Se você é fã de uma boa ficção científica que deixa de lado aquela
barulheira visual de explosões espaciais para focar no mistério e no
comportamento humano, encontrou o lugar certo. Hoje vou abrir o jogo sobre uma
produção que passou meio despercebida pelo grande público, mas que tem uma
atmosfera densa e intrigante: estou falando de Primeira Chegada
(título nacional para o mercado de streaming/home video).
Como alguém que respira cinema e vive catalogando histórias que valem ou
não o nosso tempo, confesso que me deparei com esse filme quase por acaso. Sabe
aquele final de noite de domingo em que você quer apenas uma trama direta, sem
enrolação, mas com uma pegada misteriosa que te prenda no sofá? Foi exatamente
assim que esse longa me pegou.
Do que se trata a história de
Primeira Chegada?
O filme nos joga direto na vida de Alex Lainey, uma estudante que, após
se deparar com misteriosas luzes flutuantes em sua pequena cidade, acaba
sofrendo um apagão. Ela acorda flutuando em um lago, sem memórias claras, mas
com habilidades extraordinárias e perigosas, como telecinese e poder de cura.
A partir daí, a narrativa ganha corpo com uma pegada de perseguição
clássica. Assustada com o que está se tornando, Alex recorre ao seu amigo de
infância, Sean Terrel. É o início de uma fuga desesperada enquanto autoridades
e agências governamentais secretas tentam caçá-la a todo custo para decifrar a
origem de sua transformação. É um primeiro contato com o desconhecido, mas sob
uma ótica muito intimista e realista.
Quem está por trás e na frente das
câmeras?
Lançado originalmente no festival South by Southwest (SXSW) no ano de lançamento de 2018, o filme carrega o título original: At First Light (também distribuído em
algumas regiões apenas como First Light).
A direção e o roteiro ficam por conta de Jason Stone, que
optou por focar muito mais na tensão psicológica dos personagens e no mistério
do que em efeitos visuais grandiosos. No comando do elenco,
temos dois jovens talentos que entregam atuações bem honestas: Stefanie Scott (conhecida por Sobrenatural: A Origem) vive a protagonista Alex, e o
ator canadense Théodore Pellerin interpreta Sean,
o cara que segura a onda e decide protegê-la até as últimas consequências. O
elenco ainda conta com o ótimo Saïd Taghmaoui (de Homem de Ferro e Mulher-Maravilha) no
papel de Cal, um dos agentes na cola dos jovens.
Onde o filme foi gravado e quais são
suas curiosidades?
A atmosfera desolada e misteriosa do filme não é por acaso. Toda a locação principal do longa se concentrou na região de Ottawa e arredores, no Canadá. As paisagens canadenses,
com suas estradas vazias, florestas densas e lagos isolados, dão o tom exato de
isolamento e urgência que a história pede.
No campo das curiosidades, vale destacar que o
diretor Jason Stone se inspirou fortemente no clássico Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven
Spielberg, mas sob uma roupagem moderna de suspense adolescente de ficção,
lembrando muito a estrutura de Poder Sem Limites (Chronicle). Outro ponto de bastidores é que, apesar de
parecer uma produção americana de grande orçamento pelas tomadas aéreas e
fotografia caprichada, o projeto é essencialmente uma produção independente
canadense de menor escala, o que forçou a equipe a ser extremamente criativa
com os efeitos especiais de luzes.
Vale a pena assistir a esse suspense
de ficção?
No agregador de críticas mais famoso do mundo, o filme ostenta uma nota IMDb de 5.6/10. Para muitos, uma nota mediana, mas
quem conhece o gênero sabe que ficções científicas independentes costumam
sofrer um pouco com o público geral nas avaliações.
A minha crítica da obra é bem direta: o
filme entrega exatamente o que promete se você souber o que esperar. Não procure
aqui uma batalha campal contra alienígenas. A força de Primeira Chegada está no clima de estrada, na urgência
da fuga e na química realista entre os dois protagonistas. Sean toma decisões
práticas e protetivas, agindo de forma firme, o que dá uma dinâmica excelente
de sobrevivência ao roteiro. O ritmo é constante, a fotografia cinzenta é
bonita e o mistério sobre o que são as luzes se sustenta bem até o desfecho. É
um filme enxuto, de noventa minutos, ideal para quem curte suspense de
conspiração governamental misturado com fenômenos inexplicáveis.
Se você quer uma indicação fora do óbvio para o seu painel de
assistidos, Primeira Chegada (At First Light) cumpre muito bem o
papel de entreter com inteligência e sobriedade.
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