Westworld: Onde Ninguém Tem Alma (Westworld)

 


Não lembro exatamente a primeira vez que assisti a este clássico, mas reassisti recentemente para trocar uma ideia sincera com vocês sobre como o cinema dos anos 70 conseguia entregar conceitos cabulosos com muito menos recursos do que temos hoje. A sensação de rever esse filme é quase nostálgica, mas o aviso que ele deixa continua surpreendentemente atual. 

Para contextualizar, antes da famosa série da HBO tomar conta das discussões da cultura pop, existiu um longa-metragem focado no parque de atração futurista Delos. O ambiente prometia realizar os desejos mais reprimidos dos visitantes em três cenários: Mundo Romano, Mundo Medieval e Mundo do Oeste. A premissa é simples e direta: pagando uma bagatela diária, você pode beber, brigar e atirar em androides perfeitos sem sofrer nenhuma consequência legal ou moral. O problema começa quando o sistema entra em colapso e as máquinas param de obedecer.

 

Ficha técnica essencial da obra:

·         Título original: Westworld 

·         Ano de lançamento: 1973 

·         Nota no IMDb: 6.9 / 10 

·         Direção e Roteiro: Michael Crichton 

·         Elenco principal: Yul Brynner (O Pistolero), Richard Benjamin (Peter Martin) e James Brolin (John Blane) 

·         Locações: Desertos do Red Rock Canyon State Park em Cantil, na Califórnia, além dos estúdios da MGM e do antigo set Laramie Street na Warner Bros 

·         Trilha Sonora: Composta por Fred Karlin, misturando sons de faroeste tradicional com ruídos dissonantes para criar tensão 

Como o filme Westworld revolucionou os efeitos visuais no cinema?

Apesar de ser uma produção de orçamento modesto para os padrões de Hollywood na época, o longa conquistou um marco histórico brutal para a tecnologia na sétima arte: foi o primeiro filme da história do cinema a utilizar processamento de imagem digital (CGI). 

Para simular o ponto de vista mecânico e pixelado do Pistolero interpretado por Yul Brynner, o diretor trabalhou com blocos de imagem digitalizados quadro a quadro. Hoje em dia isso parece básico, mas em 1973 exigiu um esforço brutal de computadores enormes para renderizar apenas alguns segundos de tela. O resultado é uma visão amarelada e distorcida que transmite perfeitamente a lógica fria de um caçador de metal.

Por que a atuação de Yul Brynner torna o Pistolero tão ameaçador?

O verdadeiro motor da tensão neste longa é a figura do robô pistoleiro implacável. Yul Brynner entrega uma performance magnética justamente pela postura. Ele praticamente satiriza seu próprio papel marcante de Sete Homens e Um Destino (1960), vestindo as mesmas roupas pretas, mas agindo como uma força da natureza sem emoção. 

A forma como ele caminha pesadamente, a ausência de piscar de olhos e a persistência na perseguição criaram a fórmula ideal para o assassino robótico perfeito. Se você notar bem, muito da atitude do Exterminador do Futuro que Arnold Schwarzenegger faria uma década depois veio direto dessa interpretação sem rodeios de Brynner.

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção de Westworld?

Os bastidores dessa obra têm detalhes tão interessantes quanto o próprio enredo do filme:

·         A mente por trás: O diretor Michael Crichton é o mesmo autor que anos mais tarde escreveria a obra Jurassic Park. Fica claro que ele tinha certa fixação pela ideia de parques de diversões tecnológicos onde a ambição humana cobra um preço alto demais quando a ciência foge do controle. 

·         Olhos assustadores: Para criar os olhos metálicos e sem vida dos robôs, os atores usavam lentes de contato esclerais reflexivas que eram desconfortáveis e limitavam a visão durante as filmagens. 

·         Sets reaproveitados: O cenário da cidade de faroeste construído nos estúdios foi reutilizado em diversos outros clássicos da época, incluindo a comédia Banzé no Oeste (1974) de Mel Brooks. 

·         Indicações a prêmios: A produção recebeu indicações a premiações prestigiadas de ficção científica, como o Hugo Award, o Nebula Award e o Saturn Award de Melhor Filme de Ficção Científica. 

Por que Westworld continua sendo um clássico indispensável?

Ao reassistir à obra hoje, o ritmo pode soar um pouco mais pausado para quem está acostumado com cortes rápidos de blockbusters modernos. No entanto, a construção de clima é irretocável. A primeira metade gasta tempo mostrando como aquele lugar parecia o playground definitivo para os caras extravasarem a rotina do trabalho, o que torna a virada na metade final muito mais chocante. 

A transição entre o estilo bang-bang tradicional e o suspense futurista funciona sem rola-rola. Quando a máquina decide que não vai mais cair na simulação e começa a atirar com munição de verdade, o filme vira um jogo de sobrevivência puro, focado na astúcia humana contra o cálculo frio de um algoritmo sem alma. 

Não é apenas uma aventura divertida dos anos 70; é um aviso muito lúcido sobre a nossa dependência cega da tecnologia e o hábito perigoso de achar que controlamos tudo o que criamos. Vale cada segundo do seu tempo para entender onde essa franquia gigantesca deu seus primeiros passos.

 

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