Se
você passou os anos 2000 curtindo a explosão do cinema de ação focado em
justiceiros urbanos, com certeza tem um lugar guardado no peito para os irmãos
MacManus. O primeiro filme se tornou um clássico cult absoluto, o que
transformou a sequência em um dos retornos mais aguardados pela galera que
curte um bom tiroteio estilizado. Hoje, vou te levar de volta a esse universo
caótico para analisar Santos Justiceiros 2 (The Boondock Saints II: All
Saints Day). Vamos entender como essa continuação manteve o espírito
do original e onde ela pisou no acelerador.
Do que se trata a história de Santos Justiceiros 2?
O filme nos joga exatamente no ponto onde os rapazes
tentaram encontrar um pouco de paz. Após os eventos sangrentos do primeiro
longa, os irmãos Connor e Murphy MacManus estão escondidos nos vales tranquilos
da Irlanda, vivendo uma rotina pacata de fazenda ao lado do pai.
A calmaria acaba quando eles recebem a notícia de que um
padre católico foi assassinado em Boston, a antiga base de operações deles. O
pior de tudo: o assassino copiou o modus operandi dos
rapazes, deixando claro que alguém na cidade quer trazê-los de volta para o
jogo da forma mais brutal possível. Movidos pelo sangue e pela honra, os irmãos
raspam o cabelo, pegam os casacos clássicos e cruzam o oceano para limpar seus
nomes e terminar o trabalho. Dessa vez, eles contam com a ajuda de um novo
parceiro, o impetuoso Romeo, e precisam escapar da mira da excêntrica agente do
FBI, Eunice Bloom.
Quem está por trás da produção e do elenco?
Lançado nos cinemas no ano de 2009, o longa trouxe
de volta a mente criativa por trás do universo original. O roteiro e a direção
ficaram novamente sob o comando de Troy Duffy, que fez
questão de resgatar a mesma assinatura visual que consagrou a franquia: câmera
lenta nos tiroteios, diálogos rápidos e cortes dinâmicos.
No elenco principal, temos o retorno da dupla de
protagonistas com uma química que poucas franquias conseguem repetir:
·
Sean
Patrick Flanery como Connor MacManus
·
Norman
Reedus (que anos mais tarde explodiria
mundialmente em The Walking Dead) como Murphy
MacManus
·
Billy
Connolly reprisando o papel do
implacável patriarca Noah "Il Duce" MacManus
Entre as novidades, Clifton Collins Jr.
entra como o carismático coadjuvante Romeo, e Julie Benz assume a
pesada responsabilidade de viver a agente Eunice Bloom, uma espécie de pupila
do icônico agente Paul Smecker (vivido por Willem Dafoe no primeiro filme, e
que faz uma participação rápida e memorável aqui). A produção manteve suas
locações divididas entre a histórica cidade de Boston, onde a trama
principal se passa, e a região de Ontário, no Canadá, que
serviu de base para boa parte das filmagens de estúdio. No agregador de
críticas IMDb, o filme
ostenta uma nota 6.1, refletindo bem a recepção do
público que buscava uma diversão descompromissada e fiel ao estilo original.
Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?
Produzir essa sequência foi um verdadeiro teste de
paciência para o diretor e para os fãs. O intervalo entre o primeiro filme
(1999) e este segundo foi de exatamente dez anos. Esse hiato gigantesco
aconteceu devido a brigas intensas por direitos autorais, problemas de
financiamento e polêmicas de bastidores envolvendo Troy Duffy, que chegou a ser
o foco de um documentário inteirinho sobre suas dificuldades na indústria.
Outro detalhe bem legal para quem repara nos pormenores
visuais: as famosas tatuagens dos irmãos mudaram. No primeiro filme, eles
tinham apenas as palavras "Veritas" (Verdade) e "Aequitas"
(Justiça) escritas nas mãos. Em Santos Justiceiros 2, o visual dos
caras ganhou um upgrade considerável, exibindo grandes tatuagens com imagens de
Cristo nas costas, simbolizando o peso do caminho de vigilantes que eles
escolheram trilhar na década anterior.
Vale a pena assistir a essa sequência?
Se você der o play esperando um drama profundo com
grandes questionamentos existenciais, vai quebrar a cara. E tudo bem, porque o
filme nunca se propôs a isso. Minha análise crítica sobre a obra é que ela
funciona como um excelente veículo de entretenimento nostálgico. O filme abraça
o estilo exagerado e as piadas ácidas, entregando exatamente o tipo de ação
direta, testosterona e dinamismo que o fã do primeiro longa queria ver.
O ponto forte continua sendo o carisma inabalável de Sean
Patrick Flanery e Norman Reedus. Eles comandam a tela com uma facilidade
tremenda. A ação é estilizada, violenta e coreografada daquele jeito quase
teatral que marcou o cinema do início dos anos 2000. Embora Julie Benz sofra um
pouco para emular a genialidade excêntrica que Willem Dafoe entregou no
passado, o ritmo do filme não deixa o espectador dormir. É o tipo de cinema
feito para relaxar no fim de semana, abrir uma boa cerveja e curtir uma boa e
velha história de justiça feita com as próprias mãos.
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