Se
você curte cinema de peso, daqueles que te fazem focar na tela e esquecer o
celular, precisa entender o impacto que Lincoln causou
quando chegou aos cinemas. Eu lembro perfeitamente da atmosfera na época do
lançamento: a expectativa era gigantesca. Não estávamos falando de apenas mais
uma biografia arrastada de livro de história, mas sim de um mergulho visceral
nos bastidores do poder, onde homens de verdade precisaram tomar decisões
extremas para mudar o rumo de uma nação inteira.
Qual
é a verdadeira história por trás do filme Lincoln?
O longa foca nos últimos quatro meses de vida do 16º
presidente americano. O país estava sangrando na Guerra Civil e o grande
desafio de Abraham Lincoln não era apenas vencer no campo de batalha, mas
aprovar a 13ª Emenda à Constituição, que baniria a escravidão para sempre.
O que me impressiona nessa narrativa é que ela não te
joga em combates de trincheira apelativos. O verdadeiro campo de batalha aqui é
político. É um jogo de estratégia brutal, com negociações de bastidores, compra
de votos e muita pressão psicológica. O diretor mostra que, às vezes, para
alcançar um bem maior, líderes precisam sujar as mãos na lama da engrenagem
política. É uma história sobre resiliência, estratégia e a coragem de sustentar
uma posição quando o mundo inteiro está desmoronando ao seu redor.
Quem são os nomes de peso por trás dessa produção?
Lançado no ano de 2012, o filme traz
em sua ficha técnica o título original idêntico ao nacional: Lincoln. Para
comandar uma história dessa magnitude, o cara por trás das câmeras tinha que
ser ninguém menos que Steven Spielberg. O diretor deixou
de lado a sua clássica veia de aventura fantástica para entregar um filme
sóbrio, maduro e visualmente impecável.
Mas o grande trunfo, o coração da obra, está no elenco
principal. Daniel Day-Lewis dá
vida ao presidente. O cara não apenas atua; ele simplesmente some e entrega o
próprio Lincoln na sua tela. Ao lado dele, temos Sally Field como a
complexa primeira-dama Mary Todd Lincoln, Tommy Lee Jones
destilando pura autoridade na pele do parlamentar Thaddeus Stevens, e Joseph Gordon-Levitt
interpretando o filho mais velho do presidente, Robert Todd Lincoln. Um time de
respeito que bota o roteiro para funcionar com uma intensidade absurda.
Onde
o filme foi rodado e quais as melhores curiosidades?
Para reconstruir a Washington dos anos 1860 sem perder o
realismo, a produção escolheu o estado da Virgínia como sua principal locação,
com destaque para as cidades de Richmond e Petersburg. O
próprio Capitólio da Virgínia foi usado para simular a Câmara dos Deputados da
época. Essa escolha trouxe um peso histórico palpável para as cenas; você sente
o cheiro de madeira velha, fumaça de charuto e a frieza daqueles ambientes.
E se você gosta de bastidores, as curiosidades desse
filme mostram o nível de obsessão da equipe:
·
Método
extremo: Daniel Day-Lewis exigia ser
chamado de "Sr. Presidente" por todos no set, inclusive por
Spielberg, e passou mais de um ano lendo sobre o líder e treinando a voz, que
historicamente era mais aguda do que as pessoas imaginavam.
·
Som
do relógio: O som do relógio de bolso
que você ouve o presidente usando no filme é o áudio real do próprio relógio de
Abraham Lincoln, gravado pela equipe de som diretamente no museu da Biblioteca
do Congresso.
·
O
quase protagonista: Originalmente, Liam
Neeson foi escalado para o papel e passou anos ligado ao projeto, mas desistiu
quando sentiu que estava velho demais para o personagem na época em que as
filmagens finalmente iam começar.
Vale a pena assistir? Confira a minha crítica sincera
Com uma nota 7.3 no IMDb, o filme entrega
exatamente o que promete: um drama histórico cirúrgico. A minha crítica a essa
obra é extremamente positiva, principalmente pela forma como ela aborda a
masculinidade e a liderança daquela época. Lincoln não é pintado como um
super-herói inabalável; ele é um homem exausto, com problemas familiares
profundos, lidando com o luto e carregando o peso de milhares de mortes nas
costas.
As cenas em que ele conta histórias longas e analógicas
para acalmar os aliados ou desarmar os inimigos são uma aula de paciência e
foco. O ritmo pode parecer um pouco lento para quem está acostumado com
blockbusters de ação desenfreada, mas para quem aprecia diálogos afiados,
atuações monstruosas e uma bela aula de como o poder realmente funciona, esse
filme é indispensável. É cinema de alto nível, feito para quem gosta de
narrativas sólidas e personagens marcantes.
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