A Morte do Demônio (Evil Dead)

 


Sempre fui fã do terror visceral, daquele tipo que não esconde o jogo e entrega exatamente o que promete: tensão do início ao fim e sangue na medida certa. Por isso, quando decidi rever A Morte do Demônio (Evil Dead, 2013), sabia que não encontraria uma experiência leve. O longa, dirigido pelo uruguaio Fede Álvarez em sua estreia em Hollywood, é uma aula de como refazer um clássico respeitando o legado e, ao mesmo tempo, trazendo uma identidade brutal e moderna. 

Com uma nota 6.5 no IMDb, o filme costuma dividir opiniões entre os puristas e os amantes do gore moderno. Lançado nos cinemas em 2013, o projeto teve a bênção e a produção dos criadores da franquia original, Sam Raimi e Bruce Campbell. O resultado é uma jornada brutal que atualiza a premissa de 1981 sem perder a essência sombria que tornou o Necronomicon lendário no cinema de horror.

Como o clássico de Sam Raimi foi redefinido em 2013?

Substituir o humor galhofa da trilogia original por uma atmosfera de puro desespero foi a cartada mais certeira do diretor Fede Álvarez. A história acompanha cinco amigos isolados em uma cabana remota nas florestas da Nova Zelândia — ambiente usado como locação principal no lugar do estado americano original. A motivação do grupo aqui é realista: ajudar Mia, interpretada brilhantemente por Jane Levy, a superar o vício em drogas. Completa o elenco principal os atores Shiloh Fernandez (David), Lou Taylor Pucci (Eric), Jessica Lucas (Olivia) e Elizabeth Blackmore (Natalie). 

O grande diferencial dessa versão é como o roteiro usa a abstinência da protagonista para criar incerteza. Quando coisas bizarras começam a acontecer após a descoberta do livro dos mortos no porão, todos acreditam que são apenas alucinações de Mia. Essa virada tira o pé do freio rapidamente e transforma a cabana em um moedor de carne sem saída.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores de A Morte do Demônio?

Se tem algo que me impressiona nessa produção é o compromisso com o realismo prático. Em uma época dominada por computadores, Fede Álvarez recusou o uso de CGI tradicional para os efeitos visuais. Tudo o que você vê na tela — cortes, amputações, possessões e mutilações — foi feito com maquiagem física, próteses e efeitos no set. 

Aqui estão alguns detalhes dos bastidores que mostram o nível dessa insanidade:

·         Chuva de sangue icônica: A cena antológica do clímax usou cerca de 20 a 25 mil litros de sangue falso, estabelecendo um recorde prático no gênero. 

·         Sem computação gráfica: Álvarez confirmou que não usou CGI para criar as lesões e deformações dos demônios, contando apenas com o trabalho artesanal. 

·         Trilha sonora ensurdecedora: A trilha sonora composta por Roque Baños é uma obra à parte. O uso de sereias, instrumentos desafinados e coros bizarros rendeu vitórias no International Film Music Critics Award em categorias como Melhor Trilha de Horror e Composição do Ano. 

·         Reconhecimento técnico: O longa faturou premiações focadas na indústria do horror, vencendo nas categorias de Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Especiais no Fright Meter Awards. 

Por que a crítica e os fãs aclamam o gore dessa versão?

Do meu ponto de vista, o grande triunfo de Evil Dead 2013 é a coragem de não pedir desculpas ao espectador. O filme entrega um terror cru, onde a dor é palpável em cada frame. As cenas de automutilação e o ritmo acelerado mantêm o pulso alto até os minutos finais. 

A atuação de Jane Levy se destaca do início ao fim; ela entrega uma das "Final Girls" mais marcantes e duras da década, passando de vítima indefesa a uma força implacável de sobrevivência. É um filme feito para quem tem estômago forte e gosta de sentir o peso de cada pancada na tela.

O remake de 2013 realmente honra a franquia Evil Dead?

Sem dúvida alguma. Embora abandone a comédia escrachada que Ash Williams imortalizou nos anos 80, o filme captura a sensação de claustrofobia e pânico do longa original de 1981. Ele expande o universo da franquia de forma respeitosa, trazendo uma experiência moderna, visualmente impressionante e absurdamente sangrenta. 

Se você procura um filme de horror moderno sem enrolação, com atuações entregues e efeitos práticos de primeira linha, o trabalho de Fede Álvarez continua sendo uma referência obrigatória na última década.

Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix)


Sempre que eu sento para rever a saga do bruxinho mais famoso do cinema, percebo como Harry Potter e a Ordem da Fênix ocupa um lugar muito específico na minha memória. Lançado nos cinemas em 2007, sob o título original Harry Potter and the Order of the Phoenix, esse quinto capítulo marcou uma virada definitiva de chave na franquia. O clima de aventura escolar e magia juvenil ficou para trás de vez, dando lugar a uma trama carregada de paranoia política, isolamento e a iminência de uma guerra. 

Comandado pelo diretor David Yates, que assumiu a franquia aqui e não largou mais até o final, o filme ostenta uma nota 7.5 no IMDb. É um resultado muito sólido para um longa que tinha a espinhosa missão de adaptar o maior livro publicado pela J.K. Rowling. Se você quer entender como essa produção se sustenta até hoje, separe uma xícara de café e vem comigo trocar essa ideia sobre os bastidores, a equipe e a minha visão crítica da obra.


Qual é o contexto inicial e como a história engrena em Harry Potter e Ordem da Fênix?

A história começa em um tom bastante denso. Harry está isolado na casa dos tios durante um verão quente e sufocante, lidando com o trauma brutal de ter visto Cedrico Diggory ser morto e testemunhado o retorno de Lord Voldemort. Para piorar, o Ministério da Magia, liderado pelo covarde Cornélio Fudge, se recusa categoricamente a aceitar que o Lord das Trevas voltou. O governo bruxo prefere iniciar uma campanha de difamação contra Harry e Alvo Dumbledore, tratando o garoto como mentiroso e desequilibrado. 

É nesse cenário de desconfiança que surge a Ordem da Fênix, uma sociedade secreta fundada por Dumbledore para combater as forças das trevas à margem do governo. Enquanto isso, dentro de Hogwarts, Fudge impõe a presença da burocrata Dolores Umbridge como nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. Ela assume o controle da escola com punhos de ferro e punições torturantes. Sem aprender magia prática na sala de aula, Harry toma a iniciativa de liderar a Armada de Dumbledore, ensinando feitiços de combate aos seus colegas em segredo.

Quem faz parte do elenco, da trilha e das locações marcantes?

No elenco, temos o retorno do trio principal formado por Daniel Radcliffe (Harry Potter), Rupert Grint (Rony Weasley) e Emma Watson (Hermione Granger), todos visivelmente mais maduros na atuação. No entanto, o verdadeiro espetáculo do filme fica por conta das atuações coadjuvantes. Imelda Staunton como Dolores Umbridge entregou uma das vilãs mais odiáveis e brilhantes da história do cinema. Temos ainda Gary Oldman esbanjando carisma como Sirius Black, Helena Bonham Carter surtada e assustadora na pele de Bellatrix Lestrange, Alan Rickman no seu tom impecável como Severo Snape, e Ralph Fiennes marcando presença como Lord Voldemort. 

A trilha sonora ficou sob a responsabilidade do compositor Nicholas Hooper, que substituiu Patrick Doyle. Hooper optou por uma sonoridade mais contida e melancólica, marcando época com o tema de Umbridge, uma melodia propositalmente infantil e irritante que traduz perfeitamente a falsa doçura da personagem. 

Nas locações, a produção continuou utilizando os estúdios de Leavesden, na Inglaterra, mas expandiu bastante as gravações externas. A Escócia serviu de cenário para as paisagens montanhosas ao redor de Hogwarts e do Lago Negro. Locais icônicos de Londres também ganharam destaque, como a estação de metrô Westminster, a ponte Millennium Bridge e os arredores do rio Tamisa, por onde a Ordem voa de vassoura à noite em uma das cenas mais bacanas do primeiro ato.

Quais são as curiosidades e os bastidores mais interessantes?

Adaptar este livro foi um desafio insano para o Roteirista Michael Goldenberg. O livro original tem quase novecentas páginas, mas o filme acabou se tornando o segundo mais curto de toda a franquia, com cerca de 138 minutos de duração. Várias tramas secundárias foram cortadas para focar o ritmo na pressão psicológica que Harry sofre. 

Outro ponto marcante nos bastidores foi o treinamento de coreografia de varinhas. Para a grande batalha no Ministério da Magia, a produção contratou um coreógrafo de dança para criar estilos de duelo personalizados para cada bruxo, tornando os movimentos mais fluidos e agressivos. Foi também neste filme que acompanhamos o aguardado primeiro beijo de Harry com Cho Chang (Katie Leung), uma cena que gerou enorme repercussão na época do lançamento. 

No quesito efeitos visuais, o filme trouxe a criação digital dos Testrálios e a gigantesca sala das profecias. Porém, preciso ser bem sincero sobre um detalhe estético que sempre me incomodou bastante: o trabalho de CGI no rosto do Voldemort. Nunca gostei da aparência do nariz do Ralph Fiennes em nenhum dos filmes em que ele aparece como o vilão. A remoção digital do nariz ficou com um aspecto muito artificial e meio borrado em várias cenas, o que acaba tirando um pouco da ameaça orgânica do ator, que é um artista espetacular.

Como a obra se saiu nas premiações e qual é a minha crítica final?

Em termos de recepção da indústria, o longa fez um barulho enorme de bilheteria e faturou premiações de público relevantes. Venceu no People's Choice Awards como Melhor Filme Dramático e se destacou no National Movie Awards no Reino Unido, onde Daniel Radcliffe e Emma Watson levaram prêmios de atuação. Na parte técnica, recebeu indicações ao BAFTA nas categorias de Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais, além de acumular nove indicações no Saturn Awards. 

Analisando o filme como um todo, eu considero Ordem da Fênix um dos capítulos mais maduros e bem resolvidos da saga. David Yates conseguiu pegar um livro extenso e focar exatamente no núcleo emocional do protagonista: a sensação de solidão, o luto e o medo de estar se tornando parecido com o seu próprio inimigo. 

O ritmo é ágil e a narrativa não perde tempo com enrolações. O clímax no Ministério da Magia entrega uma das sequências de ação mais bem executadas do cinema de fantasia, culminando no duelo épico entre Dumbledore e Voldemort. A perda que Harry sofre no final é pesada e visceral, fechando a história com a certeza de que os tempos de paz em Hogwarts acabaram para sempre. É um filme corajoso, sombrio na medida certa e fundamental para desenhar o tom da reta final da franquia.