Se você é como eu, que passou dos 60 anos e cresceu com a TV ligada nas aventuras do Pernalonga, rindo com o Pica-Pau, vibrando com as corridas do Speed Racer ou torcendo pela Penélope Charmosa, o nome "He-Man" talvez não signifique muita coisa para você. Eu nunca acompanhei o desenho original dos anos 80, que virou febre para a geração seguinte à nossa. Mas quando ouvi falar que uma superprodução estava trazendo essa história de volta em pleno ano de 2026, decidi que era hora de pegar a pipoca e conferir de perto o que esse tal de "homem mais poderoso do universo" tem a oferecer.
O
resultado dessa minha aventura no streaming é o novo longa-metragem Mestres do
Universo (título original: Masters of the Universe). Prepare o seu
café, puxe uma cadeira e vamos conversar sobre o que achei dessa experiência,
os bastidores da produção e, claro, o tamanho do estrago que esse filme deixou
nos cofres dos produtores.
Como é a história de Mestres do Universo 2026?
A
trama nos apresenta a Adam (interpretado por Nicholas Galitzine), um jovem que
vive na Terra há 15 anos, sem saber que na verdade é o príncipe herdeiro de um
planeta distante chamado Eternia. Quando ele encontra a lendária
"Espada do Poder", é guiado de volta ao seu lar e descobre que seu
mundo foi completamente devastado e escravizado pelo terrível vilão Esqueleto.
Para salvar sua família e restaurar a paz, ele precisa assumir sua
identidade como He-Man e lutar ao lado de aliados como a guerreira Teela
(Camila Mendes) e o veterano Mentor (Idris Elba).
É uma clássica jornada do herói: o jovem comum que precisa encontrar a
força dentro de si para enfrentar o mal. Para quem, como eu, gosta de uma boa
aventura de ficção científica com um toque de fantasia à moda antiga, a
premissa funciona muito bem e não exige que você seja um especialista na
franquia para entender o que está acontecendo.
Quem está por trás das câmeras e no
elenco?
A
direção ficou nas mãos de Travis Knight, conhecido por comandar Bumblebee
e a excelente animação Kubo e as Cordas Mágicas. Ele trouxe para o
filme uma sensibilidade visual muito bacana, tentando equilibrar a
grandiosidade dos efeitos especiais com a inocência clássica das aventuras
matinais de sábado.
No elenco, temos uma mistura interessante de jovens talentos e nomes de
peso de Hollywood:
·
Nicholas Galitzine como Prince Adam / He-Man
·
Camila Mendes como Teela
·
Idris Elba como Duncan / Mentor
(Man-At-Arms)
·
Jared Leto como o icônico vilão Esqueleto
·
Alison Brie como a vilã Maligna (Evil-Lyn)
·
A nossa querida brasileira Morena Baccarin
fazendo o papel da Feiticeira
As filmagens aconteceram principalmente no Oregon, nos Estados Unidos,
aproveitando as florestas densas e paisagens montanhosas da região para recriar
os cenários exóticos e florestais de Eternia com o auxílio de tecnologia de
ponta e cenários práticos.
Quais são as melhores curiosidades
sobre a produção?
Uma das coisas mais divertidas ao acompanhar um filme desse tamanho é
descobrir o que aconteceu nos bastidores. Aqui estão alguns fatos bem curiosos
sobre a produção:
·
Sotaque brasileiro em Eternia: O filme tem uma forte conexão com o Brasil. Além de Morena Baccarin (que é carioca), a atriz Camila Mendes é
filha de brasileiros e fala português fluentemente. Durante a
divulgação, o elenco chegou a brincar que Eternia tinha um "pezinho"
no Brasil.
·
Jared Leto irreconhecível: Fiel ao seu estilo
de atuação física, Jared Leto gravou todas as suas cenas no set usando pesados
prostéticos que imitavam músculos e uma maquiagem facial assustadora, parecendo
"alguém que foi esfolado", segundo o próprio diretor. Nada de apenas
emprestar a voz para um personagem feito 100% no computador.
·
O cameo de Dolph Lundgren: Para os cinéfilos
mais velhos que talvez lembrem do primeiro e desastroso filme de 1987, o ator
Dolph Lundgren (que interpretou o He-Man original na época) faz uma aparição
especial rápida como um homem mais velho em uma academia. Um belo aceno ao
passado.
Qual é o veredito da crítica e o
tamanho do prejuízo?
No agregador de notas IMDb, o filme
conquistou uma média razoável de 6.8 de 10, o que
mostra que o público que foi aos cinemas até que se divertiu com a aventura
despretensiosa e cheia de ação.
A minha crítica sincera sobre a obra é que o diretor Travis Knight
acertou em não levar tudo a sério demais. O filme abraça a cafonice colorida
dos anos 80, mas embala isso em um visual moderno impecável, com ótimas cenas
de luta e uma excelente dinâmica entre He-Man e Teela. Nicholas Galitzine traz
uma vulnerabilidade bacana para o herói, mostrando que ele não é apenas um
monte de músculos sem cérebro. O Esqueleto de Jared Leto é um show à parte:
bizarro, teatral e muito divertido de assistir. Não chega a ser um clássico do
cinema, mas cumpre muito bem o papel de entretenimento leve.
O calcanhar de Aquiles: as contas não
fecharam
No entanto, nem tudo são flores em Eternia. O grande problema de Mestres do Universo não foi a sua qualidade, mas sim a
sua matemática financeira.
O
filme teve um orçamento de produção gigantesco, estimado entre 170 e 200
milhões de dólares (sem contar os custos de marketing, que facilmente
adicionam mais algumas dezenas de milhões à conta). Nas bilheterias
mundiais, o longa arrecadou apenas cerca de 113,5 milhões de dólares.
Para um filme desse tamanho se pagar e começar a dar lucro nos cinemas,
ele precisaria faturar pelo menos uns 400 milhões de dólares globalmente. Com
esse resultado modesto, o filme gerou um prejuízo estimado em mais de
100 milhões de dólares para a Amazon MGM Studios e seus parceiros,
tornando-se um dos grandes "flops" (fracassos de bilheteria) do ano.
Uma pena, pois a aventura merecia uma sorte melhor nas telas.
De qualquer forma, se você quiser passar duas horas relaxando com uma
fantasia bem feita, com ótimos efeitos visuais e que não exige que você tenha
assistido a nenhum desenho no passado para se divertir, vale muito a pena dar
uma chance.
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