Shrek

 


Por que Shrek mudou minha visão sobre animação e cinema?

Confesso que no começo dos anos 2000 eu achava que animação era coisa exclusivamente para criança ou pra passar a tarde sem pensar muito. Foi aí que me deparei com um ogro verde, meio rabugento, tomando banho de lama e chutando a porta do banheiro ao som de "All Star" do Smash Mouth. Ali eu percebi na hora que Shrek não era só mais um desenho. 

Lançado originalmente com o título Shrek no ano de 2001, o filme chegou chutando o balde dos contos de fadas tradicionais. Ele mantêm até hoje uma nota sólida de 7,9 no IMDb, o que mostra como envelheceu bem. A produção colocou a DreamWorks no topo do jogo e provou que dá para fazer uma comédia inteligente, cheia de camadas e com uma mensagem sarcástica que agrada tanto a garotada quanto os marmanjos. 

Quem criou esse clássico e quem dá vida aos personagens?

Por trás dessa obra-prima, a direção ficou nas mãos da dupla Andrew Adamson e Vicky Jenson. Os caras conseguiram encaixar um tom irreverente que pouca gente tinha coragem de tentar na época. 

A escalação do elenco original de dublagem foi um acerto monstruoso:

·         Mike Myers deu vida ao Shrek com um sotaque escocês marcante. 

·         Eddie Murphy entregou uma das melhores atuações da carreira como o Burro Falante, roubando a cena em quase todas as sequências. 

·         Cameron Diaz deu o tom perfeito para a Princesa Fiona, longe daquela figura frágil e indefesa. 

·         John Lithgow fez o vilão mesquinho e baixinho Lord Farquaad. 

No Brasil, precisamos fazer uma menção de honra para a dublagem nacional. Bussunda deu uma alma única ao ogro, e o trabalho de Guilherme Briggs no Burro é algo simplesmente lendário. 

Sobre as locações, por se tratar de uma animação 3D, tudo se passa no reino fictício de Duloc e no icônico Pântano do Shrek, cenários construídos digitalmente nos estúdios da DreamWorks em Los Angeles. Duloc, aliás, é uma clara e ácida sátira aos parques temáticos da Disney, limpinho até demais e cheio de regras artificiais.

Qual é o segredo da trilha sonora inesquecível de Shrek?

A trilha sonora não é apenas um acompanhamento, ela conduz o ritmo do filme. A escolha das músicas pop e rock dos anos 90 e 2000 foi uma sacada genial para distanciar o filme das composições orquestradas clássicas. 

Além da abertura inesquecível com Smash Mouth, a trilha conta com nomes pesados:

·         Hallelujah (na versão tocante de Rufus Wainwright) embala o momento mais reflexivo da trama. 

·         I'm a Believer fecha a história com chave de ouro e clima de festa. 

·         Músicas de artistas como Eels, Joan Jett e Eric Clapton pontuam os momentos com precisão. 

Essa mistura de pop rock com elementos medievais criou uma identidade sonora que influenciou praticamente toda animação que veio depois. 

Quais prêmios e curiosidades marcaram a história do filme?

O impacto cultural foi tanto que a Academia de Hollywood teve que se mexer. Shrek fez história ao vencer o primeiro Oscar de Melhor Filme de Animação em 2002, categoria que estreou justamente naquela edição. Além disso, disputou a Palma de Ouro em Cannes e levou o Bafta de Melhor Roteiro Adaptado. 

Bastidores e curiosidades interessantes do projeto:

·         O Shrek original seria outro: Chris Farley gravou quase todos os diálogos do ogro antes de falecer em 1997. Mike Myers assumiu depois e refez o trabalho do zero. 

·         O sotaque custou caro: Myers já tinha gravado boa parte do filme com sua voz normal até decidir que o tom escocês funcionaria melhor. A DreamWorks gastou milhões de dólares para reanimar e regravar as cenas. 

·         Texturas revolucionárias: Na época, criar a lama, o fogo e a pele dos personagens em computação gráfica era um pesadelo técnico. A equipe precisou desenvolver softwares específicos para fazer a lama parecer de fato viscosa. 

Vale a pena rever Shrek hoje em dia?

Com certeza. O filme não é só uma boa comédia, é uma aula de como desconstruir clichês. A crítica na época aclamou o longa justamente por ter a coragem de zoar as fórmulas batidas de "príncipe encantado salva donzela". 

A jornada do cara que só quer ficar em paz no seu canto, mas acaba sendo obrigado a encarar o mundo para proteger seu espaço, conecta direto com a gente. Shrek não quer ser herói, não quer agradar ninguém e é exatamente essa autenticidade que faz a história funcionar. A aceitação de si mesmo e a amizade improvável com o Burro trazem uma casca dura por fora, mas com uma mensagem bem pé no chão por dentro. 

Se você não assiste há algum tempo, vale cada minuto do reencontro. É entretenimento puro, ácido e que envelheceu sem perder um grama de relevância.

 

Entre Umas e Outras (Sideways)

 


Sabe aquele filme que parece uma simples comédia de viagem, mas quando os créditos sobem deixa a gente pensando na vida, nos nossos tropeços e nas escolhas que fazemos?
Foi exatamente essa a sensação que tive ao assistir Entre Umas e Outras (título original: Sideways). Lançado em 2004 e comandado pelo diretor Alexander Payne, o longa é uma mistura afiada de drama, humor ácido e uma dose cavalar de realidade sobre a crise da meia-idade. 

Não é à toa que o filme ostenta uma nota 7,7 no IMDb e se tornou um clássico cult absoluto. A história acompanha Miles, um professor de literatura frustrado e aspirante a escritor, e seu amigo Jack, um ator decadente prestes a casar. Juntos, eles embarcam em uma semana de despedida de solteiro pelas estradas da Califórnia. O objetivo do Miles é degustar bons vinhos e relaxar; o do Jack é transar com qualquer pessoa antes de subir ao altar. É esse choque de intenções que move toda a narrativa.

Por que Entre Umas e Outras é o road movie definitivo sobre a amizade masculina?

Para mim, o grande trunfo da narrativa está na química brutalmente honesta entre dois caras opostos. A gente enxerga ali dinâmicas reais de amizade: aquele amigo meio desastroso que tenta te empurrar para a vida, enquanto você só quer ficar no seu canto remoendo o passado. 

A viagem ganha vida nas belíssimas locações do Vale de Santa Ynez e no Condado de Santa Barbara, na Califórnia. As paisagens de vinhedos abertos criam um contraste sensacional com o sufoco interno dos personagens. Para embalar o trajeto, a trilha sonora instrumental de Rolfe Kent traz um jazz acústico e levemente nostálgico, ajustando o tom exato para cada curva da estrada e cada taça servida.

Quem está por trás da magia de Sideways nas telas e nos bastidores?

O elenco entrega atuações de um nível absurdo de naturalidade, liderado por um grupo sem firulas:

·         Paul Giamatti (Miles): Entrega uma das atuações mais humanas do cinema moderno. Ele é amargo, inseguro e apaixonado por vinhos, mas você torce por ele mesmo quando ele faz besteira. 

·         Thomas Haden Church (Jack): Faz o contraponto perfeito. É o cara inconsequente, vaidoso e boa-praça que se recusa a crescer. 

·         Virginia Madsen (Maya): Dá o tom de maturidade e profundidade que a trama precisa, interpretando uma garçonete apaixonada por enologia. 

·         Sandra Oh (Stephanie): Traz energia e intensidade como a degustadora de vinhos que se envolve com Jack. 

A direção de Alexander Payne conduz o grupo sem recorrer a clichês hollywoodianos. Nada ali parece ensaiado demais; parece a vida acontecendo ao vivo.

Quais são as melhores curiosidades e prêmios que cercam o filme?

O impacto de Sideways foi tão grande que extrapolou as salas de cinema e mexeu diretamente com a economia real, além de conquistar espaço nos grandes prêmios da indústria:

·         Reconhecimento da Academia: O filme foi indicado a 5 prêmios no Oscar (incluindo Melhor Filme, Direção, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante) e levou a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado. 

·         O Efeito Sideways: O desdém de Miles pela uva Merlot fez as vendas da bebida despencarem nos Estados Unidos por anos. Em contrapartida, o interesse pela uva Pinot Noir explodiu no mercado mundial. 

·         A grande ironia do roteiro: O vinho dos sonhos de Miles, a garrafa de Château Cheval Blanc 1961 que ele guarda para uma ocasião especial, é justamente produzido com uma mistura primária de uvas Merlot. Essa contradição mostra perfeitamente como o próprio personagem escondia suas fraquezas atrás de um pedantismo bobo. 

"Se alguém pedir Merlot, eu vou embora. Eu NÃO vou beber a porra de um Merlot!" — Miles 

Qual é a real crítica por trás de toda essa degustação de vinhos?

No fundo, o vinho é apenas uma metáfora para as pessoas. Como a própria personagem Maya explica em uma das cenas mais bonitas do filme, o vinho é algo vivo: ele evolui, ganha complexidade, atinge o seu auge e depois começa a declinar.     

Sideways acerta em cheio ao mostrar dois homens encarando suas imperfeições de frente. Não há heroísmo caricato aqui. É um filme sobre aceitar o fracasso, lidar com a rejeição e perceber que nunca é tarde para dar um rumo decente à própria vida. Se você procura uma obra com conversas francas, humor inteligente e atuações impecáveis, essa jornada pelas vinícolas da Califórnia ainda é uma das melhores pedidas do cinema moderno.

Intriga Internacional (North by Northwest)

 


Sabe aquele tipo de filme que você coloca num fim de semana com um bom copo de drink na mão, esperando só uma história honesta, e acaba completamente fisgado pela tela? Foi exatamente o que me aconteceu ao assistir a Intriga Internacional.
 

Lançado em 1959, sob o título original North by Northwest, este longa é uma verdadeira aula de como prender a atenção do espectador do primeiro ao último minuto. Não é à toa que até hoje ele ostenta uma respeitável nota 8,3 no IMDb. Estamos falando de um dos pilares do suspense moderno, desenhado sob medida por ninguém menos que o mestre Alfred Hitchcock. 

Se você gosta de uma boa trama de espionagem, perseguições épicas e personagens bem alinhados, vem comigo porque vale a pena analisar o que faz esse clássico funcionar tão bem. 

Qual é a história por trás de Intriga Internacional?

A premissa é aquela clássica fórmula do "homem errado no lugar errado", mas executada com uma precisão cirúrgica. Acompanhamos Roger Thornhill, interpretado pelo icônico Cary Grant, um publicitário de Nova York acostumado à vida boa, ternos bem alinhados e reuniões de negócios. De repente, por um mal-entendido num hotel, ele é confundido com um espião fictício chamado George Kaplan. 

A partir desse segundo, a vida pacata de Thornhill vira de cabeça para baixo. Ele é sequestrado, forçado a beber, acusado injustamente de um assassinato na sede da ONU e precisa cruzar o país para tentar provar sua inocência. 

No meio dessa fogueira, entram em cena figuras marcantes: o vilão frio e elegante Phillip Vandamm, vivido por James Mason, e a misteriosa Eve Kendall, interpretada por Eva Marie Saint, que entrega uma química perfeita com Grant e adiciona aquela camada indispensável de charme e incerteza à trama.

Por que a direção de Hitchcock faz tanta diferença?

Existe uma aura inconfundível quando olhamos para a mão de Alfred Hitchcock no comando. Ele sabia exatamente como manipular a tensão. O ritmo não deixa a peteca cair, alternando momentos de puro aperto no peito com diálogos afiados e dinâmicos. 

Para embalar essa corrida contra o tempo, a trilha sonora de Bernard Herrmann faz um trabalho absurdo. As cordas e os metais dão o tom de urgência e perigo constante, virando quase um personagem à parte. 

Em termos de cenários e locações, o filme é um espetáculo. Ele nos leva das ruas movimentadas de Nova York ao luxuoso trem de viagem para Chicago, culminando no lendário clímax gravado (e recriado em estúdio) no Monte Rushmore, em South Dakota. A forma como Hitchcock usa a arquitetura e os espaços abertos para criar claustrofobia é algo que poucos diretores conseguiram replicar.

Como o filme se comporta diante dos olhos de hoje?

Se formos olhar com o senso crítico do espectador atual, é evidente que algumas cenas parecem um pouco simplórias. O uso de telas de projeção ao fundo durante cenas de carro ou o efeito de alguns cenários pintados denunciam a época. E sejamos honestos: o próprio Cary Grant, apesar do peso monstruoso do seu nome no cinema, entrega uma atuação um pouco robótica ou travada em determinados momentos de ação. 

Mas a verdade é que nada disso chega a macular a obra. Precisamos levar em conta os recursos cinematográficos disponíveis no final dos anos 50. Quando você releva esses pequenos detalhes de época e foca no conteúdo, a experiência continua extremamente divertida. A famosa cena do avião monomotor perseguindo Grant no meio do nada, em um campo aberto e sem lugar para se esconder, continua sendo uma aula de design de cena e suspense puro. 

O filme foi inclusive reconhecido pela indústria na época, recebendo 3 indicações ao Oscar (Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Direção de Arte), reforçando sua relevância técnica e narrativa.

Quai são as curiosidades mais marcantes dos bastidores?

Filme grande de Hollywood sempre carrega boas histórias de bastidor, e com este não foi diferente. Separei algumas das mais interessantes:

·         O título enigmático: O termo "North by Northwest" não existe como ponto cardeal bússola. É uma referência poética (provavelmente vinda de Hamlet, de Shakespeare) ou uma alusão à companhia aérea Northwest Airlines, que o protagonista usa no filme. 

·         Proibidos no Monte Rushmore: O governo americano proibiu que cenas de violência fossem gravadas diretamente sobre os rostos dos presidentes no monumento real. Hitchcock teve que reconstruir maquetes gigantescas em estúdio para rodar o clímax. 

·         Cary Grant confuso: Reza a lenda que Grant confessou a Hitchcock na metade das filmagens que não estava entendendo nada do roteiro e que achava que o filme seria um fracasso. Mal sabia ele. 

·         O terno lendário: O terno cinza de três botões usado por Cary Grant ao longo de quase todo o filme é considerado por especialistas em moda até hoje como um dos trajes mais elegantes da história do cinema. 

Se você procura um cinema de entretenimento inteligente, com aquela pegada prática de homens decididos, vilões elegantes e uma boa dose de perigo, Intriga Internacional é parada obrigatória. É o avô dos filmes modernos de ação e espionagem — de James Bond a Missão Impossível —, e continua entregando um baita espetáculo.

 

Fome de Poder (The founder)

 


Sempre fui fascinado por histórias de pessoas que não se acomodam, do tipo que preferem dar a cara a tapa a passar a vida na média. Foi exatamente isso que me puxou para Fome de Poder (The Founder, no título original). Lançado em 2016, esse longa é muito mais do que um filme sobre fast-food. É um estudo cru sobre ambição, persistência e até onde um sujeito está disposto a ir para construir um império. 

Com uma nota 7,2 no IMDb, o filme dirigido por John Lee Hancock não passa pano para o lado obscuro do mundo dos negócios. Ele conta a trajetória de Ray Kroc, um vendedor de liquidificadores fracassado de 52 anos que encontra dois irmãos revolucionários no interior da Califórnia e enxerga ali a oportunidade da sua vida. Se você busca uma narrativa envolvente, estratégica e sem firulas, esse texto é para você.



Por que o filme Fome de Poder é uma aula sobre negócios e ambição?

A trama começa acompanhando a rotina massacrante de Ray Kroc, interpretado brilhantemente por Michael Keaton. O cara viaja pelo interior dos Estados Unidos tentando vender máquinas de milkshake para lanchonetes falidas. Tudo muda quando ele recebe um pedido de oito máquinas de uma vez só de um pequeno restaurante em San Bernardino. 

Curioso com o volume, Ray dirige até o local e se depara com o império dos irmãos Mac e Dick McDonald (vividos por John Carroll Lynch e Nick Offerman). Eles criaram um sistema revolucionário de linha de montagem para hambúrgueres: comida rápida, barata e de qualidade. 

A grande sacada do filme é mostrar o choque entre o gênio criativo dos irmãos, que queriam apenas manter a qualidade local, e a visão predatória de Kroc, que enxergou o potencial de transformar aquela ideia em um gigante global. É um prato cheio para quem gosta de estratégia, negociação e da dura realidade do mercado: nem sempre o inventor fica com os louros; às vezes, é quem tem o estômago para expandir sem piedade que leva a fatia grande do bolo.

Quem faz parte do elenco e da produção de Fome de Poder?

O elenco é uma engrenagem que funciona perfeitamente. Michael Keaton carrega o filme nas costas com uma atuação magnética. Você odeia as atitudes do personagem, mas não consegue parar de admirar a fome de vencer que ele demonstra. Nick Offerman e John Carroll Lynch trazem a dose certa de ingenuidade e paixão ao interpretar os irmãos McDonald, enquanto Laura Dern entrega uma performance sólida como a primeira esposa de Kroc, ignorada à medida que a ambição dele cresce. 

A direção de John Lee Hancock é certeira e direta. Para dar o tom da época, o filme foi gravado principalmente no estado da Geórgia, nos Estados Unidos (em regiões como Atlanta, Douglasville e Canton), recriando com perfeição a Califórnia e o Illinois dos anos 1950. 

Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora composta por Carter Burwell. Ela não tenta ser extravagante, mas entra nos momentos certos, usando ritmos repetitivos e melancólicos para acompanhar a pulsação frenética dos negócios de Kroc e o peso das escolhas morais do protagonista.

Quais são as melhores curiosidades e bastidores do filme?

Os detalhes dos bastidores tornam a obra ainda mais interessante. A produção teve um cuidado absurdo com o dinamismo e a fidelidade histórica:

·         Construção do zero: A equipe de produção construiu uma réplica totalmente funcional de um restaurante McDonald's dos anos 1950 em apenas sete dias na Geórgia, usando plantas originais do arquivo da franquia. 

·         Preparação de Keaton: Para entrar na pele de Kroc, Michael Keaton teve aulas de piano de verdade para tocar na cena do clube de golfe e estudou obsessivamente discursos e gravações reais do empresário. 

·         Premiações e reconhecimento: O filme ganhou espaço em premiações como o AARP Movies for Grownups Awards, onde Keaton foi indicado como Melhor Ator, além de passar pelo Capri, Hollywood International Film Festival. 

·         A promessa quebrada: O final mostra o famoso acordo verbal de 1% de royalties perpetuamente para os irmãos McDonald, um aperto de mão que Kroc nunca cumpriu e que custou centenas de milhões de dólares à família original. 

Vale a pena assistir Fome de Poder ou é só mais uma história de empresa?

Vale cada minuto. Minha crítica sincera é que o filme passa longe de ser um comercial de duas horas para a rede de fast-food. Pelo contrário, a obra expõe as entranhas do capitalismo com um realismo desconfortável. 

A grande pergunta que o filme deixa no ar é: o que vale mais, o talento ou a insistência? Kroc não inventou o hambúrguer, não criou o sistema rápido e nem tinha dinheiro no início. Mas ele tinha uma obstinação cega que atropelou qualquer escrúpulo pelo caminho. 

É um filme dinâmico, direto ao ponto e que faz você pensar sobre os sacrifícios necessários para atingir o topo. Se você aprecia cinema com atitude, excelentes atuações e uma boa dose de realidade sobre o mundo dos negócios, Fome de Poder é item obrigatório na sua lista.