O Convite (The Invite)

 


Sabe aquele tipo de filme que começa parecendo uma comédia despretensiosa de final de semana, mas quando você percebe, está te fazendo pensar na sua própria vida, no seu relacionamento e nas escolhas que você faz todo dia? Foi exatamente isso que senti assistindo a O Convite (The Invite, no título original).     

Lançado em 2026, o longa foi distribuído pela prestigiada A24 depois de causar um barulho enorme no Festival de Sundance. Com uma nota sólida ao redor de 7,3 no IMDb e uma aprovação lá no topo entre a crítica especializada, essa obra consegue pegar uma premissa simples de jantar entre vizinhos e transformar em um ringue psicológico afiado e muito divertido.

Qual é a história por trás de O Convite (The Invite)?

A trama nos coloca dentro do apartamento de Joe e Angela em São Francisco. O casamento dos dois está naufragando a olhos vistos. O Joe é aquele cara cansado de tudo: professor de música em um conservatório, ex-músico frustrado que vive travado de dores nas costas e só quer um pouco de paz no fim do dia. Já a Angela está surtando com a falta de atenção do marido e com a rotina pesada de casa. 

O tempero da história entra quando Angela resolve convidar os vizinhos do andar de cima para jantar. O detalhe é que esses vizinhos fazem barulhos sexuais estrondosos quase todas as noites, atrapalhando o sono de todo mundo. Enquanto Angela quer fazer social e pedir desculpas pela reforma do prédio, Joe vai para a janta com a faca entre os dentes, determinado a dar um enquadro no casal sem noção. Mas o jantar toma um rumo bizarro quando os convidados revelam um estilo de vida poliamoroso e fazem uma proposta nada convencional para o casal.

Quem está no comando e quem faz parte do elenco principal?

A direção fica nas mãos de Olivia Wilde, que além de comandar o set também interpreta a Angela com uma entrega impressionante. O roteiro foi assinado por Will McCormack e Rashida Jones, sendo uma adaptação em língua inglesa do excelente filme espanhol Sentimental (2020), do cineasta Cesc Gay. 

O elenco é uma das melhores coisas do filme. Temos uma química absurda em cena:

·         Seth Rogen como Joe: Ele faz o marido ranzinza e estressado. Rogen entrega aqui uma das atuações mais maduras e humanas da carreira dele, equilibrando o alívio cômico com o cansaço genuíno de um homem de meia-idade. 

·         Olivia Wilde como Angela: Ela vive a esposa frustrada que busca recuperar qualquer faísca de conexão ou emoção. 

·         Penélope Cruz como Piña: A vizinha do andar de cima, uma terapeuta e sexóloga expansiva, elegante e sem qualquer tabu. 

·         Edward Norton como Hawk: O vizinho bonachão, um ex-bombeiro que virou um tipo de livre-pensador moderno. Norton dá um espetáculo de carisma e cinismo suave. 

Onde o filme foi gravado e como é a trilha sonora?

A ambientação da história se passa na cidade de São Francisco, Califórnia, mas grande parte das filmagens internas aconteceu em estúdios em Los Angeles, além de algumas externas reais em transportes e bares de São Francisco. O filme foi todo rodado em película de 35 mm, o que garante uma textura quente, orgânica e muito intimista para o ambiente claustrofóbico do apartamento. 

Na parte musical, o compositor Devonté Hynes (também conhecido pelo projeto Blood Orange) assina uma trilha sonora sutil, que pontua com precisão os momentos de tensão e vergonha alheia. Destaque também para a inclusão da clássica faixa By Your Side, da cantora Sade, que encaixa perfeitamente no clima do filme.

O que torna O Convite um filme com bastidores tão curiosos?

Existem vários detalhes que deixam a produção ainda mais interessante quando a gente descobre como o filme foi feito:

·         Filmagem cronológica e rápida: O filme inteiro foi gravado em apenas 23 dias. O mais raro é que rodaram tudo na ordem exata dos acontecimentos da história, o que ajudou os atores a construírem a tensão do jantar de forma progressiva. 

·         Improviso brilhante: O monólogo emocionante que o personagem de Edward Norton faz no terceiro ato sobre o significado do seu nome foi escrito pelo próprio Norton. A reação e a resposta do Seth Rogen na cena foram 100% improvisadas na hora. 

·         Trajetória de prêmios: Estreou no Festival de Sundance de 2026 sob fortes aplausos e passou por festivais renomados como Locarno e Sydney, acumulando vitórias e indicações no circuito independente. 

·         Homenagem: O filme traz uma dedicatória especial nos créditos para a atriz Diane Keaton. 

Vale a pena assistir: qual é a minha crítica sobre o filme?

Sendo muito direto com você: vale cada minuto. Como homem, é impossível não olhar para o Joe (Seth Rogen) e não sentir uma ponta de empatia imediata por aquele cara. Ele representa bem o sujeito sufocado pelo peso da rotina, pelas dores físicas, pelas contas e pelo desgaste natural de anos de casamento. 

Ao mesmo tempo, o filme não passa a mão na cabeça de ninguém. Ele expõe com clareza como a falta de diálogo e a acomodação podem transformar dois parceiros em meros colegas de quarto ressentidos. Quando o casal do andar de cima chega com aquela postura aberta, moderna e aparentemente perfeitamente resolvida, a gente começa a ver que ninguém ali é imune a contradições e inseguranças. 

O roteiro acerta demais porque não cai no moralismo barato. Ele não tenta te convencer de que o estilo de vida tradicional é o único certo, nem que a liberdade sexual sem limites é a solução para todos os males. O filme usa o humor ácido para colocar um espelho na nossa frente. Os diálogos são afiados, as atuações do quarteto principal estão em perfeita sintonia e o ritmo não desacelera em momento nenhum. 

Se você gosta de produções com diálogos afiados, que misturam comédia inteligente com dramas reais sobre relacionamentos e maturidade, O Convite é uma das melhores surpresas do cinema em 2026. Pode dar o play sem medo, porque a conversa rende assunto para horas depois do fim dos créditos.

Zona Zero (Colony) (Gunche) (군체)

 


Puxa uma cadeira e pega um café, porque hoje a gente precisa trocar uma ideia sobre cinema de sobrevivência daquele jeito que a gente gosta: tenso, direto ao ponto e sem enrolação. Se você acompanhou a onda de Invasão Zumbi anos atrás, sabe que o diretor sul-coreano Yeon Sang-ho entende perfeitamente como colocar seres humanos no limite absoluto. Em Zona Zero (que você também vai encontrar por aí com o título original Gunche ou pelo nome internacional Colony), ele eleva essa claustrofobia a outro nível. 

Lançado em 2026, o filme chegou cercado de expectativa e já abriu sua trajetória internacional com moral, sendo exibido nas famosas sessões da meia-noite do Festival de Cannes. No IMDb, o longa vem mantendo uma nota sólida na casa dos 6,5 de 10, o que reflete bem a recepção de quem curte um suspense puxado para a ação e o terror biológico. 

Abaixo, vou te contar todos os detalhes, sem spoilers desnecessários, para você decidir se vale a pena separar duas horinhas do seu dia para encarar essa pedrada.

Qual é a história e o contexto inicial de Zona Zero?

A premissa do filme não perde tempo esquentando os motores. A história se passa no imponente edifício comercial Dongwoo-ri, em Seul. O local está sediando uma conferência de biotecnologia organizada pela empresa Chains Bio. A professora e cientista Kwon Se-jeong (interpretada pela excelente Jun Ji-hyun) chega ao evento tentando dar uma guinada na carreira após alguns percalços profissionais. 

O problema é que um biólogo ressentido, Seo Young-cheol (Koo Kyo-hwan), decide usar o local como palco para liberar uma bioarma derivada de um fungo mutante. Em questão de minutos, o caos se instala: a infecção se espalha numa velocidade insana, transformando os infectados e fazendo as autoridades isolarem completamente o prédio. O resultado é aquele cenário que a gente adora ver na tela: um grupo de sobreviventes trancado em uma estrutura gigante, onde as regras de sobrevivência mudam a cada andar.

Quem está no elenco e na direção deste suspense?

Na direção e no roteiro, temos o veterano Yeon Sang-ho dividindo a caneta com Choi Gyu-seok. O cara sabe conduzir multidões e criar cenas de ação física muito bem coreografadas. 

O elenco é uma seleção de peso do cinema e da TV sul-coreana:

·         Jun Ji-hyun como a professora Se-jeong, que precisa usar seu conhecimento científico para decifrar o comportamento dos infectados. 

·         Koo Kyo-hwan no papel do instável cientista Seo Young-cheol. 

·         Ji Chang-wook vivendo Choi Hyun-seok, um agente de segurança do prédio focado em salvar a irmã. 

·         Kim Shin-rok como Choi Hyun-hee, a irmã de Hyun-seok. 

·         Shin Hyun-been como Gong Seol-hee, pesquisadora que tenta entender o surto pelo lado de fora do prédio. 

·         Go Soo em uma participação especial marcante como o ex-marido de Se-jeong. 

A química entre eles funciona porque cada um reage à ameaça de forma muito visceral. Ninguém ali é super-herói; são pessoas comuns tentando resolver problemas práticos no meio do caos.

Quais são as curiosidades, locações e a trilha sonora de Zona Zero?

Uma das coisas que mais me chamou a atenção no filme foi a escolha do cenário principal. A locação do edifício Dongwoo-ri não é apenas um pano de fundo; a arquitetura fria e espelhada do prédio funciona quase como um personagem. Corredores estreitos, elevadores travados e garagens subterrâneas criam uma sensação constante de que não há para onde correr. 

Na parte musical, a trilha sonora composta por Chai Min-joo aposta no minimalismo. Em vez de utilizar orquestras exageradas, ela usa sons industriais e batidas graves que aceleram o coração nos momentos de perseguição, sabendo a hora exata de deixar o silêncio atuar para aumentar a tensão. 

Entre as curiosidades da produção, vale destacar que o orçamento ficou na casa dos 12 milhões de dólares (cerca de 17 bilhões de won), um valor relativamente enxuto para os padrões de Hollywood, mas que entrega efeitos visuais de primeira. Além disso, a ideia central do diretor era focar na inversão constante de papéis: quem parece forte no início pode fraquejar, e quem parecia acuado precisa tomar a frente.

Qual é a minha crítica honesta sobre a obra?

Sendo bem direto com você: Zona Zero entrega exatamente o que promete. O ritmo do filme é frenético. Desde o momento em que a contaminação começa no prédio, o diretor não dá folga para o espectador. 

A direção de fotografia acerta ao utilizar tons escuros e iluminação de emergência, o que reforça o clima claustrofóbico. A atuação de Ji Chang-wook se destaca na parte física e de combate, enquanto Jun Ji-hyun entrega o peso emocional e racional que segura a história. 

Se tem algo que pode incomodar quem busca algo mais profundo, é que o filme prioriza a adrenalina e o colapso imediato em detrimento de discussões filosóficas longas. Mas, sejamos sinceros, quando a gente entra no cinema para ver um suspense de contaminação e sobrevivência urbana, o que a gente quer é ver boas decisões sob pressão, tensão real e sequências de ação bem executadas. E nisso, o filme acerta em cheio. 

Se você gosta de cinema de gênero bem feito, com pegada firme e sem enrolação, pode colocar Zona Zero na sua lista sem medo. É diversão garantida para quem curte uma boa história de sobrevivência.

Mulher-Maravilha 1984 (Wonder Woman 1984)

 


Quando peguei um café para sentar e assistir a Mulher-Maravilha 1984 (Wonder Woman 1984), a minha expectativa estava lá no alto. O primeiro filme de 2017 tinha entregado uma das melhores produções de heróis dos últimos tempos, combinando ação pé no chão e boa construção de personagem. Lançado em 2020, no meio de um ano bem atípico para o cinema mundial, o longa chegou com a missão de expandir a história da defensora de Themyscira em uma época completamente diferente. 

Como apreciador de cinema, quadrinhos e boas produções de época, fiz questão de analisar cada detalhe técnico e narrativo dessa sequência. O resultado é uma experiência que diverte em vários momentos, acerta em cheio na estética visual, mas também tropeça em escolhas de roteiro que impedem o filme de alcançar o status de clássico.

Qual é a história e quem está no elenco de Mulher Maravilha 1984?

A trama nos joga diretamente no meio da década de 1980. Encontramos Diana Prince (interpretada por Gal Gadot) trabalhando como antropóloga no famoso Instituto Smithsonian, em Washington D.C. Ela vive de forma discreta, combatendo o crime anonimamente enquanto carrega a saudade constante de Steve Trevor (Chris Pine). 

A rotina muda quando um artefato místico capaz de realizar desejos cai nas mãos de dois novos personagens: a tímida geóloga Barbara Minerva (Kristen Wiig) e o ambicioso empresário falido Maxwell Lord (Pedro Pascal). A direção assinada por Patty Jenkins aposta no choque cultural dos anos 80, misturando a ganância desenfreada da época com o mito dos desejos que cobram um preço alto demais. 

Do ponto de vista de atuações, o destaque absoluto vai para Pedro Pascal. Ele entrega um vilão exagerado, carismático e desesperado, capturando perfeitamente aquele arquétipo do vendedor dos anos 80 que tenta transparecer um sucesso que não tem. Gal Gadot e Chris Pine mantêm uma química excelente na tela, garantindo que o lado emocional da história funcione de verdade.

Onde o filme foi gravado e como é a trilha sonora?

A produção não economizou nas locações reais para criar o clima oitentista. As filmagens passaram por Washington D.C. e pelo estado da Virgínia nos Estados Unidos, além de cenários marcantes na Inglaterra. As sequências de ação no deserto e na ilha das Amazonas foram gravadas na Espanha e nas Ilhas Canárias, especificamente em Tenerife, Fuerteventura e Almería. Usar cenários reais em vez de gravar tudo em estúdio fechado faz uma diferença enorme na textura visual das cenas de ação. 

No campo musical, o icônico compositor Hans Zimmer ficou responsável pela trilha original, criando temas vibrantes e cheios de percussão que combinam com o ritmo do filme. No entanto, um detalhe em especial me pegou totalmente de surpresa e se tornou o meu momento favorito da obra. 

Em uma das cenas, ouve-se a ária "Voi che sapete", da ópera As Bodas de Fígaro de Mozart. Como apreciador de ópera, ouvir esse clássico inserido no meio de um filme de super-herói foi sensacional. A escolha musical trouxe um toque de sofisticação e sensibilidade refinada que conversou diretamente com a postura elegante de Diana. É o tipo de detalhe técnico que eleva a experiência de quem presta atenção no design de som.

Quais prêmios e curiosidades marcam essa produção?

Nos bastidores, o filme traz pontos fascinantes de produção:

·         O shopping dos anos 80: A cena inicial do assalto ao shopping foi gravada no Landmark Mall, em Virginia. O local estava fechado desde 2017 e foi totalmente restaurado pela equipe de arte para parecer um centro comercial ativo de 1984, com lojas reais da época. 

·         A Armadura de Ásteria: O traje dourado com asas usado por Diana exigiu meses de trabalho. Ele era composto por mais de 100 peças individuais de ligas leves para permitir que Gal Gadot se movimentasse sem perder a imponência do visual. 

·         Efeitos práticos: Patty Jenkins optou por rodar muitas das cenas de voo e acidentes com dublês e cabos reais, evitando o excesso de computação gráfica sempre que possível. 

Em termos de premiações e reconhecimento da indústria, o longa se destacou principalmente nas categorias técnicas e de entretenimento. Ele venceu prêmios no Critics Choice Super Awards, onde Pedro Pascal e Kristen Wiig foram reconhecidos por suas atuações como vilões, além de receber indicações no Screen Actors Guild (SAG Awards) pela excelência do trabalho da equipe de dublês nas sequências de ação.

Vale a pena assistir: qual é a minha crítica de Mulher Maravilha 1984?

Olhando para o produto final de forma objetiva, o filme é um espetáculo visual honesto, mas tem problemas claros de ritmo e coesão. Atualmente, a obra ostenta uma nota 5.4 no IMDb, reflexo de como a recepção do público ficou dividida.

Pontos Positivos

·         Estética impecável: O figurino, as cores saturadas e a reconstrução dos anos 80 são impecáveis. 

·         Atuações e Química: A dinâmica entre Diana e Steve continua sendo o coração do filme, e Pedro Pascal rouba todas as cenas em que aparece. 

·         Momentos Musicais: A fusão entre o trabalho de Hans Zimmer e trechos eruditos como a ária de Mozart deu um charme único à sonoridade. 

Pontos Negativos

·         Duração e Ritmo: Com mais de 2 horas e meia de duração, o filme se perde em alguns trechos lentos no segundo ato. 

·         Regras do Artefato: A lógica por trás da pedra dos desejos é confusa e cria alguns furos de roteiro incômodos. 

·         Terceiro Ato: O confronto final substitui a ação física por um discurso motivacional que pode soar ingênuo demais para quem buscava um combate épico. 

Se você procura um filme com cenas de ação bem coreografadas, boa música e um clima nostálgico dos anos 80, Mulher-Maravilha 1984 entrega um bom entretenimento para o fim de semana. Não supera o original de 2017, mas ainda assim vale o tempo no sofá com uma boa xícara de café.

 

Mulher-Maravilha (Wonder Woman)

 


Como leitor de gibis desde tenra idade, sempre acompanhei de perto o universo dos filmes de heróis, e confesso que a DC Vinha me deixando com um pé atrás. Parecia que o estúdio tinha perdido a mão em criar histórias que realmente impactassem. Mas aí, em 2017, chegou às telonas Mulher-Maravilha (título original: Wonder Woman).
 

Fui ao cinema sem grandes expectativas, confesso. Mas saí da sala surpreso de um jeito muito positivo. O longa não só entregou uma baita história de origem, como reorganizou a casa dentro do universo cinematográfico da editora. Hoje sustentando uma nota respeitável de 7.3 no IMDb, o filme conseguiu algo difícil: agradar tanto quem já era fã de longa data quanto quem só queria ver um bom filme de ação na grande tela.

Qual é o enredo principal do filme da Mulher-Maravilha?

A trama nos tira da mesmice do gênero de super-heróis logo de cara. Acompanhamos a jornada de Diana, interpretada por Gal Gadot, criada na ilha paradisíaca e isolada de Themyscira. O ritmo muda completamente quando o piloto americano Steve Trevor (Chris Pine) cai no mar da ilha durante a Primeira Guerra Mundial. 

Ao descobrir o conflito brutal que devorava o mundo exterior, Diana decide deixar seu lar, convicta de que o deus da guerra, Ares, é o verdadeiro responsável pela tragédia. Ela parte para a Europa ao lado de Trevor para tentar pôr fim à guerra. É aí que a narrativa brilha, colocando a inocência e os ideais da protagonista em choque direto com a violência, as trincheiras e as contradições da humanidade.

Como foi a direção e o desempenho do elenco?

A direção ficou sob a responsabilidade de Patty Jenkins, que mandou bem demais ao equilibrar sequências de ação pesadas com o desenvolvimento de personagens. Ela não se perdeu no uso excessivo de efeitos e soube conduzir a história com consistência. 

No elenco, Gal Gadot provou ser a escolha perfeita para o papel. Ela trouxe uma imponência física e uma presença em cena impecáveis, sem deixar de lado a vulnerabilidade da personagem. Chris Pine deu um show de carisma como Steve Trevor, servindo como uma ótima âncora terrestre e sem apagar o protagonismo de Diana. O grupo ainda conta com grandes nomes como Robin Wright (General Antiope), Connie Nielsen (Rainha Hipólita) e David Thewlis (Sir Patrick / Ares).

Onde foram feitas as filmagens e como é a trilha sonora?

Visualmente, a produção mandou muito bem na escolha das locações. As cenas da ilha de Themyscira foram gravadas na deslumbrante Costa Amalfitana e na região da Apúlia, na Itália, criando aquele contraste épico e solar. Já a ambientação da Primeira Guerra Mundial usou o Reino Unido e a França para entregar cenários cinzentos, sujos e pesados, perfeitos para o tom do conflito. 

Na parte musical, a trilha sonora composta por Rupert Gregson-Williams faz um trabalho exemplar. O grande destaque, claro, é a marcante e agressiva melodia com guitarra elétrica da heroína (criada originalmente por Hans Zimmer e Junkie XL em Batman vs Superman), que entra nos momentos exatos para elevar a adrenalina dos confrontos.

O que torna a crítica do filme e suas curiosidades tão marcantes?

Minha leitura crítica da obra é muito clara: este é um dos filmes de herói mais bem estruturados dos últimos anos. A cena em que Diana avança sozinha pela "Terra de Ninguém" (No Man's Land), peitando os tiros de metralhadora nas trincheiras para salvar uma vila, é um dos momentos mais épicos e bem dirigidos do cinema moderno de ação. A produção recebeu diversos prêmios da indústria, incluindo o de Melhor Filme de Ação no Critics' Choice Movie Awards. 

Nos bastidores, o filme guarda detalhes bem interessantes:

·         Gal Gadot grávida: Durante as refilmagens de algumas cenas de ação, Gal Gadot estava grávida de cinco meses. A equipe precisou colocar um tecido verde sobre sua barriga para apagá-la na pós-produção. 

·         Treinamento pesado: Para viver as amazonas, as atrizes passaram por meses de treinamento físico intenso, envolvendo artes marciais, montaria a cavalo e treino com espadas. 

·         Quebra de recordes: Na época, Patty Jenkins tornou-se a primeira mulher a dirigir um filme de super-herói de alto orçamento com uma protagonista feminina, além de bater recordes de bilheteria global. 

Se você procura um filme de ação com combate bem coreografado, boas atuações e uma história que realmente prende do começo ao fim, Mulher-Maravilha é uma pedida obrigatória.