Sabe aquele tipo de filme que te pega de surpresa e te deixa encarando a
tela preta depois que os créditos sobem? Pois é. Eu estava procurando algo
diferente para assistir no fim de semana e acabei esbarrando em uma produção
que me fez valorizar até o simples ato de tomar um café pela manhã. Estou
falando de um achado do cinema que mistura romance, ficção científica e um
cenário apocalíptico bem diferente do que estamos acostumados.
Se você curte histórias que te fazem pensar sobre a vida sem precisar
apelar para explosões ou clichês, prepare a pipoca. Vou te contar por que essa
obra merece a sua atenção.
O que é o filme Sentidos do Amor?
Lançado originalmente com o título Perfect Sense, o
filme chegou aos cinemas no ano de 2011.
Esqueça aquela fórmula batida de Hollywood com zumbis ou asteroides destruindo
o planeta. Aqui, a ameaça é silenciosa e atinge o que temos de mais humano.
A trama acompanha o nascimento de um relacionamento no meio de uma crise
global bizarra: uma epidemia misteriosa começa a privar a humanidade de seus
sentidos, um por um. Primeiro, as pessoas perdem o olfato, depois o paladar, a
audição, e o mundo vai se desconectando aos poucos. É um soco no estômago ver a
sociedade tentando manter a normalidade enquanto as ferramentas básicas de
comunicação desaparecem.
O longa conta com uma respeitável nota IMDb de 7.1/10,
o que mostra como ele conseguiu construir uma base sólida de fãs ao longo dos
anos por entregar uma experiência bem fora da curva.
Quem está por trás da direção e do
elenco?
A condução dessa história tensa e melancólica ficou nas mãos do diretor britânico David Mackenzie. O cara foi cirúrgico
ao equilibrar o caos do fim do mundo com a intimidade de um casal. Ele não foca
na destruição das cidades, mas sim em como as pessoas reagem dentro de suas
próprias rotinas.
No elenco, temos uma dupla de peso que segura o filme com
uma química absurda. Ewan McGregor interpreta Michael, um chef de cozinha
talentoso e meio descompromissado com a vida. Ao lado dele, a espetacular Eva
Green vive Susan, uma epidemiologista focada que tenta entender o vírus
enquanto tudo desmorona. A dinâmica entre os dois é o coração da história. O
elenco ainda ganha força com nomes como Ewen Bremner, Connie Nielsen e Stephen
Dillane.
A maior parte da locação principal
foi em Glasgow, na Escócia. A cidade cinzenta e de arquitetura sóbria serve
como o pano de fundo perfeito para o clima intimista e ligeiramente frio que a
narrativa pede. Algumas cenas de apoio também usaram imagens gravadas na Índia,
México e Quênia para mostrar a escala global do surto.
Quais são as melhores curiosidades
sobre Perfect Sense?
Gosto sempre de caçar os bastidores das produções, e essa aqui tem
alguns fatos bem curiosos que mudam a forma como assistimos a certas cenas:
·
Truque gastronômico: Em uma das cenas
mais marcantes do início da epidemia, as pessoas perdem o controle e começam a
comer o que veem pela frente antes de perder o paladar. O personagem de Ewan
McGregor morde uma barra de sabão e lambe creme de barbear do corpo de Eva
Green. Na realidade, a produção usou chocolate branco moldado para simular o
sabão e o creme.
·
Laços de família: O ator Denis Lawson, que interpreta
o chefe de Michael no restaurante, é tio de Ewan McGregor na vida real.
·
Reencontro de peso: McGregor e Ewen
Bremner já haviam trabalhado juntos no clássico Trainspotting
(1996), e o diretor David Mackenzie fez questão de reuni-los aqui.
·
Previsão assustadora: Assistir a esse
filme hoje, depois de tudo o que passamos nos últimos anos com crises
sanitárias globais, dá até um certo arrepio. A forma como o roteiro mostra o
isolamento, o uso de máscaras e o medo do invisível foi incrivelmente profética
para algo feito em 2011.
Como é a crítica da obra e o veredito
final?
Olhando para a produção com um olhar mais crítico, o grande mérito de Sentidos do Amor é a sua capacidade de falar sobre a
vulnerabilidade sem ser excessivamente sentimentalista. O filme não tenta
explicar a ciência por trás da doença, e isso é ótimo. O foco é a adaptação
humana. Quando o paladar some, o restaurante de Michael passa a focar na
textura e na temperatura da comida. A vida segue, porque nós somos programados
para continuar avançando.
A trilha sonora de Max Richter é um espetáculo à parte. O piano
minimalista dita o ritmo da perda e da urgência dos personagens em se fazerem
notar. É um filme sobre a importância do toque, do olhar e da presença física.
Minha única ressalva é que o terço final acelera um pouco o passo para entregar
o desfecho dramático, o que pode deixar quem prefere respostas exatas um pouco
frustrado. Ainda assim, o impacto emocional compensa qualquer ponta solta.
Se você está cansado dos mesmos filmes de ação de sempre e quer uma
história madura, que te faça valorizar as pequenas coisas da rotina, dê uma
chance a essa obra. Vale cada minuto.
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