Acabei de desligar a TV, pegar um copo d'água e preciso confessar: estou impressionado. Fazia tempo que um filme de terror não me deixava tão ligado e reflexivo ao mesmo tempo. Aproveitei que a experiência está fresca na memória para trocar uma ideia sobre essa pérola que acabou de chegar ao catálogo dos streamings.
Qual é a história por trás de Fale Comigo?
Lançado mundialmente nos cinemas em 2023 (após passar por festivais no final de 2022), o longa tem como título original Talk to Me. A trama acompanha Mia (interpretada de forma impecável por Sophie Wilde), uma jovem que ainda tenta lidar com a perda mal resolvida da mãe. Ela e o grupo de amigos descobrem uma nova brincadeira que virou febre nas redes sociais: segurar uma mão embalsamada sob mistério, dizer a frase "fale comigo" e deixar um espírito possuir o seu corpo por, no máximo, 90 segundos.
A bagunça começa quando a experiência vira um vício entre a molecada. A adrenalina de "brincar" com o sobrenatural vira uma metáfora muito crua para drogas e fuga da realidade. Só que, óbvio, alguém quebra as regras do jogo, ultrapassa o tempo limite e abre as portas do inferno de um jeito tenso.
Quem está no comando dessa produção?
A grande surpresa aqui está nos bastidores. O filme foi dirigido pelos irmãos gêmeos australianos Danny e Michael Philippou. Se o nome não te diz nada, eles ficaram conhecidos na internet pelo canal RackaRacka no YouTube, onde faziam vídeos insanos cheios de dublês e efeitos práticos.
Os caras conseguiram pegar a bagagem da internet e transformar em cinema de altíssima qualidade. No elenco, além da brilhante Sophie Wilde, temos nomes como Alexandra Jensen (Jade), Joe Bird (o jovem Riley, que entrega cenas agoniantes), Otis Dhanji e até a veterana Miranda Otto.
Onde o filme foi gravado e como é o ritmo da obra?
A produção foi rodada em Adelaide, no sul da Austrália. Essa escolha de locação dá um tom urbano e isolado ao mesmo tempo, fugindo um pouco dos velhos cenários americanos de sempre.
Outro ponto altíssimo é o uso do som. A trilha sonora original assinada por Cornel Wilczek, misturada com um trabalho de sonoplastia, faz cada estalar de ossos e sussurro grudar no fone de ouvido. O ritmo não enrola: são cerca de 95 minutos de pura tensão sem gordura sobressalente.
Por que Fale Comigo se tornou um fenômeno de público e crítica?
Não foi à toa que a lendária produtora A24 comprou os direitos de distribuição. No IMDb, o filme sustenta uma nota sólida de 7.1/10, o que para o gênero de terror é um resultado fantástico. O longa abocanhou diversos prêmios pelo mundo, incluindo o Critics' Choice Super Award de Melhor Filme de Horror e varreu o AACTA Awards (o "Oscar" australiano).
Entre as curiosidades mais legais, a tal mão de cerâmica usada nas filmagens foi desenhada com escritas reais de pessoas em surto, e os diretores revelaram que usaram efeitos práticos em quase todas as cenas perturbadoras de possessão, reduzindo o uso de computação ao mínimo.
O que mais me pegou na crítica do filme é como ele trata a inconsequência jovem sem ser piegas. Não é apenas sobre monstros ou sustos fáceis (jump scares), mas sim sobre o luto, a necessidade de pertencer a um grupo e as consequências diretas de decisões ruins. O final é seco, direto e fecha o arco da protagonista com chave de ouro.
Se você está procurando um filme firme, com boa história e que realmente entregue uma atmosfera perturbadora sem enrolação, pode dar o play sem medo. Vale cada minuto.
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