Se
você curte cinema de verdade, daquele que te prende na cadeira e te faz pensar
por dias, com certeza já esbarrou em Rain Man. Esse é um
daqueles clássicos incontestáveis que todo homem deveria assistir pelo menos
uma vez na vida. Lembro perfeitamente da primeira vez que parei para ver: a
dinâmica entre dois irmãos tão diferentes me pegou de um jeito que poucos
filmes conseguiram até hoje.
Vem comigo que vou te contar por que essa obra-prima de
1988 continua tão atual e relevante.
Do que fala o filme Rain Man?
O título original é exatamente o mesmo, Rain Man, e a
história gira em torno de Charlie Babbitt, um jovem ambicioso, meio arrogante e
que trabalha no mercado de carros de luxo. Ele está afundado em dívidas quando
recebe a notícia de que seu pai, com quem não falava há anos, faleceu. Pensando
que ia herdar uma fortuna para resolver a sua vida, Charlie toma um balde de
água fria: o velho deixou quase todo o dinheiro (3 milhões de dólares) para um
beneficiário misterioso em uma instituição de cuidado mental.
É aí que ele descobre a existência de Raymond, seu irmão
mais velho que ele nem sabia que existia. Raymond é um autista sábio — ele tem
uma memória fotográfica surreal e uma habilidade de cálculo instantâneo
impressionante, mas vive totalmente isolado em sua própria rotina rígida.
Revoltado com a herança, Charlie praticamente sequestra o irmão da instituição,
e os dois partem em uma viagem de carro (uma road trip clássica)
de Cincinnati até Los Angeles. O que começa como um plano ganancioso para
conseguir o dinheiro acaba virando uma jornada brutal de autodescoberta e
conexão familiar.
Quem está no elenco e na direção desse clássico?
Para dar vida a uma história densa dessas, o peso da
direção ficou nas mãos de Barry Levinson, que foi cirúrgico
ao equilibrar o drama pesado com momentos de humor sutil e natural. Mas o show
é comandado mesmo pela dupla de protagonistas.
No elenco principal, temos Tom Cruise no auge
da sua forma física e charme dos anos 80, entregando um Charlie Babbitt que
começa detestável, mas que vai quebrando suas barreiras ao longo do caminho. E,
claro, a atuação da vida de Dustin Hoffman como Raymond. O cara
não levou o Oscar de Melhor Ator à toa; a composição do personagem, desde o
olhar até o jeito de andar e falar, é simplesmente genial. A química entre os
dois é o motor que faz o filme rodar perfeitamente.
Onde Rain Man foi gravado e quais as principais locações?
Uma das coisas mais legais de um road movie é como o
cenário ajuda a contar a história. A viagem de Charlie e Raymond cruza os
Estados Unidos profunda, e as locações reais dão um tom de autenticidade
absurdo para a trama.
A jornada começa em Cincinnati, Ohio,
passando pela famosa ponte suspensa John A. Roebling. Como o personagem do
Raymond se recusa a voar de avião por medo de acidentes, eles cruzam o país por
terra, passando por motéis de beira de estrada na Indiana e em Oklahoma. Mas o
ponto alto visual do filme acontece quando eles chegam a Las Vegas, Nevada. O
cenário dos cassinos reluzentes do Caesars Palace serve
como o palco perfeito para uma das cenas mais icônicas do cinema, onde as
habilidades de Raymond são colocadas à prova no jogo de blackjack.
Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?
Grandes filmes sempre rendem histórias fantásticas por
trás das câmeras, e com este não foi diferente. Separada por anos de
bastidores, a produção esconde alguns fatos bem curiosos:
·
O
verdadeiro Rain Man: O personagem de
Raymond foi inspirado em uma pessoa real chamada Kim Peek. Ele não era autista,
mas tinha a "Síndrome de Savant". Kim conseguia ler duas páginas de
um livro ao mesmo tempo (uma com cada olho) e memorizava cerca de 98% de tudo o
que lia.
·
Falta
de fé no projeto: Tanto Tom Cruise
quanto Dustin Hoffman confessaram, durante as gravações, que achavam que o
filme seria um fracasso total. Hoffman chegou a pedir para o diretor
substituí-lo porque achava sua própria atuação péssima. Mal sabia ele.
·
Nota
IMDb de respeito: O público e a crítica
consagraram a obra. Hoje, o filme ostenta uma nota 8.0 no IMDb, o
que o coloca firmemente no grupo dos filmes mais respeitados da história de
Hollywood.
Vale a pena assistir a esse filme hoje em dia?
Sem rodeios: vale cada minuto. Minha crítica sobre o
filme é extremamente positiva porque ele foge do melodrama barato. Podia ser um
filme puramente sentimentalista, mas a abordagem é pé no chão. É a história de
um homem egoísta aprendendo a respeitar o tempo, as limitações e a genialidade
de outro ser humano.
A transformação de Charlie é genuína. Ele não vira um
santo da noite para o dia, mas aprende o significado de lealdade e proteção.
Visualmente, a fotografia envelheceu como um bom vinho, e a trilha sonora de
Hans Zimmer (sim, um dos primeiros grandes trabalhos dele!) dita o ritmo da
viagem de forma fantástica. Se você quer um filme com substância, atuações
brutais e uma história que realmente mexe com o caráter de um homem, dê o play
em Rain Man. É cinema
de primeira categoria.
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