Se
você curte aquele tipo de suspense psicológico que te deixa colado no sofá, com
espionagem militar, dilemas morais pesados e reviravoltas que mexem com a
cabeça, precisa conhecer A Grande Mentira (The Debt). Lembro
perfeitamente da primeira vez que assisti: o filme te puxa para dentro de um
jogo de mentiras tão bem amarrado que você se pega questionando o que faria no
lugar daqueles agentes.
Não estamos falando de um filme de ação genérico com
explosões a cada cinco minutos, mas sim de um thriller de espionagem raiz,
focado na tensão e nas consequências de nossas escolhas. Vamos trocar uma ideia
sobre essa baita produção que, mesmo anos após o lançamento, ainda dá um nó na
mente de muita gente.
Qual é a história por trás de A Grande Mentira?
Lançado oficialmente em 2010 (chegando aos
cinemas de vários países em 2011), o longa é um remake de um filme israelense
de 2007 chamado Ha-Chov. A trama se
divide em duas linhas temporais muito bem construídas: a Berlim Oriental de
1965 e o ano de 1997.
A história acompanha três jovens agentes do Mossad — o
serviço secreto israelense — em uma missão secreta e perigosíssima: capturar um
criminoso de guerra nazista conhecido como o "Cirurgião de Birkenau",
que está escondido trabalhando como ginecologista na Alemanha Oriental. Eles
precisam sequestrar o sujeito e levá-lo a julgamento público. Porém, a missão
não sai exatamente como o planejado, e o segredo que esses agentes carregam por
trinta anos cobra um preço alto demais na velhice.
Quem está no elenco e na direção deste thriller?
O comando do filme ficou nas mãos do diretor John Madden (o mesmo
de Shakespeare Apaixonado),
que aqui calibrou muito bem o ritmo da espionagem e o drama psicológico. Mas o
grande trunfo da obra está na escolha do elenco duplo, já que precisavam de
atores talentosos para viver os mesmos personagens na juventude e na terceira
idade.
O trio principal de agentes é vivido por pesos-pesados do
cinema. A protagonista Rachel Singer é interpretada pela espetacular Jessica Chastain na
juventude e pela lendária Helen Mirren na fase adulta. O
agente Stefan Gold ganha vida através de Marton Csokas e Tom Wilkinson,
enquanto David Peretz é interpretado por Sam Worthington (no
auge da forma pós-Avatar) e Ciarán Hinds. Para
fechar com chave de ouro, o vilão, Dr. Vogel, é interpretado pelo ator
dinamarquês Jesper Christensen,
que entrega uma atuação fria de dar arrepios.
Onde o filme foi gravado e quais são suas curiosidades?
Para dar aquela atmosfera cinzenta, fria e claustrofóbica
da Europa Central durante a Guerra Fria, a equipe de produção viajou bastante.
As locações principais incluíram Budapeste, na Hungria (que serviu
perfeitamente como dublê da Berlim Oriental dos anos 60), o Reino Unido e Tel
Aviv, em Israel. Essa ambientação urbana e industrial ajuda a sufocar o espectador
junto com os personagens, que vivem trancados em um apartamento decrépito
vigiando o alvo.
Nos bastidores, existem algumas curiosidades bem legais
sobre a produção:
·
Treinamento
de elite: Jessica Chastain levou o papel
muito a sério. Ela estudou a fundo o funcionamento do Mossad, leu sobre o
Holocausto e ainda fez aulas intensivas de Krav Maga (a arte
marcial israelense) para parecer natural nas cenas de combate corpo a corpo.
·
Espelhos
de atuação: Como Mirren e Chastain
dividiam a mesma personagem, as duas passaram semanas convivendo, estudando os
trejeitos uma da outra e até praticando o mesmo sotaque para que a transição de
idade ficasse impecável na tela.
·
Adiamento
estratégico: O filme estava pronto para
sair em 2010, mas a distribuidora original (Miramax) passou por uma
reestruturação financeira pesada, o que jogou a estreia em massa para meados de
2011.
Qual é a nota IMDb e o veredito crítico da obra?
No IMDb, o filme ostenta uma nota 6.8/10. É uma
avaliação sólida, mas, sendo bem sincero, acho que ele merecia um pouco mais. A
crítica especializada elogiou muito a inteligência do roteiro e a dualidade da
narrativa. No agregador Rotten Tomatoes, por exemplo, ele mantém uma aprovação
bastante respeitável dos críticos.
O que me impressiona nesse filme é como ele aborda a
masculinidade e o heroísmo de forma realista. David (Sam Worthington) e Stefan
(Marton Csokas) personificam duas reações humanas muito distintas diante do
dever e da culpa. Enquanto um é consumido pelo remorso de sustentar uma farsa,
o outro foca no pragmatismo e no impacto que a "verdade oficial" tem
para o orgulho e a história de uma nação. É um filme sobre honra, sobre o peso
de carregar um esqueleto no armário e sobre como as mentiras que contamos para
proteger quem amamos podem, eventualmente, nos destruir por dentro.
Se você curte uma boa história de espionagem focada em
personagens complexos, com uma pegada firme e sem enrolação, A Grande Mentira é uma
escolha certeira para o seu próximo fim de semana. É o tipo de filme que
termina e você ainda fica uns bons minutos processando o desfecho.
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