Almas à Venda (Could Souls)

 

Você já parou para pensar quanto vale a sua alma? Se ela estivesse pesando no seu peito, tirando o seu sono, você aceitaria extraí-la e guardá-la em um potinho de vidro só para ter um pouco de paz? Essa é a premissa bizarra e fascinante de Almas à Venda, um filme que mistura comédia dramática e ficção científica de um jeito que você provavelmente nunca viu por aí.

Se você curte aquele tipo de cinema que te faz dar uma risada nervosa enquanto questiona as suas próprias escolhas de vida, senta aí que hoje vamos destrinchar esse mistério.

Do que se trata a história de Almas à Venda?

Lançado em 2009, o longa traz o título original de Cold Souls (e não Could Souls, como alguns digitam por aí nas buscas). A trama acompanha Paul Giamatti interpretando... o próprio Paul Giamatti. Ele é um ator de teatro em Nova York, completamente estressado e travado nos ensaios da peça Tio Vânia, de Anton Tchekhov. A crise existencial do cara está tão pesada que ele simplesmente não consegue atuar.

Desesperado por uma saída, Paul descobre uma clínica de alta tecnologia que oferece um serviço inusitado: a extração e o armazenamento da alma humana. Ele decide testar o procedimento e descobre que sua alma tem o formato e o tamanho de um grão de bico. Sem o peso da alma, ele se sente leve, mas logo percebe que virou um sujeito frio, sem empatia e um ator ainda pior. As coisas degringolam de vez quando ele tenta recuperar a sua "essência" e descobre que ela foi parar no mercado negro de almas na Rússia.

Quem está por trás da produção desse filme?

A mente por trás desse roteiro original e da direção é de Sophie Barthes. Ela consegue conduzir uma história que tinha tudo para ser uma comédia pastelão e transforma o projeto em uma sátira inteligente sobre a vida moderna, o vazio existencial e a busca implacável pela felicidade instantânea.

No elenco, além do brilhante Paul Giamatti — que entrega aquela atuação cirúrgica de homem comum à beira de um ataque de nervos que a gente adora acompanhar —, temos a atriz russa Dina Korzun, que vive a "mula" de almas contrabandeadas, e a sempre excelente Emily Watson no papel de Claire, a esposa de Paul. O entrosamento deles dá uma base sólida para que a bizarrice da trama pareça assustadoramente real.

Onde o filme foi gravado e quais são suas curiosidades?

A atmosfera do filme depende muito dos seus cenários. A produção usou locações em Nova York para mostrar o caos urbano e a frieza corporativa da clínica, e depois transporta a narrativa para as paisagens gélidas e melancólicas de São Petersburgo, na Rússia. Esse contraste visual funciona muito bem para ditar o ritmo da jornada do protagonista.

Nas curiosidades dos bastidores, destaca-se o fato de Sophie Barthes ter escrito o roteiro após ter um sonho vívido com Woody Allen extraindo a própria alma, que tinha o formato de um feijão. Quando ela tentou falar com Allen, a produção dele não deu muita bola. Sorte a nossa, porque Paul Giamatti caiu como uma luva no papel. Além disso, no circuito de festivais, o longa foi amplamente comparado ao estilo de Charlie Kaufman (roteirista de Quero Ser John Malkovich e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças), o que já dá um belo selo de qualidade para os cinéfilos de plantão.

Qual é a nota IMDb de Almas à Venda e o que esperar da crítica?

No IMDb, o filme ostenta uma nota 6.4. Sendo muito honesto com você, acho que essa pontuação não faz total justiça à obra. O público médio costuma torcer o nariz para ritmos mais lentos e conceitos reflexivos, mas a crítica especializada recebeu o filme muito bem na época, elogiando principalmente a originalidade e o humor ácido.

Olhando para a obra hoje, a minha crítica é bem favorável. O filme funciona como um soco no estômago disfarçado de piada. Ele toca em um ponto crucial para nós, homens, que muitas vezes tentamos engolir as emoções, focar apenas na produtividade e "desligar" o que sentimos para dar conta do recado. O roteiro mostra que, ao tentarmos eliminar nossas angústias e fraquezas, acabamos eliminando também o que nos torna humanos. O desfecho não entrega respostas fáceis ou um final feliz hollywoodiano mastigado, mas deixa aquela sensação incômoda e reflexiva que acompanha a gente por dias após os créditos subirem. Vale cada minuto do seu tempo.

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