O Vale Proibido (The Valley of Gwangi)

 

Se você, assim como eu, é fã de uma boa aventura clássica que mistura o melhor do faroeste com a fantasia mais pura, prepare a pipoca. Hoje vamos resgatar uma verdadeira joia do cinema de monstros que marcou época e que merece muito mais atenção do que recebe hoje em dia. Estou falando de um clássico absoluto da Sessão da Tarde que uniu caubóis e dinossauros muito antes de qualquer franquia moderna sonhar com essa ideia.

Qual é a história por trás de O Vale Proibido?

Lançado com o título original de The Valley of Gwangi, o filme chegou aos cinemas no ano de 1969. A trama acompanha Tuck Kirby (vivido por James Franciscus), um sujeito destemido que trabalha em um circo itinerante no México e está atrás de uma grande atração para salvar os negócios. É aí que ele descobre a existência de um vale escondido e intocado pelo tempo, onde criaturas pré-históricas ainda caminham pela Terra.

A direção ficou por conta de Jim O'Connolly, mas vamos ser sinceros: o verdadeiro astro por trás das câmeras é o mestre Ray Harryhausen. Ele foi o gênio responsável pelos efeitos especiais em Stop-Motion (aquela técnica minuciosa de animar os monstros quadro a quadro).

O elenco ainda traz nomes como Gila Golan (a bela T.J. Breckenridge), Richard Carlson e Laurence Naismith. No IMDb, o longa sustenta uma respeitável nota 6.3, o que é um reflexo justo do carinho que os fãs de ficção científica e aventura têm por essa produção até hoje.

Onde o filme foi gravado e como foi a produção?

Para criar aquele clima de fronteira mexicana árida e misteriosa, a produção não economizou nas locações. As filmagens aconteceram na Espanha, utilizando cenários naturais impressionantes na região de Almería, além de paisagens icônicas em Cuenca e no Parque Nacional de Ciudad Encantada. Essas formações rochosas bizarras e imponentes deram o tom perfeito para o "Vale de Gwangi", fazendo o espectador acreditar que aquele lugar realmente escondia segredos de milhões de anos.

O visual do filme é um dos seus pontos mais fortes. A mistura da poeira do deserto com o perigo iminente dos predadores cria uma atmosfera de tensão constante. Ver os caubóis galopando com seus cavalos ao lado de criaturas gigantescas naquelas planícies espanholas é um espetáculo visual que enche os olhos de qualquer fã do gênero.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?

Nenhum clássico dessa magnitude passa sem boas histórias de bastidores. Separei as melhores para você entender o peso dessa obra:

·         O recorde de Harryhausen: Este foi o último filme de dinossauros que Ray Harryhausen animou em sua carreira. Ele passou quase um ano inteiro trancado no estúdio para finalizar os efeitos. Ao todo, são mais de 300 cortes de Dynamation (o processo que unia os monstros aos atores reais), um recorde absoluto na carreira do animador.

·         A cena da corda: A sequência onde os caubóis tentam laçar o Gwangi (o tiranossauro principal) a cavalo é considerada uma obra-prima técnica. Para dar realismo, os atores laçavam um jipe em movimento no set, e depois Harryhausen substituiu o veículo pelo dinossauro animado na pós-produção, casando perfeitamente a tensão das cordas.

·         Ideia antiga: O conceito original do filme não nasceu nos anos 60. Ele foi idealizado na década de 1940 por Willis O'Brien, o lendário criador dos efeitos do King Kong original de 1933. Infelizmente, O'Brien faleceu antes de realizar o projeto, e seu pupilo, Harryhausen, fez questão de tirar a ideia do papel como uma grande homenagem ao mestre.

Vale a pena assistir a esse clássico hoje em dia?

Olhando com os olhos de hoje, a minha crítica para O Vale Proibido é extremamente positiva, desde que você saiba o que está assistindo. Não espere o realismo digital de um Jurassic Park. O charme aqui está justamente no trabalho artesanal. Cada rugido do Gwangi, cada movimento de cauda e o peso da criatura na tela transbordam uma personalidade que o CGI moderno muitas vezes deixa perder.

O ritmo do filme é excelente, entregando aquele clima de exploração e perigo que o público masculino tanto gosta em histórias de sobrevivência. O embate final na catedral é simplesmente memorável e fecha a narrativa com chave de ouro. É uma obra robusta, divertida e um testamento de uma era onde o cinema era feito com pura paixão e criatividade física. Se você curte uma boa aventura de raiz, esse filme é parada obrigatória na sua lista.

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