Questão de Tempo (About Time)

 

Se você é do tipo que torce o nariz para comédias românticas por achar que são todas iguais, senta aí que precisamos conversar. Eu já estive desse lado. Mas existe um filme que quebra esse padrão com maestria e entrega uma das lições mais maduras do cinema sobre o que realmente importa na vida. Estou falando de Questão de Tempo.

Lançado nos cinemas, esse longa vai muito além do clássico "garoto conhece garota". Ele usa a viagem no tempo como um pretexto genial para falar sobre família, escolhas e a finitude das coisas. Vamos mergulhar nessa história e entender por que ela mexe tanto com a gente.

Qual é a história por trás de Questão de Tempo?

O enredo gira em torno de Tim Lake, interpretado pelo excelente Domhnall Gleeson. Aos 21 anos, o pai dele revela um segredo de família insólito: todos os homens da linhagem conseguem viajar no tempo. Não para o futuro ou para alterar as grandes guerras da humanidade, mas apenas para o passado, dentro da própria linha de vida. A regra é simples: basta entrar em um armário escuro, fechar os punhos e mentalizar o momento para onde quer voltar.

O filme estreou originalmente em 2013 sob o título de About Time. Dirigido e roteirizado por Richard Curtis — o cara por trás de gigantes como Simplesmente Amor e Um Lugar Chamado Notting Hill —, o longa sabe exatamente como equilibrar o humor britânico com momentos de arrancar lágrimas. Atualmente, ostenta uma respeitável nota 7.8 no IMDb, o que mostra o quanto ele continua relevante e querido pelo público internacional.

O elenco ainda traz Rachel McAdams como Mary, o par romântico de Tim, mantendo seu posto de rainha dos dramas temporais (já que ela também esteve em Te Amarei Para Sempre e Meia-Noite em Paris). Mas quem rouba a cena mesmo é o veterano Bill Nighy, que vive o pai de Tim. A química entre os dois constrói o verdadeiro coração do filme, que é a relação de cumplicidade entre pai e filho.

Onde o filme Questão de Tempo foi gravado?

A ambientação é um dos pontos mais charmosos da produção. A história se divide em dois cenários principais do Reino Unido. A primeira parte se passa na Cornualha (Cornwall), uma região costeira deslumbrante no sudoeste da Inglaterra. A casa da família Lake fica bem de frente para o mar, transmitindo aquela sensação de isolamento pacífico e nostalgia que dita o tom da juventude de Tim.

A segunda metade nos joga para a agitação de Londres, onde Tim vai trabalhar como advogado. Locais icônicos como o metrô de Londres (especialmente a estação de Maida Vale) servem de pano de fundo para o desenrolar do romance. O contraste entre os penhascos bucólicos da Cornualha e o ritmo urbano de Londres funciona como uma metáfora perfeita para o amadurecimento do protagonista, que precisa deixar o ninho para construir a própria vida.

Quais são as melhores curiosidades sobre Questão de Tempo?

O processo de bastidores desse filme tem alguns detalhes que tornam a experiência de assistir ainda mais rica. Separei os fatos mais interessantes para você:

·         Quase tivemos outra Mary: Zooey Deschanel era a primeira opção para interpretar a protagonista feminina, mas teve que recusar o papel devido a conflitos de agenda com as gravações da série New Girl. Rachel McAdams assumiu e o resultado ficou perfeito.

·         A despedida de Richard Curtis: O diretor declarou na época que Questão de Tempo seria o seu último filme na direção de um longa-metagem. Ele decidiu se aposentar da cadeira de diretor para focar apenas em roteiros e causas humanitárias.

·         O jantar no escuro existe: A cena do primeiro encontro de Tim e Mary acontece em um restaurante totalmente às escuras, onde os clientes não se veem. Esse lugar é real e se chama Dans le Noir, localizado em Clerkenwell, Londres.

·         O sumiço das regras rígidas: Richard Curtis não estava muito preocupado em criar regras científicas complexas ou evitar paradoxos temporais que fritam a cabeça, como em De Volta para o Futuro. O foco aqui é estritamente emocional.

Vale a pena assistir Questão de Tempo hoje em dia?

Sem rodeios: vale cada minuto. A minha crítica sobre a obra é que ela é um teste de sensibilidade mascarado de ficção científica leve. No começo, você acha que vai assistir a um cara usando superpoderes para conseguir uma namorada e corrigir pequenos erros sociais, como piadas ruins em festas. Isso rende momentos engraçados e leves.

Onde o filme realmente se consagra é na sua segunda metade. Quando o roteiro vira a chave e foca nas consequências inevitáveis da vida — a perda, o envelhecimento, as responsabilidades da paternidade e a aceitação de que nem tudo pode (ou deve) ser consertado. Tim descobre que mesmo podendo voltar no tempo, ele não pode salvar as pessoas de acidentes da vida sem alterar coisas preciosas que ele já conquistou.

O grande soco no estômago (no bom sentido) é a lição final sobre viver o presente. O verdadeiro poder não está em voltar para consertar o ontem, mas em aprender a viver cada dia como se fosse o único, aproveitando os pequenos momentos tensos ou mundanos do cotidiano com bom humor. É um filme que faz o homem moderno parar, olhar para o próprio pai, para os próprios filhos ou parceira, e valorizar o agora. É cinema de altíssimo nível, disfarçado de romance despretensioso.

 

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