Caçado (Hunted)

 

Se você curte aquele tipo de suspense implacável, onde o bicho pega no meio da floresta e a tensão não te deixa piscar, senta aí que hoje vamos falar de um filmaço que marcou época. Estou falando de Caçado (The Hunted), um thriller de ação visceral lançado em 2003 que traz um verdadeiro jogo de gato e rato humano, daqueles de deixar o queixo caído.

Lembro que quando assisti a esse filme pela primeira vez, o realismo das cenas de combate com facas me impressionou demais. Dirigido pelo mestre William Friedkin (o mesmo nome por trás de clássicos como O Exorcista e Operação França), o longa hoje ostenta uma nota 6.1 no IMDb. Sinceramente? Acho que merecia mais. É um filme bruto, direto ao ponto e que não perde tempo com enrolação.

Quem faz parte do elenco de Caçado?

O grande trunfo do filme está no peso dos protagonistas. O elenco é liderado por ninguém menos que Tommy Lee Jones, interpretando L.T. Bonham, um instrutor militar veterano que vive isolado na neve, e Benicio Del Toro como Aaron Hallam, um ex-soldado de forças especiais altamente treinado que perdeu o juízo após missões traumáticas em Kosovo.

A química de rivalidade entre os dois funciona perfeitamente. Tommy Lee Jones entrega aquele papel clássico de homem experiente, durão mas com um peso na consciência, enquanto Del Toro destila uma intensidade absurda no olhar, fazendo você acreditar que ele é realmente uma máquina de matar humana e imprevisível. O elenco ainda conta com a excelente Connie Nielsen, que faz a ponte entre a caçada humana e a investigação das autoridades.

Onde foi gravado o filme Caçado?

Toda a atmosfera pesada e cinzenta do filme ganha vida graças às suas locações impressionantes. A produção foi rodada quase inteiramente no estado do Oregon, nos Estados Unidos, usando as florestas densas e úmidas próximas a Silver Falls State Park, além de cenários urbanos na cidade de Portland.

Essa escolha geográfica foi cirúrgica. O contraste entre a mata fechada, fria e chuvosa com o concreto de Portland cria o ambiente perfeito para a sobrevivência. A floresta do Oregon deixa de ser apenas um cenário e vira um personagem ativo, onde o personagem de Del Toro usa técnicas reais de camuflagem e armadilhas para se esconder, enquanto o mestre de rastreamento vivido por Tommy Lee Jones tenta ler os sinais que ele deixa para trás.

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores?

O que pouca gente sabe é o nível de realismo que Friedkin buscou para essa produção. Separrei as curiosidades mais insanas sobre os bastidores:

·         Treinamento Real: Para que as lutas parecessem reais, os atores foram treinados por Thomas Kier, um mestre no Sistema de Combate Sayoc Kali (uma arte marcial filipina focada no uso de facas).

·         Sangue e Suor: As coreografias de luta foram tão intensas que tanto Tommy Lee Jones quanto Benicio Del Toro se machucaram de verdade durante as gravações, resultando em pausas na produção para a recuperação dos atores.

·         Inspirado em Fatos: O personagem de Tommy Lee Jones foi vagamente baseado na vida de Tom Brown Jr., um rastreador e instrutor de sobrevivência real que inclusive trabalhou como consultor técnico no set do filme.

Vale a pena assistir Caçado hoje em dia?

A minha crítica sincera é: com certeza absoluta. Caçado é um filme que não se faz mais hoje em dia. Em uma época saturada de efeitos visuais de computador e lutas coreografadas parecendo dança, ver dois atores de elite se enfrentando na lama, usando apenas a inteligência, instinto e lâminas, traz uma sensação primitiva de perigo muito foda.

A direção do Friedkin é seca. Não há trilhas sonoras exageradas para te dizer o que sentir, apenas o som da respiração dos caras, o barulho da chuva e o metal das facas batendo. O roteiro debate de forma muito interessante o descarte de soldados pelo governo após usá-los como armas de guerra. É um filme rápido, com ritmo de fôlego cortado e que entrega exatamente o que promete: uma caçada humana crua, masculina na medida certa, madura e extremamente bem executada. Se você deixou esse passar batido em 2003, faça um favor a si mesmo e vá assistir.

 

Baby Boom

 

Se você curte o cinema dos anos 80, sabe que aquela década tinha uma energia única para falar sobre ambição, estilo de vida e as reviravoltas que o destino dá na nossa cara. Hoje, resolvi resgatar um clássico que equilibra perfeitamente a correria insana do mundo dos negócios com o choque de realidade da vida real. Estou falando de Baby Boom, uma comédia dramática que envelheceu como um bom vinho e que nos faz questionar o que realmente importa quando colocamos a cabeça no travesseiro.

Lançado em 1987, o filme traz uma daquelas premissas que te prendem logo de cara. No auge do corporativismo agressivo de Nova York, acompanhamos a rotina de quem vive para o trabalho — até que o inesperado bate à porta. Com uma ótima recepção da crítica e do público na época, a obra ostenta hoje uma nota 6.3 no IMDb, uma pontuação justa para um filme que entrega exatamente o que promete: inteligência, humor e uma dose cavalar de realidade sobre escolhas de vida.

Qual é a história por trás do título original Baby Boom?

O título original, Baby Boom, faz uma brincadeira direta com a geração nascida após a Segunda Guerra Mundial, mas no contexto do filme, funciona quase como uma explosão tática na vida da protagonista, J.C. Wiatt. Vivida brilhantemente por Diane Keaton, ela é uma consultora de gerenciamento implacável, apelidada no mercado como a "Tiger Lady" (Mulher Tigre). J.C. não tem tempo para respirar, divide um apartamento minimalista com um banqueiro igualmente viciado em trabalho (interpretado por Harold Ramis) e não tem o menor interesse em formar uma família.

A engrenagem do roteiro gira quando ela recebe a notícia de que um primo distante faleceu e lhe deixou uma "herança". O que ela achava que seriam ações ou dinheiro acaba se revelando uma bebê órfã de quatorze meses chamada Elizabeth. A partir daí, o homem de negócios ou a mulher de negócios focada precisa lidar com fraldas, mamadeiras e a completa falta de tato com o universo infantil. O caos se instala, o relacionamento desmorona porque o parceiro cai fora, e ela se vê escanteada na empresa por caras mais jovens e sem amarras familiares — um deles vivido pelo sempre excelente James Spader, que faz aquele tipo de engravatado ambicioso que a gente adora odiar.

Quem comanda a direção e o elenco de Baby Boom?

Por trás das câmeras, temos a assinatura de um mestre das comédias sofisticadas: o diretor Charles Shyer. Ele escreveu o roteiro em parceria com sua então esposa, Nancy Meyers, uma dupla que praticamente moldou o estilo visual e narrativo das comédias românticas americanas mais elegantes dos anos 80 e 90.

A direção de Shyer é precisa em mostrar o contraste visual da história. O elenco de apoio é cirúrgico. Além de Keaton destruindo no papel principal, temos Sam Shepard como o veterinário local Dr. Jeff Cooper, que entra na segunda metade da história trazendo um contraponto rústico e pé no chão ao estresse urbano de J.C. A química madura entre os dois funciona muito bem, sem firulas ou romantismo bobo, mostrando dois adultos que já apanharam da vida tentando se entender.

Onde foram feitas as filmagens e qual a importância da locação?

A escolha da locação é um dos grandes trunfos da narrativa e atua quase como um personagem vivo. A primeira metade do filme acontece no cenário cinzento, imponente e acelerado de Nova York, traduzindo o ambiente corporativo que dita o ritmo da protagonista.

Quando J.C. decide chutar o balde da pressão corporativa, ela compra uma fazenda antiga e se muda para o interior, mais especificamente para a cidade de Peru, no estado de Vermont. A produção realmente filmou nessa região durante o inverno, e as paisagens cobertas de neve, as estradas isoladas e os problemas estruturais da casa velha trazem uma sensação palpável de isolamento. Essa transição visual reflete o isolamento e o recomeço forçado da personagem, longe dos arranha-céus.

Quais são as principais curiosidades dos bastidores da produção?

Como todo bom clássico daquela época, os bastidores guardam ótimas histórias. Separando o que há de melhor, aqui estão algumas curiosidades marcantes sobre a produção:

·         Gêmeas em cena: A pequena Elizabeth foi interpretada pelas irmãs gêmeas Kristina e Michelle Kennedy. A produção precisava revezá-las para cumprir as leis trabalhistas infantis e manter as filmagens no ritmo.

·         Inspiração real: Nancy Meyers e Charles Shyer escreveram o roteiro pensando em como o mercado de trabalho da época era hostil com mulheres que decidiam ter filhos, forçando-as a escolher entre o topo da carreira ou a maternidade.

·         A casa de Vermont: A propriedade que serviu de cenário no interior se tornou um ponto turístico informal na região de Peru, Vermont, mantendo até hoje aquele charme rústico que quase levou a protagonista à loucura com encanamentos congelados.

O veredito: por que Baby Boom ainda vale o seu play?

Fazendo uma crítica da obra com o distanciamento que o tempo nos dá, fica claro que o filme entrega muito mais do que uma comédia comum sobre "trocar fraldas". O roteiro é extremamente perspicaz ao retratar a cultura do trabalho dos anos 80. Ele não suaviza o fato de que o ambiente de negócios pode ser cruel e descartável.

O foco aqui não é apenas o instinto materno, mas a capacidade de um indivíduo se reinventar quando o sistema o cospe para fora. Quando J.C. usa sua mente afiada de Nova York para criar uma marca de papinhas caseiras no interior, o filme mostra o valor do faro comercial e da resiliência. É uma história sobre recuperar o controle da própria vida e mandar o topo do organograma corporativo para o espaço, ditando as próprias regras do jogo. Vale cada minuto, seja pela nostalgia da década de 80, pelas atuações sólidas ou pela lição prática de estratégia e sobrevivência urbana.

As Minas do Rei Salomão (King Solomon's Mines)

 

Se você curte uma boa aventura descompromissada, daquelas com direito a selvas perigosas, tribos perdidas e reviravoltas absurdas, senta aí que hoje vamos falar de um clássico esquecido da Sessão da Tarde. Vou te contar tudo sobre As Minas do Rei Salomão, uma pérola que marcou os anos 80 e que, mesmo dividindo opiniões, tem um lugar especial na memória de quem cresceu em frente à TV.

Lançado originalmente como King Solomon's Mines, o longa pegou carona no sucesso gigantesco de Indiana Jones. A ideia era clara: entregar um filme de ação frenético, bem-humorado e com aquela pegada clássica de exploração de terras desconhecidas.

Qual é o contexto e a história por trás de As Minas do Rei Salomão?

Para entender esse filme, a gente precisa voltar para 1985. O cinema de aventura estava no topo, e a produtora Cannon Films — conhecida por seus filmes de ação de baixo orçamento e muita explosão — decidiu que precisava do seu próprio herói de chapéu e chicote. Eles foram buscar a resposta em um livro clássico de 1885, escrito por H. Rider Haggard, que praticamente inventou o gênero de "mundo perdido".

O diretor responsável por comandar essa jornada foi J. Lee Thompson. A trama acompanha o lendário caçador e guia Allan Quatermain, contratado por Jesse Huston para encontrar seu pai, um arqueólogo que sumiu enquanto buscava as lendárias minas de ouro do Rei Salomão. No caminho, claro, eles enfrentam militares alemães, tribos locais e um monte de armadilhas.

O elenco trouxe Richard Chamberlain como o protagonista canastrão e carismático, e uma jovem Sharon Stone no papel de Jesse, bem antes de ela virar o megasímbolo sexual dos anos 90. O vilão ficou por conta de John Rhys-Davies (o próprio Sallah de Indiana Jones e, mais tarde, o Gimli de O Senhor dos Anéis), fazendo o que sabia de melhor.

As filmagens aconteceram no Zimbábue, o que deu ao filme um visual de savana real e cenários grandiosos, bem distantes dos fundos verdes que vemos hoje em dia.

O que a crítica achou e qual é a nota IMDb do filme?

Se formos olhar friamente pelos olhos dos críticos da época e de hoje, o filme apanha um bocado. Atualmente, a nota IMDb do filme é 4,9/10, o que mostra que ele é considerado uma produção bem "ame ou odeie".

A crítica da obra geralmente aponta que o filme é uma cópia descarada de Os Caçadores da Arca Perdida. E sendo bem sincero, ele é mesmo. O ritmo é quase de desenho animado: os personagens saem de uma explosão, caem num caldeirão de canibais, fogem em um avião biplano e vão direto para uma caverna cheia de aranhas. Não há muito tempo para respirar ou para diálogos profundos.

Mas sabe de uma coisa? É exatamente aí que mora o charme. Se você assistir esperando uma obra-prima do cinema, vai se frustrar. Agora, se você encarar como um passatempo honesto, focado em ação pura e nostalgia, a diversão é garantida. O carisma do Richard Chamberlain sustenta o filme e a dinâmica dele com a Sharon Stone funciona no melhor estilo "gato e rato".

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores da produção?

Os bastidores desse longa são quase tão movimentados quanto o filme em si. Separei as melhores histórias para você entender o caos que foi essa gravação:

·         O erro na escalação: Diz a lenda que os produtores queriam Kathleen Turner (que estava estourada por Tudo por uma Esmeralda) para o papel principal feminino. Ao pedir para o diretor escalar "aquela mulher de Fogo Corpóreo", eles se confundiram e contrataram Sharon Stone. Quando perceberam o erro, já era tarde.

·         Clima tenso no set: Sharon Stone e Richard Chamberlain não se deram bem durante as filmagens no Zimbábue. A atriz, no início de carreira, reclamava bastante das condições difíceis da locação, o que irritava o veterano Chamberlain e o diretor.

·         Aproveitando o cenário: A Cannon Films estava tão confiante (ou queria tanto economizar) que gravou a sequência, Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdida, simultaneamente com o primeiro filme, usando os mesmos cenários e elenco.

Por que você deveria reassistir a esse clássico dos anos 80 hoje?

No fim das contas, As Minas do Rei Salomão de 1985 é o puro suco daquela década: exagerado, barulhento, politicamente incorreto para os padrões atuais e extremamente divertido. Ele não se leva a sério em nenhum segundo, e isso é libertador.

Reassistir a essa obra hoje é fazer uma viagem no tempo. É lembrar de uma época em que os filmes de ação precisavam apenas de um herói durão com um sorriso no rosto, uma mocinha em apuros que sabe gritar muito bem e capangas que erram todos os tiros. É um prato cheio para um fim de semana chuvoso, de preferência com uma boa caneca de café do lado.