Eternos (Eternals)

 


Fui vencido pelo cansaço e pela imagem da Angelina Jolie na capa do aplicativo. Peguei o controle remoto, que às vezes parece a única arma que nos resta para encarar o caos do dia a dia, e apertei o play. Depois de algumas cervejas a mais, cheguei àquele ponto em que o filtro cai e a vontade de comentar a vida e o mundo fala mais alto. Afinal, as plataformas de streaming vendem essa ilusão de consumo fácil e sem fim, tratando a gente só como número de audiência. Mas nessa noite resolvi assistir de verdade. Foi assim que encarei Eternals (lançado no Brasil como Eternos), um projeto gigante lançado em 2021 que tenta misturar a fórmula batida de heróis com algo mais reflexivo. Para ser sincero com você: se a ideia for assistir sóbrio e esperando a correria habitual dos heróis, a experiência pode ser arrastada. Agora, se você encarar a viagem sob essa perspectiva quase psicodélica de quem tomou uns drinks ou fumou uma erva da boa, o visual ganha outra dimensão e o filme até passa.

O que torna a ficha técnica de Eternals tão fora da curva?

A direção ficou nas mãos da Chloé Zhao, que tinha acabado de ganhar o Oscar por um filme totalmente oposto, mega íntimo e humano (Nomadland). Ela tentou trazer essa pegada mais poética para dentro da engrenagem gigante da Marvel. O elenco é pesado e chama atenção de cara: além da Angelina Jolie como a guerreira Thena, temos Salma Hayek, Gemma Chan, Richard Madden, Kumail Nanjiani e Kit Harington. 

Diferente do festival de tela verde de costume, a diretora exigiu filmar em locações reais gigantescas. Grande parte das cenas foi gravada nas Ilhas Canárias, em Fuerteventura e Lanzarote, além de paisagens no Reino Unido. Isso dá uma textura visual impressionante. A trilha sonora do Ramin Djawadi cumpre bem o papel, mas o destaque fica para o uso certeiro de faixas clássicas do rock, como "Time" do Pink Floyd, que casam perfeitamente com esse clima de passagem do tempo. 

No IMDB, a nota se arrasta na casa dos 6.3, o que reflete bastante a divisão de opiniões. O filme não levou grandes premiações de cinema, acumulando apenas algumas indicações técnicas por efeitos visuais, o que já mostra que ele dividiu bastante a crítica e o público na época.

Qual é a verdadeira história por trás desses heróis milenares?

A trama tenta abarcar sete mil anos de história humana. Esses dez seres imortais foram enviados à Terra por entidades gigantescas chamadas Celestiais para proteger a humanidade de monstros violentos conhecidos como Deviantes. O problema é que eles não podiam se meter nas guerras, conflitos ou desgraças criadas pelos próprios humanos. 

Com o passar dos milênios, a convivência e a solidão desgastaram o grupo. Eles se separaram e tentaram viver como pessoas comuns. Quando os Deviantes reaparecem nos dias de hoje, o grupo precisa se reunir, mas acaba descobrindo que o verdadeiro propósito de sua missão na Terra é algo bem mais sombrio e trágico do que imaginavam.

Quais curiosidades mostram a grandiosidade deste projeto?

Existem bastidores interessantes que ajudam a entender a escala do filme:

·         Chloé Zhao insistiu em usar luz natural ao máximo, fazendo a equipe inteira esperar durante horas pelas filmagens no horário do pôr do sol. 

·         O ator Kumail Nanjiani passou por uma transformação física insana, treinando por quase um ano para ficar extremamente forte para o papel. 

·         As filmagens nas Ilhas Canárias tiveram que ser evacuadas às pressas quando a equipe encontrou uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial no local. 

·         Foi a primeira vez no universo Marvel que apresentaram um super-herói abertamente gay e um personagem surdo com papel de grande destaque. 

Vale a pena gastar duas horas e meia assistindo a essa obra?

Aqui vai a minha opinião direta de quem assistiu de peito aberto. A crítica da época bateu pesado em Eternals porque ele é diferente do ritmo acelerado a que todo mundo estava acostumado. O filme é lento, tem diálogos longos e foca muito nas dores, dúvidas existenciais e traumas de seres imortais que viram a humanidade errar por milênios. 

A direção de fotografia é linda e as lutas têm um peso visual diferente. A presença da Angelina Jolie na tela realmente impõe respeito. Porém, tenta abraçar o mundo e acaba deixando vários personagens sem o desenvolvimento que mereciam. Não é um desastre completo como muitos dizem, mas também passa longe de ser marcante. Se você busca uma diversão sem compromisso para relaxar no fim de semana, com o copo cheio do lado e sem cobrar lógica perfeita de roteiro, a experiência visual faz o tempo valer a pena.

 

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