Se
você curte uma boa aventura descompromissada, daquelas com direito a selvas
perigosas, tribos perdidas e reviravoltas absurdas, senta aí que hoje vamos
falar de um clássico esquecido da Sessão da Tarde. Vou te contar tudo sobre As Minas do Rei Salomão,
uma pérola que marcou os anos 80 e que, mesmo dividindo opiniões, tem um lugar
especial na memória de quem cresceu em frente à TV.
Lançado originalmente como King Solomon's Mines,
o longa pegou carona no sucesso gigantesco de Indiana Jones. A ideia era clara:
entregar um filme de ação frenético, bem-humorado e com aquela pegada clássica
de exploração de terras desconhecidas.
Qual é o contexto e a história por trás de As Minas do Rei Salomão?
Para entender esse filme, a gente precisa voltar para
1985. O cinema de aventura estava no topo, e a produtora Cannon Films —
conhecida por seus filmes de ação de baixo orçamento e muita explosão — decidiu
que precisava do seu próprio herói de chapéu e chicote. Eles foram buscar a
resposta em um livro clássico de 1885, escrito por H. Rider Haggard, que praticamente
inventou o gênero de "mundo perdido".
O diretor responsável por comandar essa jornada foi J.
Lee Thompson. A trama acompanha o lendário caçador e guia Allan Quatermain,
contratado por Jesse Huston para encontrar seu pai, um arqueólogo que sumiu enquanto
buscava as lendárias minas de ouro do Rei Salomão. No caminho, claro, eles
enfrentam militares alemães, tribos locais e um monte de armadilhas.
O elenco trouxe Richard Chamberlain como o protagonista
canastrão e carismático, e uma jovem Sharon Stone no papel de Jesse, bem antes
de ela virar o megasímbolo sexual dos anos 90. O vilão ficou por conta de John
Rhys-Davies (o próprio Sallah de Indiana Jones e, mais tarde, o
Gimli de O Senhor dos Anéis),
fazendo o que sabia de melhor.
As filmagens aconteceram no Zimbábue, o que deu ao filme
um visual de savana real e cenários grandiosos, bem distantes dos fundos verdes
que vemos hoje em dia.
O que a crítica achou e qual é a nota IMDb do filme?
Se formos olhar friamente pelos olhos dos críticos da
época e de hoje, o filme apanha um bocado. Atualmente, a nota IMDb do filme é 4,9/10,
o que mostra que ele é considerado uma produção bem "ame ou odeie".
A crítica da obra geralmente aponta que o filme é uma
cópia descarada de Os Caçadores da Arca Perdida. E
sendo bem sincero, ele é mesmo. O ritmo é quase de desenho animado: os
personagens saem de uma explosão, caem num caldeirão de canibais, fogem em um
avião biplano e vão direto para uma caverna cheia de aranhas. Não há muito
tempo para respirar ou para diálogos profundos.
Mas sabe de uma coisa? É exatamente aí que mora o charme.
Se você assistir esperando uma obra-prima do cinema, vai se frustrar. Agora, se
você encarar como um passatempo honesto, focado em ação pura e nostalgia, a
diversão é garantida. O carisma do Richard Chamberlain sustenta o filme e a
dinâmica dele com a Sharon Stone funciona no melhor estilo "gato e
rato".
Quais são as maiores curiosidades dos bastidores da
produção?
Os bastidores desse longa são quase tão movimentados
quanto o filme em si. Separei as melhores histórias para você entender o caos
que foi essa gravação:
·
O
erro na escalação: Diz a lenda que os
produtores queriam Kathleen Turner (que estava estourada por Tudo por uma Esmeralda)
para o papel principal feminino. Ao pedir para o diretor escalar "aquela
mulher de Fogo Corpóreo", eles se
confundiram e contrataram Sharon Stone. Quando perceberam o erro, já era tarde.
·
Clima
tenso no set: Sharon Stone e Richard
Chamberlain não se deram bem durante as filmagens no Zimbábue. A atriz, no
início de carreira, reclamava bastante das condições difíceis da locação, o que
irritava o veterano Chamberlain e o diretor.
·
Aproveitando
o cenário: A Cannon Films estava tão
confiante (ou queria tanto economizar) que gravou a sequência, Allan Quatermain e a Cidade do
Ouro Perdida, simultaneamente com o primeiro filme, usando os mesmos
cenários e elenco.
Por que você deveria reassistir a esse clássico dos anos
80 hoje?
No fim das contas, As Minas do Rei Salomão
de 1985 é o puro suco daquela década: exagerado, barulhento, politicamente
incorreto para os padrões atuais e extremamente divertido. Ele não se leva a
sério em nenhum segundo, e isso é libertador.
Reassistir a essa obra hoje é fazer uma viagem no tempo.
É lembrar de uma época em que os filmes de ação precisavam apenas de um herói
durão com um sorriso no rosto, uma mocinha em apuros que sabe gritar muito bem
e capangas que erram todos os tiros. É um prato cheio para um fim de semana
chuvoso, de preferência com uma boa caneca de café do lado.
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