John carter: Entre Dois Mundos (John Carter)

 


Quando me sentei para assistir a John Carter: Entre Dois Mundos pela primeira vez, confesso que não esperava nada épico. O filme já vinha acompanhado por aquela fama injusta de "maior fracasso financeiro da história de Hollywood". Mas, como bom apreciador de uma boa aventura de ficção científica com aquela pegada clássica de capa e espada, decidi dar uma chance e ver com meus próprios olhos. 

O resultado? Encontrei um prato cheio para quem gosta de ação direta, honra no combate, criaturas gigantescas e aquele charme de sci-fi retrô que hoje em dia raramente se vê.

De onde surgiu a história de John Carter?

Lançado nos cinemas em 2012 sob o título original John Carter (e baseado no livro A Princess of Mars, escrito por Edgar Rice Burroughs, (criador de Tarzan), lá em 1912), o filme é simplesmente a certidão de nascimento de quase tudo o que amamos na ficção científica moderna. Sem John Carter, não existiriam Star Wars, Avatar ou Superman. 

A trama acompanha um capitão veterano da Guerra Civil Americana que, abalado por perdas pessoais e desiludido com o mundo, acaba acidentalmente teleportado para Marte — conhecido pelos nativos como Barsoom. Por causa da gravidade menor do planeta vermelho, ele ganha força sobre-humana e a capacidade de dar saltos gigantescos. O cara só queria encontrar ouro e ser deixado em paz, mas acaba caindo direto no meio de uma guerra civil alienígena e precisa decidir se vale a pena lutar de novo por uma causa.

Quem está por trás e na frente das câmeras de John Carter?

O projeto teve o comando do diretor Andrew Stanton, cara que já tinha faturado Oscars por animações impecáveis da Pixar, como Procurando Nemo e WALL-E. Stanton colocou o coração nessa transição para o cinema com atores reais. 

O elenco segura muito bem a bronca:

·         Taylor Kitsch dá vida a John Carter, entregando um protagonista fodão, mas com aquele olhar de quem carrega um fantasma no peito. 

·         Lynn Collins interpreta a princesa e cientista Dejah Thoris. Ela passa longe de ser uma mocinha indefesa; sabe dominar uma espada melhor que muito guerreiro. 

·         Willem Dafoe, Samantha Morton e Mark Strong completam a equipe de peso (com os dois primeiros fazendo um trabalho fenomenal via captura de movimento para dar vida aos Tharks, os aliens de quatro braços). 

Para criar a sensação de um planeta desértico, antigo e hostil, a produção não economizou. Grande parte das locações externas foi gravada nos cenários de tirar o fôlego de Utah, nos Estados Unidos, além de filmagens em estúdios no Reino Unido. A trilha sonora original foi composta pelo mestre Michael Giacchino, que entregou temas orquestrais épicos e grandiosos, resgatando aquele espírito de aventura pura dos anos 80 e 90.

Por que a crítica e o público se dividiram tanto?

No IMDb, o filme sustenta uma nota bastante justa de 6.6/10, o que prova que a audiência geral curte muito mais a obra do que os críticos da época quiseram admitir. 

Se você analisar o filme sem o peso das manchetes sobre o orçamento estourado, John Carter é um filmaço de ação. As cenas de combate são limpas, o ritmo não desacelera e o arco de redenção do protagonista é direto ao ponto. A cena da arena contra os macacos brancos gigantes, por exemplo, é cinema de entretenimento na sua forma mais pura: o cara sozinho, na raça, enfrentando feras brutais pela própria sobrevivência e por quem ele gosta. 

O grande erro da Disney na época não foi o filme em si, mas o marketing. Tiraram o "of Mars" (de Marte) do título para tentar atrair o público feminino, o que acabou tirando a identidade do projeto e confundindo todo mundo nas campanhas promocionais. O filme acabou sem levar grandes premiações da indústria, pecando apenas na divulgação, mas não na entrega visual e narrativa.

Quais são as melhores curiosidades sobre John Carter?

·         Um século de espera: A história levou exatamente 100 anos para sair das páginas dos livros de Edgar Rice Burroughs (1912) e chegar às telas dos cinemas com os efeitos visuais que merecia (2012). 

·         Quase rodou nos anos 30: O mestre da animação Bob Clampett queria ter feito um longa animado do personagem na década de 1930. Se tivesse saído, teria sido o primeiro longa-metragem animado da história, antes mesmo de Branca de Neve

·         O idioma alienígena: Os cineastas criaram uma língua de verdade para os Tharks, com dialeto, gramática e vocabulário próprios. Willem Dafoe gravou todas as suas cenas usando pernas de pau para ter a altura correta de um alienígena de quase três metros. 

Vale a pena assistir hoje em dia?

Sem dúvida alguma. Se você busca uma boa jornada do herói, com batalhas épicas, um protagonista que resolve os problemas no braço e na coragem, e um universo sci-fi riquíssimo em detalhes, John Carter: Entre Dois Mundos é uma pedida excelente para o fim de semana. Esqueça o falatório de bilheteria de anos atrás e dê uma chance para um dos blockbusters mais injustiçados da última década.

Shrek 2

 


Tenho uma confessada queda por sequências que conseguem superar os originais, e quando me pego pensando na era de ouro das animações dos anos 2000, nenhuma obra me vem à cabeça tão rápido quanto Shrek 2. Lembra de quando a gente achava que sequências serviam só para arrancar mais dinheiro do público? Esse filme chegou em 2004 mudando completamente essa regra. Ele pegou tudo o que funcionou na primeira aventura do ogro e elevou o nível, entregando uma história muito mais madura, engraçada e ácida. 

Se você está a fim de relembrar essa obra-prima do estúdio DreamWorks ou simplesmente quer entender como um ogro verde virou um ícone pop definitivo, acompanhe este raio-X completo sobre o longa.

Como Shrek conseguiu superar o filme original?

A grande jogada aqui foi tirar o Shrek do pântano de conforto dele e jogá-lo direto no pior pesadelo de qualquer cara recém-casado: conhecer os sogros. Com o título original mantido como Shrek 2, a trama começa logo após a lua de mel de Shrek e Fiona. Eles recebem um convite oficial dos pais da princesa, o Rei Harold e a Rainha Lillian, para comemorar o matrimônio no Reino de Tão Tão Distante (Far Far Away). 

O choque de realidade é imediato. Tão Tão Distante não é um reino de fadas tradicional, mas sim uma sátira escancarada de Hollywood e Beverly Hills, repleta de letreiros luminosos, lojas de grife e uma elite fútil. É exatamente esse contraste entre a rusticidade do ogro e a superficialidade do reino que gera as melhores piadas do filme. 

No site IMDb, a produção ostenta uma nota 7,4 de 10 baseada em centenas de milhares de avaliações, o que demonstra a força inabalável do longa com o público até hoje.

Quem está por trás do elenco e da direção de Shrek 2?

Para dar conta de uma produção desse tamanho, a direção foi dividida entre três nomes de peso: Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon. O trio conseguiu equilibrar o humor pastelão para a garotada com piadas bem sacadas para os adultos. 

O elenco de vozes originais é uma verdadeira constelação de astros:

·         Mike Myers dá vida e voz marcante ao Shrek. 

·         Eddie Murphy entrega uma das atuações mais inspiradas da carreira no papel do Burro. 

·         Cameron Diaz brilha novamente como a Princesa Fiona. 

·         Antonio Banderas se junta ao time como o inesquecível Gato de Botas. 

·         John Cleese e Julie Andrews interpretam os reis Harold e Lillian. 

·         Rupert Everett faz o mimado Príncipe Encantado. 

·         Jennifer Saunders rouba a cena como a manipuladora Fada Padrinho. 

Vale destacar que a dublagem brasileira merece uma menção honrosa, pois conseguiu capturar cada nuance do roteiro original com adaptações locais perfeitas.

O que torna a trilha sonora de Shrek 2 inesquecível?

Se tem algo que define a identidade dessa franquia é a escolha das músicas, e aqui a trilha sonora atingiu o ápice. A música "Accidentally in Love", da banda Counting Crows, virou um hino instantâneo de abertura. 

No entanto, o momento mais icônico de todo o cinema de animação acontece no terceiro ato. A versão catártica de "Holding Out for a Hero", interpretada brilhantemente por Jennifer Saunders (a Fada Padrinho), enquanto Shrek invade o castelo montado num biscoito de gengibre gigante, é puro suco de entretenimento. É uma sequência de ação eletrizante que mistura ritmo, comédia e urgência como poucas vezes vi na tela.

Quais prêmios e curiosidades marcaram a história da animação?

O reconhecimento da crítica veio rápido. O filme disputou a prestigiada Palma de Ouro no Festival de Cannes e garantiu duas indicações ao Oscar em 2005: Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original por "Accidentally in Love". 

Nos bastidores e na tela, o longa carrega detalhes curiosos:

·         Estreia de peso: O Gato de Botas fez sua primeira aparição aqui e agradou tanto que ganhou franquia própria de filmes solo. 

·         Referência aos clássicos: O bar A Maçã Envenenada é cheio de participações especiais de vilões clássicos de contos de fadas. 

·         Recorde de bilheteria: Foi a animação de maior arrecadação na história por um longo período, consolidando o estúdio DreamWorks no topo de Hollywood. 

Por que a crítica considera Shrek 2 um clássico moderno?

Na minha visão crítica, o verdadeiro mérito do filme está em como ele aborda temas profundos sem perder a leveza. Por baixo de todas as piadas sobre cavalos brancos e poções de beleza, a história fala abertamente sobre insegurança masculina, pressão estética e a necessidade de se moldar para ser aceito pela família da parceira. 

Shrek chega a tomar uma poção para virar um humano atraente porque acredita que Fiona merece um príncipe tradicional. O desenrolar da trama mostra justamente o oposto: o valor da autenticidade e da aceitação pessoal. É uma narrativa direta, sem enrolação, que se mantém atual mesmo mais de vinte anos após a estreia. 

Se você está buscando uma comédia inteligente para rever no fim de semana com uma boa bacia de pipoca, este clássico continua imbatível.