Rômulo e Remo: O Primeiro Rei (Il Primo Re)

 

Se você curte histórias de sobrevivência raiz, daquelas com muita lama, sangue e drama visceral, senta aí que hoje vamos falar de um filmaço que talvez tenha passado batido pelo seu radar. Estou falando de Rômulo e Remo: O Primeiro Rei (título original: Il Primo Re), um épico histórico italiano lançado em 2019 que reconta o mito de fundação de Roma de um jeito que você nunca viu em nenhum livro de escola.

Quando decidi assistir a essa obra dirigida por Matteo Rovere, eu esperava aqueles clichês de Hollywood com heróis de capa limpa e discursos motivacionais. O que encontrei foi o oposto: um soco no estômago realista sobre dois irmãos tentando sobreviver à fúria da natureza e dos homens. Com uma nota de 6.5 no IMDb, o filme entrega muito mais na atmosfera e na brutalidade do que a média dos blockbusters por aí.

O que acontece na história de Rômulo e Remo: O Primeiro Rei?

A trama nos joga direto no ano 753 a.C. Rômulo (Alessio Lapice) e Remo (Alessandro Borghi) são dois irmãos pastores que veem sua vida virar de cabeça para baixo quando uma inundação devastadora do Rio Tibre destrói tudo o que eles têm. Eles acabam capturados como escravos pelos guerreiros de Alba Longa, uma tribo poderosa da região.

A partir daí, meu amigo, é pura adrenalina. Os dois conseguem liderar uma revolta sangrenta, libertam outros prisioneiros e fogem para as florestas densas. O miolo do filme foca na jornada desse grupo tentando encontrar uma terra segura. Enquanto Rômulo fica gravemente ferido, Remo assume a liderança com punho de ferro, começando a se ver como um verdadeiro deus na Terra. É aí que a relação dos irmãos começa a rachar, misturando misticismo, ambição e aquele velho conflito de sangue.

Onde foi gravado o filme Il Primo Re?

Se tem uma coisa que me impressionou visualmente foi o cenário. Esqueça cenários de estúdio com fundo verde artificial. O diretor Matteo Rovere levou a equipe para gravar tudo no Lácio, a região histórica da Itália Central, usando locações reais como as florestas de Manziana e áreas preservadas perto de Roma.

Toda a iluminação do filme foi feita com luz natural — ou seja, luz do sol durante o dia e tochas ou fogueiras nas cenas noturnas. Isso dá um tom cru, escuro e claustrofóbico. Você quase consegue sentir o cheiro da fumaça e a umidade da lama onde os personagens se rastejam o tempo todo. É o tipo de escolha técnica que imerge o espectador de um jeito brutal.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?

O que torna esse filme uma verdadeira excentricidade (no bom sentido) são os detalhes de produção. Separei os três pontos que achei mais fantásticos:

·         Idioma arcaico: O filme inteiro é falado em latim arcaico, uma reconstrução feita por linguistas da Universidade Sapienza de Roma. Ouvir os atores falando aquela língua gutural e primitiva dá uma sensação absurda de realismo.

·         Preparação física extrema: O elenco passou por meses de treinamento pesado de combate com espadas de ferro e escudos pesados da Idade do Bronze, além de aprenderem a correr descalços pela floresta.

·         Sem dublês fáceis: Alessandro Borghi e Alessio Lapice colocaram o corpo para jogo nas cenas de luta e na lama, o que transparece na exaustão real dos personagens na tela.

Vale a pena assistir a essa versão do mito de Roma?

Na minha opinião sincera? Vale cada minuto se você tiver estômago para uma narrativa lenta, porém intensa. A minha crítica sobre a obra é que o filme funciona quase como um teste de resistência física e psicológica. Não é um filme de ação leve para assistir comendo pipoca sem prestar atenção. É cinema de autor focado em lealdade, testosterona ancestral e os limites do que um homem faz para proteger o seu irmão ou para alcançar o poder.

O grande trunfo aqui é o contraste entre os irmãos: Rômulo representa a fé nos deuses e a ordem, enquanto Remo canaliza a força bruta, o niilismo e o puro instinto de dominação. O desfecho trágico, que todo mundo que conhece a história já imagina, ganha um peso gigante por conta da química monstruosa entre os dois atores principais. Se você quer ver homens de verdade enfrentando dilemas primitivos em um mundo onde a força ditava as regras, faça um favor a si mesmo e assista a Il Primo Re.

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