Sabe
aquele tipo de filme que você dá o play numa noite de
sexta-feira esperando uma porrada nostálgica e acaba recebendo um soco de
fumaça? Pois é. Eu sou o tipo de cara que limpa a agenda para assistir a
qualquer produção que prometa monstros, seitas satânicas e um elenco recheado
de lendas do cinema de terror dos anos 80. Foi com esse espírito que decidi
encarar Hellblazers - O Inferno na
Terra (título original: Hellblazers).
A premissa tinha tudo para entregar aquele feijão com
arroz casca-grossa que a gente respeita: uma seita de malucos de capuz
invocando um demônio no sudoeste americano no final da década de 1980, e um
grupo de moradores precisando se virar para não virar janta de monstro. Mas, na
prática, o buraco é bem mais embaixo.
Qual é o contexto e a história por trás de Hellblazers?
O filme nos joga direto em uma cidadezinha pacata onde o
novo xerife, Joe Anderson (vivido por Ed Morrone), tenta se adaptar após sair
de Nova York. A calmaria acaba quando uma seita satânica local resolve ler o
livrinho proibido e invocar uma criatura antiga. A missão dos cultistas?
Alimentar o monstro com a população local para que ele atinja seu poder máximo.
Lançado em 2022, o longa tenta
desesperadamente pegar carona na onda de nostalgia oitentista e do subgênero Satanic Panic (o
pânico satânico que dominou a cultura pop há algumas décadas). A direção ficou
nas mãos de Justin Lee, que
claramente tentou fazer um tributo aos clássicos B daquela época. A intenção de
criar um clima tenso, de isolamento no deserto, é nítida. O problema não é a
ideia, mas como resolveram amarrar os nós dessa história.
Quem faz parte do elenco e onde o filme foi gravado?
Se tem uma coisa que me fez morder a isca foi o elenco. O
diretor conseguiu reunir um time de veteranos que faz qualquer marmanjo fã de
terror sorrir: o lendário Tony Todd (Candyman), a eterna Adrienne Barbeau (A Bruma Assassina), Bruce Dern (Os Oito Odiados), Meg Foster (Eles Vivem) e até o Billy Zane (Titanic), que
aparece logo no começo como o líder cabeludo da seita.
As locações se concentraram em cenários desérticos da
Califórnia, simulando aquele interiorzão isolado e poeirento do sudoeste
americano. Visualmente, o cenário funciona bem para criar a atmosfera de
"ninguém vai ouvir você gritar por socorro".
Quais são as principais curiosidades dos bastidores?
Olhando de fora, a produção tem alguns detalhes de
bastidores que atiçam a curiosidade, embora não salvem o resultado final:
·
Reunião
de Ícones: A maior sacada de Hellblazers foi usar
o orçamento apertado para garantir a presença desses nomes de peso do terror,
atraindo os fãs puristas pelo fator nostalgia.
·
Anacronismo
Escancarado: O filme se passa nos anos
80, e Bruce Dern interpreta Bill Unger, um veterano do Vietnã. Se você puxar o
calendário e fizer as contas pela idade real do ator, a matemática simplesmente
não fecha, deixando evidente que a linha temporal ali é bem elástica.
·
Disparos
Reais vs. Explosões Digitais: Enquanto
os efeitos de tiroteio usam fumaça e estalos práticos bem honestos, as
explosões maiores sofrem com um CGI de qualidade bastante duvidosa.
Vale a pena assistir? Confira a nossa crítica sincera
Vamos direto ao ponto, sem passar pano: no IMDb, o filme amarga
uma nota de 4,5/10. E, sendo
muito honesto com você, a pontuação é justa. Hellblazers falha
justamente onde não podia errar. O roteiro é raso como uma poça d'água no
deserto; o protagonista tem um mistério sobre o seu passado em Nova York que é
mencionado várias vezes, mas o filme simplesmente esquece de explicar o motivo.
A maior heresia aqui é o desperdício de elenco. Ver
monstros sagrados como Tony Todd e Billy Zane aparecerem em apenas duas ou três
cenas curtas dá uma sensação enorme de oportunidade jogada no lixo. Para
piorar, o ritmo é quebrado porque os personagens secundários resolvem se
sacrificar e "pular na granada" a cada cinco minutos por motivos
banais, sem que a gente tenha tempo de se importar com nenhum deles. O design
do monstro até que não é de todo ruim, mas ele aparece tão pouco que o
confronto final parece um balão esvaziando.
Não vou dizer que é o pior filme do mundo — se você
desligar completamente o cérebro e quiser apenas ver um bando de vilões com
mantas cor de mostarda levando tiro de doze no meio do deserto, dá para passar
o tempo. Mas se você busca um terror de respeito, com roteiro firme e suspense
de verdade, o melhor é deixar esse inferno para lá.