Ronin

 


Sabe aquele tipo de filme que não tenta te impressionar com efeitos especiais exagerados ou pirotecnia barata, mas sim com o peso de cada soco, o ronco de um motor de verdade e a tensão silenciosa de homens que sabem exatamente o que estão fazendo? Se você curte o cinema de ação clássico, direto ao ponto e extremamente competente, precisa falar sobre Ronin.

Lançado em um período de transição no cinema, no final dos anos 90, essa obra-prima do suspense policial se consolidou como um verdadeiro hino à velha guarda da ação. Eu sempre me pego revisitando essa história, e cada vez que assisto, fico mais impressionado com a precisão cirúrgica de sua execução.

Qual é a história por trás de Ronin (1998)?

Para entender o impacto de Ronin, precisamos voltar a 1998, o ano de seu lançamento. O mundo estava prestes a entrar nos anos 2000, a computação gráfica começava a dominar Hollywood, mas o experiente diretor John Frankenheimer decidiu seguir pelo caminho inverso. Sob o título original de simplesmente Ronin, ele entregou um thriller de espionagem focado no realismo bruto.

A trama acompanha um grupo de ex-agentes secretos da Guerra Fria que, de repente, se veem sem propósito e sem pátria — exatamente como os antigos samurais sem mestre do Japão feudal, conhecidos como "ronin". Eles são contratados por uma misteriosa cliente irlandesa para uma missão aparentemente simples, mas altamente mortal: interceptar uma maleta fortemente protegida antes que ela seja vendida para os russos. O problema? Ninguém sabe o que está dentro da maleta, e no submundo dos mercenários, a confiança é um artigo de luxo que custa caro.

Quem faz parte do elenco lendário deste clássico?

Para dar vida a esses homens calejados pelo dever, Frankenheimer reuniu um dos elencos mais afiados e carismáticos daquela década. Na liderança, temos o gigante Robert De Niro como Sam, um ex-agente da CIA astuto e observador. Ao lado dele, o francês Jean Reno brilha no papel de Vincent, o especialista em logística que logo se torna o único parceiro em quem Sam realmente pode começar a confiar.

A dinâmica entre os dois é o coração do filme. É aquela camaradagem silenciosa de quem compartilha cicatrizes e poucas palavras. O elenco de apoio ainda conta com nomes de peso como Stellan Skarsgård (como o frio especialista em computadores Gregor), Sean Bean (o mercenário arrogante Spence), Natascha McElhone (a enigmática Deirdre) e o lendário ator britânico Jonathan Pryce. Cada um deles entrega uma performance contida, mas cheia de camadas, ideal para uma história onde todo mundo parece esconder uma arma nas costas.

Onde o filme Ronin foi gravado e quais são suas principais locações?

Esqueça os estúdios fechados e as telas verdes de Los Angeles. A atmosfera fria, úmida e charmosa de Ronin deve-se inteiramente às suas belíssimas locações reais na França. A produção rodou o país para capturar cenários que parecem respirar história e melancolia, dividindo-se entre:

·         Paris: Com perseguições insanas pelas ruas estreitas e pelo famoso túnel sob a ponte de l'Alma.

·         Nice e a Côte d'Azur: Onde as ruelas de paralelepípedo medievais servem de palco para emboscadas tensas.

·         Arles: Incluindo o icônico anfiteatro romano que cria um paralelo visual perfeito com a herança dos guerreiros antigos.

Esse pano de fundo europeu não é apenas estético. Ele dita o ritmo do filme, fazendo com que as cidades pareçam labirintos onde o perigo espreita em cada esquina cinzenta.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores de Ronin?

O que torna esse filme um marco tão respeitado entre os cinéfilos são os detalhes de sua produção física. Aqui estão alguns fatos de bastidores que vão fazer você assistir à obra com outros olhos:

·         Velocidade real nas pistas: Para as icônicas cenas de perseguição, Frankenheimer (que era um piloto amador apaixonado) recusou o uso de computação gráfica. Ele contratou pilotos de corrida profissionais, incluindo o ex-piloto de Fórmula 1 Jean-Pierre Jarier, para dirigir os carros a mais de 120 km/h pelas ruas parisienses.

·         A reação dos atores era real: Os carros utilizados nas filmagens tinham volante duplo. Enquanto um piloto profissional controlava o carro de verdade do lado direito (escondido das câmeras), Robert De Niro e os outros atores fingiam dirigir do lado esquerdo. Ou seja, a cara de pânico dos atores durante as curvas fechadas e derrapagens era puro reflexo da velocidade real!

·         O mistério da maleta: O roteiro do filme foi refinado pelo consagrado dramaturgo David Mamet (que assinou sob o pseudônimo de Richard Weisz). Ele fez questão de nunca revelar o conteúdo da maleta, usando o famoso recurso do "MacGuffin" para manter o foco total na paranoia e no comportamento dos personagens.

Por que a crítica considera Ronin um dos melhores filmes de ação?

No site de avaliações IMDb, Ronin ostenta uma nota sólida de 7.3/10, um reflexo claro de como ele envelheceu como um bom vinho. Minha opinião pessoal? O filme é uma verdadeira aula de como construir tensão sem pressa.

A direção de Frankenheimer é de um pragmatismo impecável. Onde os diretores modernos usam cortes rápidos a cada fração de segundo para disfarçar a falta de coreografia, Ronin sustenta planos abertos e longos. Você entende a geografia das perseguições, o posicionamento de cada atirador e o peso físico das colisões. As batidas de carro — envolvendo modelos clássicos como o Audi S8 e a BMW M5 E34 — machucam os olhos de quem gosta de carros, mas hipnotizam pela crueza.

No fim das contas, a obra entrega exatamente o que promete: um mergulho profundo no profissionalismo de homens que vivem sob um código de conduta próprio em um mundo que já não se importa mais com honra. É um filme robusto, inteligente e imperdível para qualquer um que respeite o bom cinema de ação feito à mão.


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