Christine: O Carro Assassino (Christine)

 

Sempre que penso em filmes que misturam máquinas e terror, o primeiro nome que vem à minha cabeça não é um robô futurista, mas sim um Plymouth Fury 1958 vermelho. Christine: O Carro Assassino é um daqueles clássicos que mostram como o cinema dos anos 80 conseguia transformar algo cotidiano em um pesadelo real. Eu gosto da forma como a história não tenta ser complexa demais; ela foca na relação obsessiva entre um jovem e seu carro, e isso basta para prender a atenção do início ao fim.

O filme é baseado na obra de Stephen King (que eu li antes de ver o filme), o que já dá um peso extra para o roteiro. Mas aqui, a mão do diretor faz toda a diferença para criar um clima de tensão constante, sem precisar apelar para sustos baratos a cada cinco minutos.

O time por trás do clássico e a ficha técnica

Para entender por que esse filme funciona tão bem, a gente precisa olhar para quem estava no comando. O diretor é ninguém menos que John Carpenter, o mestre que nos deu Halloween e The Thing. O título original é simplesmente Christine, e o longa chegou aos cinemas em 9 de dezembro de 1983.

No elenco, não temos grandes estrelas da época que pudessem ofuscar a "personalidade" do carro, o que foi uma decisão inteligente. Os destaques são:

  • Keith Gordon como Arnie Cunningham.

  • John Stockwell interpretando Dennis Guilder.

  • Alexandra Paul no papel de Leigh Cabot.

Atualmente, o filme mantém uma nota sólida de 6.7 no IMDb, o que é um reflexo justo de sua qualidade técnica e do seu status de cult entre os fãs do gênero.

Trilha sonora e o visual das filmagens

Se tem uma coisa que o Carpenter sabe fazer como ninguém, é usar o som para ditar o ritmo da cena. Em Christine: O Carro Assassino, a trilha sonora é uma mistura certeira de composições originais (feitas pelo próprio Carpenter em parceria com Alan Howarth) e clássicos do rock n' roll dos anos 50. Essa escolha musical não é por acaso; ela serve para mostrar o "gosto" da própria Christine, que se comunica através do rádio.

Sobre o visual, as locações de filmagem se concentraram principalmente na região de Los Angeles e Santa Clarita, na Califórnia. A fotografia aproveita bem as estradas escuras e os subúrbios americanos, criando aquela sensação de isolamento que o terror pede. Embora não tenha sido um fenômeno de grandes premiações, como o Oscar, o filme recebeu indicações em festivais de gênero, como o Saturn Awards, sendo respeitado pela crítica especializada em terror e ficção.

Curiosidades que tornam o filme único

O que eu acho mais fascinante nos bastidores desse filme é como eles resolveram os efeitos especiais em uma era pré-computação gráfica pesada. Algumas curiosidades mostram o esforço da produção:

  1. A regeneração do carro: Para as cenas em que a Christine se conserta sozinha, a equipe usou bombas hidráulicas dentro do carro para "amassar" a lataria de dentro para fora e depois passou o filme de trás para frente.

  2. Muitos Plymouths: Foram usados cerca de 23 a 28 carros durante as gravações. Nem todos eram o modelo Fury; alguns eram Belvedere ou Savoy, adaptados para parecerem o Fury vermelho e branco.

  3. Vendas em alta: Após o filme, a procura pelo Plymouth Fury 1958 disparou entre colecionadores, tornando o modelo um dos mais icônicos da história do cinema.

Por que você deveria assistir hoje

Mesmo depois de décadas, o filme envelheceu muito bem. Não é apenas uma história sobre um carro que atropela pessoas, mas sim sobre como a obsessão pode transformar alguém. A transição do personagem Arnie, de um nerd tímido para alguém sombrio e arrogante, é muito bem construída.

Se você gosta de uma narrativa fluida, com uma estética visual impecável e aquela pegada autêntica dos anos 80, este filme é obrigatório. É um terror de atmosfera, onde o vilão não fala, não corre, mas é implacável.


Eiffel

 

Sempre que vejo uma foto de Paris, a primeira coisa que vem à cabeça é a estrutura de ferro que domina a cidade. Mas, curiosamente, eu nunca tinha parado para pensar no que foi necessário para erguer aquilo — e não estou falando só de engenharia. Recentemente, assisti ao filme Eiffel (título original: Eiffel), e o longa entrega justamente essa perspectiva humana por trás do monumento.

Se você gosta de histórias sobre grandes feitos misturadas com dramas pessoais pesados, esse filme é um prato cheio. Vou te contar o que achei e o que você precisa saber antes de dar o play, sem estragar a experiência com spoilers.

O desafio de construir um ícone em 1889

Lançado em 2021, o filme foca em um período específico da vida de Gustave Eiffel, interpretado pelo Romain Duris. O cara já era um engenheiro de sucesso (tinha acabado de colaborar na Estátua da Liberdade), mas o governo francês queria algo monumental para a Exposição Universal de 1889.

O que eu achei interessante na narrativa é como o diretor, Martin Bourboulon, mostra que a torre não nasceu de um desejo puramente patriótico ou técnico. Existe uma motivação muito mais pessoal e, por que não dizer, teimosa. Gustave não queria construir a torre; ele queria fazer o metrô. Algo mudou a cabeça dele, e o filme explora essa virada de chave de um jeito bem direto, sem muita firula sentimentalista, focando na obsessão do trabalho.

Um elenco que segura a bronca

Para dividir a tela com o Duris, escalaram a Emma Mackey (da série Sex Education), que interpreta Adrienne Bourgès. A dinâmica entre os dois é o motor silencioso da trama. Enquanto Gustave lida com a pressão política e as críticas ferrenhas da elite parisiense da época — que achava a torre um horror —, a presença de Adrienne traz à tona o passado do engenheiro.

O elenco ainda conta com Pierre Deladonchamps e Armande Boulanger, mas o filme é, essencialmente, o embate entre o metal rígido da construção e a fluidez das memórias do protagonista. É um filme de época, sim, mas com um ritmo que não te deixa entediado.

Técnica, trilha sonora e locações reais

Uma coisa que me chamou a atenção foi a qualidade técnica. O filme não parece "cenário de papelão". Grande parte das locações de filmagem aconteceu na França, incluindo os estúdios Backlot em Paris e áreas de transição que mimetizam a cidade no século XIX.

A trilha sonora fica por conta do Alexandre Desplat. Se você não reconhece o nome, saiba que ele é um dos maiores nomes da atualidade (vencedor do Oscar por A Forma da Água). A música dele aqui é pontual; ela não tenta te obrigar a sentir algo, ela apenas acompanha a grandiosidade da obra de engenharia que vai subindo tela adentro.

O que as notas e os bastidores dizem

Se você é do tipo que olha os números antes de assistir, o filme mantém uma nota respeitável de 6.2 no IMDb. Não é uma obra-prima unânime, mas é um drama biográfico muito sólido. No que diz respeito a premiações, o filme teve destaque no César Awards (o Oscar francês), recebendo indicações em categorias técnicas como Melhor Figurino, Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais — o que faz todo sentido, já que ver a torre sendo montada peça por peça é visualmente impressionante.

Para fechar o papo, separei algumas curiosidades que tornam a experiência mais rica:

  • O custo: Foi uma das produções francesas mais caras de 2021, com um orçamento que ultrapassou os 23 milhões de euros.

  • A teoria do "A": Existe uma lenda (que o filme explora visualmente) de que o formato da torre seria uma homenagem a um nome que começa com a letra A.

  • Engenharia real: Muitas das técnicas de rebitagem e fundação mostradas no filme são baseadas nos registros reais do próprio Gustave Eiffel.

Se você está procurando um filme que mistura história, uma pitada de drama e uma aula visual de como o ferro mudou o mundo, Eiffel vale o seu tempo. É um relato sobre como a visão de um homem pode ser moldada por aquilo que ele não consegue controlar.