Presságios de Um Crime (Solace)

 

Se você curte aquele tipo de suspense psicológico que te prende na cadeira e te faz fritar os neurônios tentando adivinhar o próximo passo do assassino, senta aí que hoje vamos conversar sobre um filme que, na minha opinião, merecia muito mais barulho do que teve quando saiu. Estou falando de Presságios de Um Crime.

Sabe aquele domingo à noite em que você só quer abrir uma cerveja gelada e ver um bom thriller policial com uma pegada de gato e rato? Pois é, esse filme encaixa perfeitamente nesse clima. Eu assisti sem grandes expectativas e acabei me surpreendendo com a dinâmica pesada e inteligente da história.

O que acontece na história de Presságios de Um Crime?

A trama acompanha dois agentes do FBI, Joe Merriwether e Katherine Cowles, que estão completamente perdidos caçando um serial killer meticuloso. O cara simplesmente não deixa rastros. Desesperado, Joe decide chamar um velho amigo, o médico aposentado John Clancy. O detalhe? Clancy vive isolado desde a morte da filha e tem poderes psíquicos — ele consegue prever o futuro e ver o passado das pessoas com um simples toque.

O filme se transforma em um tabuleiro de xadrez mental quando Clancy percebe que o assassino que eles estão caçando também tem o mesmo dom, só que é ainda mais poderoso. Lançado originalmente com o título Solace, o longa estreou nos cinemas no ano de 2015. Se puxarmos a nota IMDb, ele sustenta um 6.4/10 — o que, sendo bem honesto, acho um pouco injusto. Ele entrega bem mais do que a nota sugere, principalmente pelo peso do elenco.

A direção ficou por conta do brasileiro Afonso Poyart (que mandou muito bem na estética visual, trazendo cortes rápidos e uma câmera ágil), e as filmagens roparam principalmente em Atlanta, na Geórgia (EUA), que deu aquele clima urbano, cinzento e meio claustrofóbico que um bom filme policial pede.

Quem faz parte do elenco de Presságios de Um Crime?

O grande trunfo aqui é o elenco de peso. O mestre Anthony Hopkins interpreta o John Clancy com aquela serenidade enigmática que só ele sabe dar a um personagem. Do outro lado, o Jeffrey Dean Morgan (o eterno Negan de The Walking Dead) faz o agente durão do FBI, Joe, e a Abbie Cornish interpreta a psicóloga cética que equilibra o time.

Mas a cereja do bolo aparece mais para a metade final: Colin Farrell vive o grande antagonista. A dinâmica e os diálogos filosóficos entre o personagem do Hopkins e o do Farrell são os pontos altos da produção. É um embate direto entre dois caras que enxergam o mundo à frente de todo mundo.

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores?

Uma das coisas mais bizarras que descobri depois de assistir é que Solace foi originalmente planejado para ser uma sequência de Se7en: Os Sete Crimes Capitais! A ideia da New Line Cinema era reescrever o roteiro para que o detetive William Somerset (personagem de Morgan Freeman em Se7en) tivesse desenvolvido poderes psíquicos. Felizmente (ou infelizmente), a ideia foi descartada e o roteiro virou um filme solo.

Outro fato curioso é a direção de Afonso Poyart. Ele chamou a atenção de Hollywood após o sucesso do filme nacional 2 Coelhos (2012). Conduzir monstros como Anthony Hopkins e Colin Farrell logo em sua estreia em língua inglesa foi um salto gigante, e ele conseguiu colocar sua assinatura visual com efeitos de transição muito interessantes para mostrar as premonições.

Vale a pena assistir? Confira a minha crítica sincera

Direto ao ponto: vale muito a pena. O filme não é perfeito, mas acerta em cheio no clima de suspense. O roteiro mexe com uma questão moral bem pesada que te faz pensar: se você soubesse que alguém vai sofrer uma morte horrível daqui a alguns meses, seria misericórdia tirar a vida dessa pessoa agora, sem dor? É esse o dilema que guia o assassino e bate de frente com a ética de Clancy.

A atmosfera é crua, o ritmo não te deixa dispersar e a atuação do Anthony Hopkins, como sempre, justifica o ingresso. Não espere um filme de ação desenfreada com explosões a cada esquina; o foco aqui é a tensão psicológica, o mistério e a caçada intelectual. Se você curte o gênero, pode dar o play sem medo que é diversão garantida para o seu fim de semana.

Se você já assistiu ou ficou curioso para ver como esse embate se resolve, deixa nos comentários o que achou da premissa. Nos vemos na próxima indicação de filme!

 

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