Quando
o primeiro Matrix saiu lá em
1999, ele explodiu a cabeça de todo mundo. Aquela estética de couro preto, os
questionamentos filosóficos e, claro, o bom e velho quebra-pau coreografado
mudaram o cinema de ação para sempre. Por anos, a história parecia fechada, mas
o sistema resolveu reiniciar. Pensando nisso, decidi revisitar esse universo
para analisar The Matrix Resurrections,
o quarto capítulo da franquia que dividiu opiniões pelo mundo inteiro. Pegue o
seu café e vem comigo abrir o código desse filme.
Como The Matrix Resurrections se conecta com a trilogia
original?
Para entender esse filme, você precisa esquecer um pouco
aquela fórmula fechadinha de Hollywood. Lançado globalmente no final de 2021, o longa traz o
título original de The Matrix Resurrections e foca
muito mais na desconstrução do mito do que na pura pancadaria.
A história se passa duas décadas após os eventos de Matrix Revolutions.
Neo agora é Thomas Anderson, um desenvolvedor de videogames incrivelmente
bem-sucedido que criou uma trilogia de jogos chamada... Matrix. Pois é, a
metalinguagem aqui é pesada. Ele vive à base de pílulas azuis receitadas por
seu analista para conter "delírios", mas tudo muda quando uma versão
mais jovem de Morpheus e uma hacker chamada Bugs aparecem para tirá-lo da
simulação novamente. O grande motor da trama não é apenas salvar a humanidade,
mas sim o reencontro de Neo com Trinity, que também está presa na Matrix sob
uma nova identidade.
Quem está por trás e na frente das câmeras neste retorno?
A cadeira de direção teve uma mudança importante. Dessa
vez, Lana Wachowski
assumiu o comando solo, sem a sua irmã Lilly. No elenco, o peso da nostalgia
bate forte com os retornos triunfais de Keanu Reeves como
Neo e Carrie-Anne Moss
como Trinity — e a química dos dois cinquentões na tela continua absurda de
boa.
Como Laurence Fishburne e Hugo Weaving não voltaram,
tivemos sangue novo assumindo papéis icônicos: Yahya Abdul-Mateen II entrega um
Morpheus bem mais despojado e estiloso, enquanto Jonathan Groff dá vida a um
novo e visceral Agent Smith. Para completar o time, Jessica Henwick rouba a
cena como Bugs, a capitã da nave Mnemosyne.
Em termos de locação, boa parte das cenas urbanas da
simulação foi filmada nas ruas de San Francisco, na Califórnia, o que
dá uma textura bem mais realista e contemporânea ao filme, abandonando aquele
tom esverdeado artificial dos primeiros longas. As filmagens também passaram
pelos estúdios de Babelsberg, na Alemanha, e pelas paisagens imponentes de
Berlim.
Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?
Produzir uma sequência desse tamanho quase vinte anos
depois rende boas histórias. Separando o que rolou por trás das câmeras,
algumas curiosidades chamam bastante atenção:
·
O
salto real: Keanu Reeves e Carrie-Anne
Moss decidiram dispensar dublês em uma das cenas mais tensas do filme, saltando
de um prédio de 43 andares em San Francisco várias vezes até conseguirem o take
perfeito.
·
A
ausência de Lilly: Lilly Wachowski
revelou que não quis participar do projeto porque estava exausta e precisava de
um tempo longe da pressão da indústria, além de achar que revisitar o passado
naquele momento não faria bem para ela.
·
Mudança
visual com propósito: A ausência do
filtro verde clássico da Matrix original foi uma escolha consciente de Lana
para mostrar que a nova versão do sistema é muito mais parecida com o nosso
mundo real, feita para ser mais atraente e difícil de questionar.
No agregador de notas mais famoso da internet, o público
reagiu de forma bem mista. Hoje, a nota IMDb de Matrix
Resurrections fica na casa dos 5.7/10, o que reflete perfeitamente o
racha que ele causou entre os fãs raiz.
O filme é realmente bom ou decepciona como cinema de
ação?
Sendo bem direto com você: se você for dar o play
esperando um filme cheio de lutas plasticamente perfeitas e revolucionárias
como as de 1999, a chance de você se frustrar é gigantesca. A ação aqui é muito
mais caótica, menos ensaiada e focada no desespero dos personagens. Lana
Wachowski claramente usou o filme para criticar a própria indústria que exige
sequências e reboots o tempo todo por puro dinheiro.
Mas onde o filme ganha pontos comigo? No coração da
história. No fundo, Resurrections é uma grande e madura
história de amor. A jornada do Neo para resgatar a Trinity e a forma como um
depende do outro para alcançar o potencial máximo é o que sustenta o longa. É
um filme corajoso, meio bagunçado em alguns pontos de exposição de roteiro, mas
que bota a cara a tapa sem medo de errar. Não é perfeito, passa longe do
impacto do primeiro, mas respeita a maturidade dos seus protagonistas e entrega
um encerramento honesto para quem aceita entrar na nova proposta do jogo.
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