Looper: Assassinos do Futuro (Looper)

 

Se você curte uma boa ficção científica que não foca apenas em efeitos visuais vazios, mas sim em uma trama inteligente que mexe com a nossa cabeça, precisa parar um tempo para analisar este filme. Lembro exatamente da sensação de sair do cinema intrigado com a engenhosidade do roteiro. Estamos falando de uma daquelas obras que misturam ação urbana com conceitos pesados de viagem no tempo e moralidade.

Vou abrir o meu caderno de anotações para destrinchar tudo sobre esse baita filme, desde os bastidores até os detalhes que tornam essa jornada algo tão marcante para quem gosta de cinema de verdade.

Qual é a história por trás de Looper: Assassinos do Futuro?

Lançado no ano de 2012, o filme traz um conceito de viagem no tempo bem pragmático e sinistro. No futuro (em 2074), rastrear e sumir com um corpo se tornou algo praticamente impossível. A solução da máfia? Enviar os seus alvos de volta para o passado (2044), onde um assassino de aluguel — conhecido como "Looper" — está esperando com uma arma em punho para liquidar o sujeito e queimar o arquivo. O pagamento vem em barras de prata amarradas nas costas da vítima.

Sob o título original de Looper, o longa acompanha Joe, um desses assassinos profissionais. O grande problema do trabalho é que, eventualmente, a máfia decide "fechar o ciclo". Isso significa que o Joe do futuro é enviado de volta para ser executado pelo Joe do passado. Quando o protagonista se depara com a sua versão mais velha, ele hesita por um segundo, e esse breve momento de dúvida desencadeia uma caçada humana eletrizante onde o maior inimigo de um homem é ele mesmo.

Quem está por trás e na frente das câmeras neste clássico moderno?

O comando desse projeto ambicioso ficou nas mãos do diretor Rian Johnson, que também assinou o roteiro original. Muito antes de dividir opiniões em Star Wars: Os Últimos Jedi ou de entregar os divertidos mistérios de Entre Facas e Segredos, ele provou aqui que tem um domínio absurdo de narrativa e ritmo.

Na frente das câmeras, o elenco de peso entrega atuações viscerais. Temos Joseph Gordon-Levitt interpretando o jovem Joe. Para ficar parecido com a sua contraparte mais velha, ele passava por horas de maquiagem diariamente. E quem é essa versão do futuro? Ninguém menos que o casca-grossa Bruce Willis, entregando uma de suas performances físicas e dramáticas mais intensas dos últimos tempos.

Para completar a trinca principal, Emily Blunt aparece na metade final do longa como Sara, uma mulher forte, protetora e resiliente que vive em uma fazenda isolada e desempenha um papel crucial no destino dos dois Joes. O elenco ainda conta com o mestre Jeff Daniels como o chefe do crime enviado do futuro e um jovem Paul Dano em uma participação rápida, mas marcante.

Onde o filme foi gravado e como as locações ditam o clima?

A atmosfera do longa transita entre a decadência urbana e o isolamento rural. Grande parte da locação principal que simula o futuro sombrio de Kansas City foi gravada em Nova Orleans, na Louisiana. A equipe de produção conseguiu transformar as ruas e becos da região em um cenário distópico verossímil, sem exageros futuristas, mantendo um visual bruto e cru. Aquela lanchonete de estrada onde os dois protagonistas se enfrentam cara a cara, por exemplo, foi construída do zero em Assumption Parish, também na Louisiana.

Outro ponto de destaque nas locações foi a mudança para Xangai, na China. Originalmente, o roteiro previa que o Joe mais velho passaria seus anos de aposentadoria em Paris. No entanto, uma parceria de co-produção levou as filmagens para a metrópole chinesa, o que acabou casando muito bem com a ideia de um novo centro econômico mundial no futuro e trouxe um belo contraste visual para a transição de vida do personagem.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores de Looper?

Para quem adora um detalhe técnico ou uma boa história de bastidores, a produção é um prato cheio. Com uma recepção excelente e uma nota de 7.4 no IMDb, o longa garantiu o seu lugar de destaque no gênero. Separei os fatos mais intrigantes que aconteceram por trás das cortinas:

·         A transformação visual: Joseph Gordon-Levitt usou próteses faciais moldadas a partir do próprio rosto de Bruce Willis. Ele também estudou exaustivamente os filmes antigos de Willis e a sua entonação de voz para conseguir replicar os trejeitos do veterano de forma natural.

·         O estalo do diretor: Rian Johnson escreveu o papel principal especificamente para Joseph Gordon-Levitt, de quem já era amigo desde o seu filme de estreia, A Ponta de um Crime (2005).

·         Duas versões do filme: Devido ao forte investimento chinês, a versão distribuída na China possui mais cenas ambientadas em Xangai do que a versão ocidental, aprofundando o romance e o estilo de vida do Joe mais velho por lá.

·         Garoto prodígio: O pequeno ator Pierce Gagnon, que interpreta o menino Cid, foi amplamente elogiado por Emily Blunt e Bruce Willis pela sua habilidade de entregar diálogos densos e assustadores com apenas cinco anos de idade durante as gravações.

Por que essa obra merece a sua atenção hoje? (Nossa Crítica)

O que mais me atrai em Looper: Assassinos do Futuro é que ele não cai na armadilha comum de tentar explicar demais a física por trás da viagem no tempo. O próprio personagem de Jeff Daniels corta o assunto em um diálogo sensacional dizendo que, se eles começarem a desenhar diagramas com canudinhos, vão passar o dia inteiro ali. O foco aqui são as consequências e o peso das escolhas.

O filme funciona como um estudo de personagem brutal sobre o egoísmo. O jovem Joe quer apenas garantir a sua grana e curtir a vida, enquanto o Joe velho quer recuperar o que perdeu, sem se importar com quem precisa passar por cima para alcançar esse objetivo. A dinâmica de gato e rato entre as duas versões funciona perfeitamente bem porque entendemos as motivações de ambos. É uma fita que entrega cenas de ação pesadas, tiroteios secos com bacamartes modificados, mas que te pega pelo estômago no terço final ao levantar questões pesadas sobre sacrifício, redenção e a quebra de ciclos de violência. É cinema de ficção científica em seu estado mais puro e inteligente.

Se você está procurando um filme que respeita o seu intelecto, entrega uma boa dose de adrenalina e ainda te deixa pensando nos créditos finais, este clássico moderno de Rian Johnson é a escolha ideal para o seu próximo final de semana.

 

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