Sabe aquele tipo de filme que te deixa fritando a mente dias depois de assistir? Foi exatamente o que senti quando vi Tempo (Old), do diretor M. Night Shyamalan. Eu estava procurando um suspense psicológico instigante para o fim de semana e acabei esbarrando nessa obra de 2021 que mistura ficção científica com terror existencial. A premissa me pegou de cara: uma família vai passar férias em um resort paradisíaco e descobre uma praia isolada onde o tempo passa mais rápido. Tipo, muito mais rápido. O que era para ser um dia de sol vira uma corrida brutal pela sobrevivência.
Se você curte tramas que te fazem questionar a própria realidade, vem
comigo que vou destrinchar esse filme sem enrolação.
Do que se trata o filme Tempo e qual
é o mistério da praia?
A história acompanha um casal em crise, Guy e Prisca, que viaja com os
filhos pequenos para um hotel de luxo. O gerente do lugar, com aquele papo
simpático que já te deixa com a pulga atrás da orelha, indica uma praia secreta
e exclusiva na região. Eles vão, junto com mais alguns poucos hóspedes.
O cenário é espetacular: paredões de rocha gigantes, mar cristalino,
isolamento total. Só que o clima de comercial de turismo dura pouco. O corpo de
uma mulher aparece boiando, os celulares não funcionam e as crianças começam a
crescer diante dos olhos dos pais. Em questão de horas, os filhos pequenos
viram adolescentes.
A grande sacada do roteiro é o desespero psicológico. Cada hora gasta
naquela areia equivale a cerca de dois anos de vida. As feridas cicatrizam
instantaneamente, doenças evoluem em minutos e a velhice chega a passos largos.
Tentar sair dali pelo mesmo caminho resulta em desmaios violentos por causa da
pressão do lugar. É um conceito claustrofóbico em pleno espaço aberto, o que
achei genial.
Quem está por trás e na frente das
câmeras em Tempo?
M. Night Shyamalan é o cara no comando. Você deve lembrar dele por
clássicos como O Sexto Sentido e Sinais. Ele tem um estilo muito próprio de filmar,
usando enquadramentos fechados e movimentos de câmera que aumentam o
desconforto de quem assiste.
O elenco é bem internacional e entrega atuações sólidas, segurando a
barra de interpretar personagens que envelhecem fisicamente enquanto mantêm a
mente de antes. Temos Gael García Bernal e Vicky Krieps como o casal principal.
Rufus Sewell faz um médico que vai perdendo a sanidade de forma assustadora, e
Alex Wolff entrega uma performance pesada como a versão adolescente do filho do
casal, lidando com hormônios e maturidade acelerados.
O filme foi rodado na República Dominicana, especificamente na praia de
El Valle. Toda aquela beleza natural contrasta perfeitamente com o horror da
situação. O visual é impecável e a fotografia abusa da luz natural para te dar
a sensação de que o dia ensolarado é o verdadeiro inimigo.
O que diz a crítica e qual é a nota
de Tempo no IMDb?
Se formos olhar a recepção geral, o filme divide opiniões, o que é bem
comum na carreira do Shyamalan. No IMDb, a nota atual é 5.8.
Não é uma avaliação absurdamente alta, mas serve de termômetro: é um filme
divisivo.
Na minha visão de espectador, a crítica peca um pouco ao exigir um
realismo científico em uma obra que é, essencialmente, uma metáfora sobre a
vida. O ritmo do filme é frenético, as atuações são viscerais e o suspense te
prende na cadeira do início ao fim.
Claro, alguns diálogos são um pouco expositivos demais, e o diretor tem
aquela mania de explicar tudo nos mínimos detalhes no terceiro ato. Mas o saldo
é muito positivo. O filme funciona muito bem como um entretenimento tenso e um
exercício de imaginação sobre como reagiríamos se víssemos nossa vida escorrer
pelos dedos em doze horas.
Quais são as melhores curiosidades
sobre a produção de Tempo?
Como todo filme de suspense cheio de camadas, os bastidores de Tempo guardam alguns fatos bem interessantes que mudam
a forma como a gente assiste à obra. Separei os melhores:
·
Baseado em quadrinhos: A ideia não saiu
do nada da cabeça do Shyamalan. O roteiro foi adaptado de uma graphic novel
franco-suíça chamada Castelo de Areia (Sandcastle), de Pierre Oscar Lévy e Frederik Peeters. O
diretor ganhou a HQ de presente de Dia dos Pais de suas filhas e ficou obcecado
pela história.
·
Clima real de tensão: Filmar na
República Dominicana durante a pandemia de 2020 trouxe desafios reais. A equipe
teve que lidar com furacões reais que destruíram parte dos cenários da praia
mais de uma vez, forçando a reconstrução rápida para não atrasar o cronograma.
·
Aparição do diretor: Fique atento à
tela. Como já é tradição nos filmes dele, Shyamalan faz uma ponta bem
importante na história. Ele interpreta o motorista da van que leva os turistas
para a praia e que depois fica vigiando o grupo de longe.
No fim das contas, Tempo entrega um
desfecho amarrado, com aquela reviravolta clássica que te faz repensar os
motivos de tudo aquilo estar acontecendo. Vale o play para uma noite de
suspense legítimo. E você, teria estômago para encarar uma tarde nessa praia?
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