Se
você curte aquele tipo de filme que te deixa tenso na cadeira, com o estômago
embrulhado de indignação, precisa parar duas horas da sua vida para assistir a O Preço da Verdade.
Eu assisti recentemente e confesso que fiquei pensando na história por dias.
Sabe aquele soco no estômago que te faz olhar para os lados e questionar o que
as grandes corporações colocam na nossa casa todos os dias? É exatamente essa a
pegada aqui.
Lançado no final de 2019 (chegando com
força aos cinemas em 2020), o longa traz o título original de Dark Waters e
carrega uma nota 7.6 no IMDb — o
que, convenhamos, para um drama corporativo, é uma pontuação de respeito que
faz jus à qualidade da produção.
Vou te contar como esse filme foi construído, os detalhes
dos bastidores e por que ele é um daqueles "tapa na cara" necessários
que todo mundo deveria ver.
Qual é a história por trás de O Preço da Verdade?
A trama acompanha Robert Bilott, um advogado de defesa
corporativa que costuma defender grandes indústrias químicas. A vida dele vira
de cabeça para baixo quando um fazendeiro da Virgínia Ocidental, vizinho da avó
de Robert, o procura afirmando que suas vacas estão morrendo de forma bizarra
por conta do lixo tóxico despejado por uma gigante da química: a DuPont.
O que começa como um favor de família se transforma em
uma batalha judicial obsessiva de quase vinte anos. Robert arrisca a carreira,
a saúde e o próprio casamento para expor uma contaminação global por compostos
conhecidos como PFAS (os famosos "químicos eternos", que nunca se
decompõem na natureza e estão presentes até no Teflon das nossas panelas). É um
embate clássico de Davi contra Golias, onde o preço para se manter firme e
buscar a justiça é cobrado em doses cavalares de estresse e isolamento.
Quem está no elenco e na direção do filme?
Para segurar uma barra pesada dessas, o diretor Todd Haynes —
conhecido por seu trabalho detalhista e sensível — escalou um time que entrega
atuações brutas, sem firulas.
O protagonista é vivido por Mark Ruffalo, que
deixa o uniforme do Hulk de lado para entregar uma performance contida, física
e tensa como o advogado Robert Bilott. O cara engordou, mudou a postura e passa
exatamente aquela imagem de um trabalhador obstinado, exausto, mas que não se
dobra.
Ao lado dele, temos Anne Hathaway
interpretando Sarah Bilott, a esposa que precisa segurar o rojão de uma casa
negligenciada pela obsessão do marido, e o veterano Tim Robbins como Tom
Terp, o chefe do escritório de advocacia que precisa decidir até onde vale a
pena ir contra o sistema para fazer a coisa certa.
Onde o filme O Preço da Verdade foi gravado?
Para trazer o máximo de realismo, a produção não quis
saber de estúdios fechados em Hollywood. As filmagens aconteceram
principalmente em Cincinnati, no estado de Ohio, e em
várias localidades reais da Virgínia Ocidental, incluindo a
região de Parkersburg, onde a contaminação real aconteceu.
Essa escolha de locação faz toda a
diferença. O filme tem uma paleta de cores fria, meio acinzentada e lavada, que
transmite visualmente a poluição e o clima pesado daquelas cidades industriais
americanas. Você praticamente consegue sentir o ar pesado e o cheiro de
ferrugem e produtos químicos só de olhar para a tela.
Quais são as principais curiosidades dos bastidores?
Uma das coisas que mais me impressionou quando fui
pesquisar sobre os bastidores são os detalhes reais que o diretor trouxe para a
tela. Separou três fatos que achei animais:
·
Figurantes
reais: Várias das pessoas que aparecem
como figurantes no filme, incluindo os moradores afetados e os cientistas do
comitê de saúde, foram as pessoas reais que viveram o drama na vida real.
·
O
verdadeiro casal: O verdadeiro Robert
Bilott e sua esposa Sarah fazem uma pontinha discreta em uma cena de jantar no
filme.
·
A
obsessão de Ruffalo: Mark Ruffalo não é
apenas o protagonista; ele foi o grande motor por trás do projeto após ler o
artigo do New York Times que expôs o caso.
Ativista ambiental ferrenho na vida real, ele comprou os direitos e brigou para
o filme ser feito.
Vale a pena assistir O Preço da Verdade?
A minha crítica sincera: vale cada minuto. Não espere um
filme de ação com explosões ou perseguições de carro. O ritmo aqui é o do
cansaço, da investigação, de ler milhares de caixas cheias de papéis em salas
escuras. Mas o suspense é construído de um jeito tão competente que você fica
preso, torcendo por cada pequena vitória jurídica.
O longa acerta em cheio ao não transformar o advogado em
um herói infalível de cinema. Ele é um homem comum, cheio de falhas, que quase
perde a vida por não conseguir dar as costas a uma injustiça escancarada. É um
sinto de utilidade pública em forma de cinema, que te faz pensar sobre a água
que você bebe e as escolhas das grandes empresas que governam o mundo moderno.
Se você respeita uma história de persistência, coragem e
busca pela verdade contra forças muito maiores, faça um favor a si mesmo e
assista. Está disponível em várias plataformas de streaming e é garantia de uma
noite de cinema inteligente.
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