Se você curte cinema de guerra daqueles que fazem o coração disparar e a gente esquecer de piscar, senta aí que hoje vamos conversar sobre um baita filme. Lembro perfeitamente da primeira vez que assisti a essa obra no cinema. A sensação de angústia e a imersão foram tão brutais que, quando as luzes se acenderam, eu parecia ter saído de uma trincheira. Estou falando de uma das experiências mais tensas e viscerais da história recente de Hollywood.
Vem comigo que vou te contar por que esse filme é uma obra-prima
indispensável para quem gosta de boas histórias de sobrevivência e estratégia
militar.
Qual é a história por trás de
Dunkirk?
Para entender o impacto da produção, a gente precisa voltar um pouco no
tempo, direto para 1940, nos primeiros meses da Segunda Guerra Mundial. A
situação era caótica. As tropas aliadas — a grande maioria soldados britânicos
e franceses — foram encurraladas pelo exército alemão nas praias de Dunquerque,
na França. De um lado, o mar; do outro, o inimigo avançando.
O filme foca justamente na Operação Dínamo, que
foi o esforço quase milagroso de resgatar mais de 300 mil soldados usando não
apenas navios militares, mas também barcos civis, de pesca e iates de turismo,
que cruzaram o Canal da Mancha para buscar os homens.
Lançado no ano de 2017, o longa traz o título original de Dunkirk e não perde tempo com longos
discursos políticos ou enrolação. Ele te joga direto no meio do tiroteio e do
desespero daqueles rapazes que só queriam voltar para casa.
Quem está por trás da direção e do
elenco?
A mente brilhante no comando dessa engrenagem é ninguém menos que Christopher Nolan, o diretor conhecido por A Origem e pela trilogia do Cavaleiro
das Trevas. O cara é fissurado por brincar com o tempo e com a nossa
percepção, e aqui ele faz isso de forma genial, dividindo a narrativa em três
linhas temporais: uma semana no cais (na praia), um dia no mar (nos barcos de
resgate) e uma hora no ar (nos caças de combate).
Para dar vida a essa história, Nolan reuniu um elenco de peso que
mistura veteranos casca-grossa e jovens promessas. Temos rostos conhecidos como
Tom Hardy (que passa quase o filme todo de máscara
pilotando um caça Spitfire apenas com o olhar), Cillian Murphy
(ótimo no papel de um soldado traumatizado), Mark Rylance e Kenneth Branagh. Junto com eles, o jovem Fionn Whitehead carrega o protagonismo na praia,
dividindo os holofotes com participações surpreendentes, como a do cantor Harry Styles, que entregou uma atuação bem honesta e
visceral.
Onde o filme foi gravado e quais são
suas curiosidades?
Uma das coisas que mais respeito no trabalho do Nolan é a sua obsessão
pelo realismo. Em vez de entupir o filme com efeitos visuais digitais (o famoso
CGI), o diretor preferiu gravar nas locações reais onde
tudo aconteceu, nas praias de Dunquerque, na França. Isso dá uma textura e um
peso para as cenas que o computador simplesmente não consegue replicar.
Essa busca pela fidelidade histórica gerou algumas curiosidades
fascinantes de bastidores:
·
Navios e aviões reais: A produção usou
navios contratorpedeiros reais da época e caças Spitfire de verdade para as
batalhas aéreas. O barulho dos motores que você ouve é o som real daquelas
máquinas de guerra.
·
Ilusão de ótica: Para fazer a praia parecer lotada de
soldados sem usar computação, a equipe usou recortes de papelão em tamanho real
de soldados e veículos ao fundo das filmagens.
·
O tique-taque do relógio: A trilha sonora do
mestre Hans Zimmer é angustiante. Ela foi construída em cima do som de um
relógio de bolso do próprio Nolan, criando um ritmo constante de urgência que
faz parecer que o tempo está sempre acabando.
Vale a pena assistir Dunkirk hoje em
dia?
Sem a menor dúvida. Se você buscar a nota IMDb de Dunkirk,
vai ver que ele ostenta um sólido 7.8/10, o que é um
reflexo muito justo da sua qualidade técnica e narrativa.
A minha crítica sincera sobre a obra é que Dunkirk não é um filme de
guerra convencional. Não espere aquele clichê do herói americano invencível que
salva o dia sozinho com uma metralhadora na mão. O verdadeiro protagonista aqui
é o instinto de sobrevivência e o esforço coletivo. É um filme focado na tensão
pura, no barulho assustador dos bombardeiros mergulhando do céu e no silêncio
ensurdecedor do medo.
A mixagem de som e a fotografia são impecáveis. Cada tiro parece que vai
pegar na gente, e o desespero de ficar preso dentro de um navio afundando no
escuro é transmitido com uma força impressionante. É um cinema feito para
homens que apreciam engenharia militar, tática de bastidores, coragem sob
pressão extrema e, acima de tudo, o peso histórico de um evento que mudou os
rumos do mundo livre. Se você ainda não viu, separe uma noite, apague as luzes,
aumente o som e prepare-se para uma viagem intensa de duas horas.
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