Argo

 


Se você curte cinema de suspense e histórias reais daquelas que parecem loucura demais para serem verdade, com certeza já ouviu falar de Argo. Eu assisti ao filme novamente outro dia e preciso confessar: mesmo sabendo como a história termina, a tensão me pegou do início ao fim.

Hoje quero trocar uma ideia com você sobre essa obra-prima do cinema moderno, passando por tudo o que faz desse longa uma experiência marcante. Pega o café e vem comigo.

O que é o filme      e por que ele chamou tanto a atenção?

Para entender o impacto da história, a gente precisa voltar um pouco no tempo. O filme se passa em 1979, em meio à Revolução Iraniana, quando a embaixada dos Estados Unidos em Teerã foi invadida e dezenas de americanos foram feitos reféns. Só que seis diplomatas conseguiram escapar por uma porta dos fundos e se esconderam na embaixada do Canadá.

É aí que entra o protagonista da vida real, o agente da CIA Tony Mendez. O plano dele para resgatar o grupo era inacreditável: fingir que eles eram uma equipe de filmagem canadense procurando locações no Irã para uma ficção científica de baixo custo chamada, justamente, Argo.

Lançado em 2012, o filme tem o título original idêntico: Argo. Ele combina aquela pegada clássica dos thrillers dos anos 70 com o ritmo ágil do cinema atual. Não à toa, ostenta uma excelente nota de 7,7 no IMDb, consolidando-se como um dos grandes filmes daquela década.

Quem está por trás da direção e do elenco de Argo?

O grande nome por trás do projeto é Ben Affleck, que não só estrelou o longa como o agente Tony Mendez, mas também assumiu a direção. Na época, muita gente duvidava do talento dele como diretor, mas o cara entregou uma condução impecável, segura e cheia de estilo.

O elenco dá um show à parte e ajuda a dar o tom perfeito entre a tensão política no Oriente Médio e a ironia de Hollywood:

·         Bryan Cranston interpreta Jack O'Donnell, o superior de Mendez na CIA.

·         Alan Arkin vive Lester Siegel, um produtor de Hollywood veterano e cínico.

·         John Goodman faz o papel de John Chambers, o maquiador vencedor do Oscar que ajuda a criar a farsa.

As atuações do Alan Arkin e do John Goodman trazem um alívio cômico cirúrgico. A dinâmica entre eles escancara como o universo do cinema pode ser absurdo, criando um contraste muito interessante com o perigo real enfrentado no Irã.

Onde Argo foi gravado e como é a sua produção?

Embora a trama se passe em Teerã, a equipe não podia gravar no Irã por razões óbvias de segurança e geopolítica. A solução foi usar a cidade de Istambul, na Turquia, como locação principal para simular as ruas movimentadas e o clima tenso do Oriente Médio no final da década de 70. Algumas cenas também foram rodadas em Los Angeles e Washington.

Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora, composta por Alexandre Desplat. A música ajuda a construir o clima de urgência sem ser espalhafatosa, misturando instrumentos tradicionais do Oriente Médio com orquestra ocidental. Além disso, o filme conta com clássicos do rock da época, como faixas do The Rolling Stones e Dire Straits, o que ajuda a situar a gente na época quase instantaneamente.

Essa atenção aos detalhes rendeu uma chuva de premiações. O filme foi o grande vencedor do Oscar de Melhor Filme naquele ano, além de levar as estatuetas de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Também faturou prêmios importantes no Globo de Ouro e no BAFTA.

Quais são as melhores curiosidades sobre a história real de Argo?

Sempre que vejo um filme baseado em fatos, fico curioso para saber o que realmente aconteceu e o que foi invenção de Hollywood. Com esse não foi diferente. Olhe só algumas curiosidades interessantes sobre a produção:

·         A participação do Canadá foi minimizada: Na vida real, o embaixador canadense Ken Taylor e seu país tiveram um papel muito mais ativo no resgate do que o mostrado no longa, que focou bastante no heroísmo da CIA.

·         O roteiro do filme falso existia de verdade: A CIA usou o roteiro de um filme não produzido chamado Lord of Light, baseado em um romance de ficção científica, e apenas mudou o nome para Argo.

·         Tensão criada para a tela: A famosa cena do clímax no aeroporto, com os carros da polícia correndo atrás do avião na pista, nunca aconteceu na vida real. A saída dos diplomatas foi bem mais tranquila, mas a licença poética funcionou bem demais para o cinema.

Por que vale a pena assistir a esse clássico do suspense?

Na minha opinião, a grande força do filme está em como ele constrói o suspense. Você sabe o resultado da história, sabe que é uma reconstituição, mas mesmo assim fica com o coração na boca nas cenas de checagem de passaporte e na abordagem das autoridades locais.

Ben Affleck conseguiu equilibrar a sobriedade de um drama político com a inteligência de um thriller de espionagem. Não há espaço para exageros ou heroísmo caricato; os personagens parecem homens e mulheres comuns colocados em uma situação limite, precisando resolver problemas complexos na base do improviso e da coragem.

Se você gosta de histórias bem contadas, com reconstituição histórica impecável e aquele clima de tensão que segura do começo ao fim, esse longa é parada obrigatória. É o tipo de filme direto, inteligente e extremamente divertido de assistir em uma noite de fim de semana.

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