxine já deixou o cinema adulto underground para trás e tenta uma chance na sequência de um filme de terror B de grande orçamento. 

A escolha de Los Angeles e dos estúdios da Universal Pictures como locação dá um peso prático e nostálgico absurdo. Há cenas rodadas diretamente nos cenários clássicos do estúdio — incluindo a icônica casa de Psicose —, o que conecta o filme à própria história do cinema de suspense. Essa atmosfera oitentista não funciona apenas como estética, mas como um ambiente hostil onde cada esquina esconde perigo e ambição desmedida.

Qual é o grande diferencial do elenco e da trilha sonora?

O elenco reunido por Ti West entrega atuações sólidas que sustentam a tensão. Mia Goth lidera a produção com uma segurança impressionante. Maxine é implacável, fria quando precisa ser e totalmente focada no objetivo de ser uma estrela. Ao lado dela, temos um time pesado: Kevin Bacon faz um detetive particular de terno barato e moral duvidosa; Giancarlo Esposito brilha como um agente pragmático da indústria adulta; e Elizabeth Debicki interpreta a diretora britânica exigente do filme dentro do filme. Completam o time nomes como Michelle Monaghan, Bobby Cannavale e a cantora Halsey.

A trilha sonora original, composta por Tyler Bates, conversa perfeitamente com faixas clássicas da década de 1980. Músicas como Gimme All Your Lovin' do ZZ Top, Self Control de Laura Branigan e Welcome to the Pleasuredome do Frankie Goes to Hollywood pontuam a jornada de Maxine com batidas pesadas e marcantes. A música atua como combustível nas cenas de ritmo acelerado e dá o tom exato das ruas de L.A. naquela década.

Quais bastidores e curiosidades tornam a produção única?

O desenvolvimento do longa carrega detalhes interessantes de produção e recepção no circuito de festivais:

·         Trilogia gravada em ritmo acelerado: Ti West escreveu o roteiro de Pearl em segredo enquanto filmava X na Nova Zelândia, o que permitiu engrenar a pré-produção de MaXXXine com a franquia no auge da popularidade. 

·         Indicações e Reconhecimento: A obra conquistou espaço no circuito especializado de gênero, recebendo indicações no Saturn Awards de 2025 para Melhor Filme Independente e no Make-Up Artists and Hair Stylists Guild Awards pelo trabalho de maquiagem e caracterização de época. 

·         Gravações em cenários históricos: A produção obteve permissão para filmar no backlot real da Universal Studios, permitindo sequências de perseguição por cenários clássicos que marcaram a era de ouro do cinema norte-americano. 

·         Construção de personagem sem concessões: Ao contrário das "final girls" tradicionais do horror que apenas sobrevivem, Maxine assume uma postura ativa e agressiva contra qualquer ameaça. 

Vale a pena assistir a essa conclusão da franquia?

O filme funciona como um neo-noir manchado de sangue e luzes de neon. Se em X o foco era o horror slasher cru e em Pearl tínhamos um estudo de personagem psicológico, MaXXXine entrega uma sátira da indústria do entretenimento combinada com investigação policial e assassinato. 

A direção de Ti West é precisa nos ângulos de câmera, no uso de telas divididas e na estética VHS que remete aos filmes alugados em locadoras nos anos 80. O roteiro perde um pouco de força no terceiro ato ao resolver o mistério principal de forma mais apressada do que o esperado, mas o carisma e a brutalidade de Mia Goth compensam qualquer deslize técnico. É um encerramento firme, com estilo de sobrou e uma protagonista que não pede licença para se impor no ecrã.

 

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