Fome de Poder (The founder)

 


Sempre fui fascinado por histórias de pessoas que não se acomodam, do tipo que preferem dar a cara a tapa a passar a vida na média. Foi exatamente isso que me puxou para Fome de Poder (The Founder, no título original). Lançado em 2016, esse longa é muito mais do que um filme sobre fast-food. É um estudo cru sobre ambição, persistência e até onde um sujeito está disposto a ir para construir um império. 

Com uma nota 7,2 no IMDb, o filme dirigido por John Lee Hancock não passa pano para o lado obscuro do mundo dos negócios. Ele conta a trajetória de Ray Kroc, um vendedor de liquidificadores fracassado de 52 anos que encontra dois irmãos revolucionários no interior da Califórnia e enxerga ali a oportunidade da sua vida. Se você busca uma narrativa envolvente, estratégica e sem firulas, esse texto é para você.



Por que o filme Fome de Poder é uma aula sobre negócios e ambição?

A trama começa acompanhando a rotina massacrante de Ray Kroc, interpretado brilhantemente por Michael Keaton. O cara viaja pelo interior dos Estados Unidos tentando vender máquinas de milkshake para lanchonetes falidas. Tudo muda quando ele recebe um pedido de oito máquinas de uma vez só de um pequeno restaurante em San Bernardino. 

Curioso com o volume, Ray dirige até o local e se depara com o império dos irmãos Mac e Dick McDonald (vividos por John Carroll Lynch e Nick Offerman). Eles criaram um sistema revolucionário de linha de montagem para hambúrgueres: comida rápida, barata e de qualidade. 

A grande sacada do filme é mostrar o choque entre o gênio criativo dos irmãos, que queriam apenas manter a qualidade local, e a visão predatória de Kroc, que enxergou o potencial de transformar aquela ideia em um gigante global. É um prato cheio para quem gosta de estratégia, negociação e da dura realidade do mercado: nem sempre o inventor fica com os louros; às vezes, é quem tem o estômago para expandir sem piedade que leva a fatia grande do bolo.

Quem faz parte do elenco e da produção de Fome de Poder?

O elenco é uma engrenagem que funciona perfeitamente. Michael Keaton carrega o filme nas costas com uma atuação magnética. Você odeia as atitudes do personagem, mas não consegue parar de admirar a fome de vencer que ele demonstra. Nick Offerman e John Carroll Lynch trazem a dose certa de ingenuidade e paixão ao interpretar os irmãos McDonald, enquanto Laura Dern entrega uma performance sólida como a primeira esposa de Kroc, ignorada à medida que a ambição dele cresce. 

A direção de John Lee Hancock é certeira e direta. Para dar o tom da época, o filme foi gravado principalmente no estado da Geórgia, nos Estados Unidos (em regiões como Atlanta, Douglasville e Canton), recriando com perfeição a Califórnia e o Illinois dos anos 1950. 

Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora composta por Carter Burwell. Ela não tenta ser extravagante, mas entra nos momentos certos, usando ritmos repetitivos e melancólicos para acompanhar a pulsação frenética dos negócios de Kroc e o peso das escolhas morais do protagonista.

Quais são as melhores curiosidades e bastidores do filme?

Os detalhes dos bastidores tornam a obra ainda mais interessante. A produção teve um cuidado absurdo com o dinamismo e a fidelidade histórica:

·         Construção do zero: A equipe de produção construiu uma réplica totalmente funcional de um restaurante McDonald's dos anos 1950 em apenas sete dias na Geórgia, usando plantas originais do arquivo da franquia. 

·         Preparação de Keaton: Para entrar na pele de Kroc, Michael Keaton teve aulas de piano de verdade para tocar na cena do clube de golfe e estudou obsessivamente discursos e gravações reais do empresário. 

·         Premiações e reconhecimento: O filme ganhou espaço em premiações como o AARP Movies for Grownups Awards, onde Keaton foi indicado como Melhor Ator, além de passar pelo Capri, Hollywood International Film Festival. 

·         A promessa quebrada: O final mostra o famoso acordo verbal de 1% de royalties perpetuamente para os irmãos McDonald, um aperto de mão que Kroc nunca cumpriu e que custou centenas de milhões de dólares à família original. 

Vale a pena assistir Fome de Poder ou é só mais uma história de empresa?

Vale cada minuto. Minha crítica sincera é que o filme passa longe de ser um comercial de duas horas para a rede de fast-food. Pelo contrário, a obra expõe as entranhas do capitalismo com um realismo desconfortável. 

A grande pergunta que o filme deixa no ar é: o que vale mais, o talento ou a insistência? Kroc não inventou o hambúrguer, não criou o sistema rápido e nem tinha dinheiro no início. Mas ele tinha uma obstinação cega que atropelou qualquer escrúpulo pelo caminho. 

É um filme dinâmico, direto ao ponto e que faz você pensar sobre os sacrifícios necessários para atingir o topo. Se você aprecia cinema com atitude, excelentes atuações e uma boa dose de realidade sobre o mundo dos negócios, Fome de Poder é item obrigatório na sua lista.

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