Love Me

 

Se você curte cinema que foge do óbvio e te faz pensar sobre a nossa própria existência enquanto toma uma cerveja no fim de semana, precisa conhecer essa obra. Lembro perfeitamente de quando vi a sinopse pela primeira vez: uma história de amor entre uma inteligência artificial em uma boia marítima e outra em um satélite espacial, bilhões de anos após a extinção da humanidade. Parece loucura, eu sei, mas o resultado é um soco no estômago sobre o que nos torna humanos.

Com o título original Love Me, o longa foi lançado oficialmente no festival de Sundance no ano de 2024 e traz uma abordagem totalmente inovadora para a ficção científica romântica. Atualmente, o filme sustenta uma nota IMDb de 5.4/10, o que reflete bem o quanto ele dividiu o público entre os que amaram a ousadia e os que acharam a viagem conceitual um pouco longa demais. Mas, na minha opinião, a experiência vale cada minuto.

Qual é a verdadeira história por trás de Love Me?

O enredo gira em torno dessas duas entidades digitais que tentam entender o que é o amor e a própria consciência baseando-se nos restos da internet que a humanidade deixou para trás. O filme é dirigido pelo casal de diretores Sam Zuchero e Andy Zuchero, que fazem aqui sua estreia em longa-metragem. O roteiro também é assinado por eles.

Para dar vida a esses seres abstratos, o elenco precisava de peso, e os diretores acertaram em cheio. O filme é estrelado por Kristen Stewart (como Me / Deja) e Steven Yeun (como Iam / Liam). Eles entregam uma química absurda, mesmo passando boa parte do tempo interpretando avatares virtuais ou dublando formas metálicas. É o tipo de atuação que segura o filme quando a narrativa ameaça ficar abstrata demais.

Onde o filme Love Me 2024 foi gravado?

Se você pensa que um filme sobre o fim do mundo foi feito todo dentro de um estúdio de tela verde, está muito enganado. A locação de Love Me é um dos pontos mais altos da produção. Para representar as diferentes eras da Terra — da era glacial pós-nuclear até o deserto total —, a equipe viajou por cenários reais e impressionantes.

As filmagens passaram por lagos congelados na região de Alberta, no Canadá, pelas águas do Salish Sea e pelas areias escaldantes do Death Valley (Vale da Morte), na Califórnia. Esse choque visual entre o frio extremo e o calor desértico cria uma atmosfera tangível, que ajuda a dar peso real ao isolamento dos personagens.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?

Uma das principais curiosidades é que os diretores estruturaram o filme como uma peça de teatro dividida rigidamente em três atos bem distintos:

·         O primeiro focado puramente na boia e no satélite no mundo físico e vazio;

·         O segundo ambientado dentro de uma simulação de realidade virtual (onde o casal vive uma vida "humana" baseada em influenciadores digitais);

·         O terceiro ato, que choca tudo isso com o mundo real do futuro.

Além disso, a produção venceu o prestigioso prêmio Alfred P. Sloan Feature Film Prize em Sundance, um reconhecimento concedido a filmes que focam na ciência e na tecnologia de forma inovadora. Outro detalhe bacana é que a própria Kristen Stewart revelou em entrevistas, anos antes do lançamento, que estava trabalhando em um projeto "quase impossível de explicar", que acabou se tornando essa jornada de 10 bilhões de anos da Terra.

Vale a pena assistir ao filme ou é só pretensão?

A minha crítica da obra é direta: Love Me não é um filme de ação rápida para assistir lavando a louça. É um experimento visual que pega o conceito de inteligência artificial e o vira do avesso. Em vez de robôs tentando destruir o mundo, temos duas máquinas solitárias tentando desesperadamente descobrir como simular o carinho humano através de dados corrompidos das redes sociais.

O filme acerta muito ao mostrar a nossa dependência de validação externa e como construímos nossas identidades baseadas no que os outros esperam de nós. Às vezes o ritmo desacelera um pouco no segundo ato, mas o visual das locações e a entrega de Steven Yeun e Kristen Stewart compensam qualquer deslize. É um filme imperfeito, mas corajoso, que honra o verdadeiro cinema de ficção científica independente. Se você quer algo fora do padrão dos blockbusters genéricos, dê uma chance.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.