Roma

 

Roma

Sabe aquele tipo de filme que te pega de surpresa, não pelos efeitos visuais ou explosões, mas pela força bruta da realidade? Pois é. Lembro perfeitamente de quando decidi assistir a essa obra. Eu esperava um drama comum, mas o que encontrei foi um soco no estômago em preto e branco. Estamos falando de um verdadeiro marco do cinema moderno, uma produção que quebrou barreiras no streaming e levou o cinema mexicano ao topo do mundo. Se você curte histórias viscerais, daquelas que mostram a vida como ela é, sem filtros ou firulas, precisa entender o fenômeno por trás desse título.

Qual é a verdadeira história por trás do título original e lançamento?

O título original é exatamente o mesmo que conhecemos: Roma. Mas não se engane, a trama não tem nada a ver com a Itália. Lançado no ano de 2018, o longa é uma viagem no tempo direto para o início dos anos 70.

A história acompanha o cotidiano de Cleo, uma jovem de origem indígena que trabalha como empregada doméstica para uma família de classe média alta. O pano de fundo é o turbulento cenário político e social do México daquela época. É um filme que exige paciência no começo, mas que te recompensa com uma imersão brutal na rotina, nos silêncios e nas pequenas tragédias da vida cotidiana. No agregador de críticas mais famoso da internet, a nota IMDb é 7.7, uma excelente avaliação para um filme de nicho e puramente artístico.

Quem está no comando da direção e do elenco?

Quem assina a obra é o aclamado diretor Alfonso Cuarón, que você provavelmente já conhece por trabalhos gigantescos como Filhos da Esperança e Gravidade. Aqui, Cuarón resolveu fazer o projeto mais pessoal de sua vida: ele escreveu, dirigiu, fotografou e editou o filme. Era a história da infância dele, uma homenagem à mulher que o criou.

Para o elenco, o diretor tomou uma decisão ousada e certeira. Em vez de astros de Hollywood, ele escalou rostos reais. A protagonista é vivida por Yalitza Aparicio (Cleo), uma professora de escola primária que nunca tinha atuado na vida e acabou indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Ao lado dela, Marina de Tavira entrega uma atuação monstruosa como a mãe da família, equilibrando a dor do abandono do marido com a necessidade de manter a postura diante dos filhos.

Onde o filme foi gravado e qual a importância da locação?

A locação principal do filme é a própria Colônia Roma, um bairro de classe média em pleno coração da Cidade do México. Cuarón fez questão de reconstruir os cenários exatamente como eram as ruas da sua infância em 1970 e 1971.

Essa escolha geográfica não é mero capricho. O bairro Roma funciona quase como um personagem vivo. Ele mostra o contraste escancarado entre a calmaria das casas burguesas e o caos das ruas, que fervem com protestos estudantis e desigualdade social. A forma como a câmera se move pelos cômodos da casa e avança pelas avenidas faz a gente se sentir caminhando por aquele asfalto antigo, respirando a poeira e o barulho da cidade.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores da produção?

Os bastidores desse longa são repletos de fatos impressionantes que mostram a obsessão do diretor pelos detalhes. Separei os três pontos que mais me chamaram a atenção:

·         Sem roteiro para os atores: Cuarón não entregou o roteiro completo para ninguém do elenco. Eles descobriam o que ia acontecer no dia da gravação, muitas vezes recebendo instruções contraditórias para gerar reações e tensões reais em cena.

·         Móveis originais: O diretor vasculhou o México atrás dos móveis originais da casa de sua própria família para mobiliar o set de filmagens. Até os quadros nas paredes eram os mesmos.

·         O massacre real: A cena do protesto estudantil recria fielmente o "Massacre de Corpus Christi" de 1971, onde forças paramilitares mataram dezenas de estudantes. A sequência foi gravada exatamente no mesmo local histórico onde o horror real aconteceu.

O que a crítica achou e qual é o veredito final sobre o filme?

Olhando de forma direta, a minha crítica sobre a obra é que ela é uma obra-prima técnica com uma carga emocional avassaladora. Cuarón optou por não usar trilha sonora convencional; os únicos sons que ouvimos são os da própria ambientação — o cachorro latindo, os carros passando, a água lavando o pátio. Isso traz uma sensação de realismo absurda.

O filme não tem medo de mostrar a fragilidade dos homens da história, que fogem de suas responsabilidades, deixando o peso do mundo nas costas das mulheres. A cena do oceano, perto do final, é um dos momentos mais tensos e visualmente perfeitos que já vi no cinema recente. É um filme feito para homens e mulheres que apreciam a resiliência humana. Não é um entretenimento leve para o domingo à noite, mas sim uma experiência cinematográfica profunda que te faz refletir sobre lealdade, sobrevivência e as marcas do passado muito tempo depois que os créditos sobem.

 

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