Sempre fui do tipo de cara que curte sentar no cinema, abrir uma cerveja gelada depois do expediente e ver a porrada comer em filme de herói. Mas confesso que, lá em 2018, quando paguei o ingresso para ver Pantera Negra (Black Panther), eu esperava só mais um capítulo divertido do Universo Cinematográfico da Marvel. O que encontrei na tela, no entanto, foi um espetáculo insano, com peso dramático de sobra e uma presença de cena impressionante.
Lançado
oficialmente em 2018 sob a direção certeira de Ryan Coogler, o
longa não é apenas um dos maiores sucessos de bilheteria da Marvel —
arrecadando mais de 1,3 bilhão de dólares —, mas também ostenta uma respeitável
nota 7.3 no IMDb. Não é à toa que o filme furou a bolha do gênero e se tornou um marco
absoluto do cinema pop recente.
Qual é a verdadeira história por trás
de Pantera Negra?
A trama nos apresenta a Wakanda, uma nação africana ultra-tecnológica
que se esconde do resto do mundo sob a fachada de um país de terceiro mundo. O filme começa logo após os eventos de Capitão América: Guerra
Civil, acompanhando o príncipe T'Challa voltando para casa para assumir o
trono e o manto do protetor do seu povo após a morte do pai.
Para dar vida a esse universo fascinante, a produção usou como locação principal o estado da Geórgia (nos estúdios em
Atlanta), além de captar paisagens deslumbrantes na África do Sul, Zâmbia e
Coreia do Sul (onde acontece a insana cena de perseguição de carros).
O elenco é um show à parte e entrega atuações de peso:
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Chadwick Boseman como T'Challa / Pantera Negra
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Michael B. Jordan como Erik Killmonger
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Lupita Nyong'o como Nakia
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Danai Gurira como Okoye
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Letitia Wright como Shuri
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Daniel Kaluuya, Angela Bassett, Forest Whitaker e Andy Serkis
A química entre eles segura o roteiro com firmeza, transformando
rivalidades políticas e dilemas de liderança em algo convincente e envolvente.
O que torna o vilão Killmonger tão
marcante?
Se tem uma coisa que me ganha em um filme de ação é um antagonista que
não é mau apenas por ser. Erik Killmonger, interpretado com uma intensidade
brutal por Michael B. Jordan, é facilmente um dos melhores vilões da história
dos filmes de herói.
Ele não quer destruir o mundo por capricho. Ele tem uma motivação real,
moldada pelo abandono, pela dor e pela revolta contra a desigualdade global.
A dinâmica entre a visão tradicionalista e isolacionista de T'Challa e a
postura revolucionária e agressiva de Killmonger força o próprio herói a evoluir.
Essa dualidade de visões sobre como usar o poder e o recurso do país dá uma
profundidade rara ao roteiro.
Quais prêmios e detalhes marcaram a
produção?
A excelência técnica de Pantera Negra não
passou despercebida pela academia. O filme fez história ao se
tornar o primeiro longa de super-herói indicado ao Oscar de Melhor Filme.
No total, levou 3 estatuetas do Oscar:
1. Melhor Figurino (Ruth E. Carter)
2. Melhor Design de
Produção (Hannah Beachler)
3. Melhor Trilha
Sonora Original (Ludwig Göransson)
A trilha sonora, inclusive, é um capítulo isolado. Ludwig
Göransson viajou para a África para pesquisar ritmos tradicionais e fundiu
instrumentos locais com arranjos orquestrais e batidas de hip-hop, além do
álbum curado por Kendrick Lamar. O resultado na tela é arrepiante.
Curiosidades do filme:
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Arte Marcial Real: As cenas de luta
de T'Challa foram baseadas em artes marciais reais como Capoeira, Wrestling
africano e Muay Thai.
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Língua de Wakanda: O idioma oficial
falado em Wakanda no filme é o Xhosa, uma das
línguas oficiais da África do Sul, sugestão do ator John Kani (rei T'Chaka).
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Treinamento Intenso: Michael B. Jordan
passou por meses de treino pesado de musculação e combate tático para atingir o
físico intimidador de Killmonger.
Vale a pena assistir Pantera Negra
hoje?
Sem sombra de dúvidas. Pantera Negra
envelheceu como um bom vinho. Ele entrega a ação que a gente espera — combates
corpo a corpo muito bem coreografados, perseguições de alta velocidade e
tecnologia de ponta —, mas sem entregar a alma para o excesso de efeitos
computadorizados vazios.
O filme discute honra, responsabilidade com os vulneráveis e o peso do
legado. Assistir à atuação de Chadwick Boseman hoje traz um aperto no peito
devido à sua partida precoce em 2020, mas sua presença em cena continua
imponente e inspiradora. É um espetáculo robusto, equilibrado e que honra cada
minuto do seu tempo no sofá.