Quando saí do cinema em maio de 2022, precisei de alguns minutos para assimilar o que tinha acabado de ver. Eu já esperava uma aventura grandiosa da Marvel, mas o resultado entregou uma experiência bem diferente do padrão do estúdio. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (com o título original Doctor Strange in the Multiverse of Madness) chegou para chacoalhar a Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) e dividiu opiniões de um jeito que poucos filmes de herói conseguem.
O que torna a história
de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tão diferente?
A trama começa logo
após os eventos de Homem-Aranha:
Sem Volta Para Casa e da série WandaVision. Stephen Strange encontra a jovem America
Chavez, uma garota capaz de abrir portais físicos entre dimensões paralelas. O
problema é que ela está sendo caçada por forças obscuras que querem roubar esse
poder a qualquer custo.
Quando Strange busca
ajuda de Wanda Maximoff, ele descobre que a maior ameaça não vem de outra
dimensão desconhecida, mas de dentro do próprio time de Vingadores. Tomada pelo
luto e corrompida pelo livro de magia negra Darkhold, Wanda se torna a Feiticeira Escarlate
definitiva, disposta a destruir realidades inteiras para se reencontrar com os
filhos.
Essa premissa
transforma o filme em uma verdadeira perseguição sem pausas. É uma história de
ritmo acelerado, cheia de momentos de tensão pura e confrontos brutais que
fogem bastante da fórmula tradicional da Marvel.
Quem está no comando e
no elenco desse caos multiversal?
A grande virada de
chave no projeto foi a escolha do diretor Sam Raimi. Conhecido por comandar a trilogia clássica
do Homem-Aranha nos anos 2000 e por ser uma lenda do
terror com a franquia Uma Noite
Alucinante (Evil Dead),
Raimi imprimiu sua assinatura visual em cada cena. O filme foi rodado
majoritariamente no Reino Unido, passando pelos estúdios Longcross em Surrey,
além de locações externas em Londres e Los Angeles.
O elenco segura o peso
da narrativa com atuações marcantes:
·
Benedict Cumberbatch volta com maestria como Stephen Strange, interpretando
também diversas variantes do mago ao longo das dimensões.
·
Elizabeth Olsen dá um espetáculo como Wanda Maximoff, entregando uma
vilã assustadora e humana ao mesmo tempo.
·
Xochitl Gomez estreia com ótima energia como America Chavez.
·
Benedict Wong consolida o carisma de Wong como o Mago Supremo.
·
Rachel McAdams ganha mais espaço e relevância como Christine Palmer.
·
Chiwetel Ejiofor retorna como uma versão alternativa de Mordo.
Para completar a
atmosfera, a trilha sonora ficou sob a responsabilidade do lendário Danny Elfman. A música não é apenas um fundo acústico:
ela se torna parte da ação em um duelo épico onde Strange e sua versão sombria
usam notas musicais de pauta como projéteis mágicos.
Quais são as melhores
curiosidades e bastidores do filme?
Se você gosta de
detalhes de produção, essa obra tem bastidores fascinantes que mostram como o
cinema de grande orçamento funciona na prática:
·
Troca de direção: O diretor do primeiro filme, Scott Derrickson, deixou a
sequência por divergências criativas quando a Marvel buscou um tom específico.
Sam Raimi assumiu o projeto e reestruturou boa parte do tom visual.
·
Camafeu icônico: Como tradicional em produções de Raimi, seu amigo de
infância Bruce Campbell faz uma aparição cômica memorável como o vendedor de
esferas de pizza na Terra-838.
·
Abertura para o terror: É oficialmente um dos filmes mais sombrios do MCU,
contando com possessões corporais, monstros com tentáculos e sequências no
estilo "slasher" protagonizadas pela Feiticeira Escarlate.
·
Reconhecimento e prêmios: A produção venceu prêmios no Saturn Awards (incluindo Melhor Filme de Super-Herói) e
no People's Choice Awards, além de entrar na pré-lista do
Oscar na categoria de Melhores Efeitos Visuais.
Qual é a crítica real
sobre o resultado final da obra?
Analisando a obra de
forma direta e sem rodeios, o filme acertou muito na coragem de arriscar. A
direção de Sam Raimi é o ponto alto: os ângulos de câmera dinâmicos, o uso
inteligente de transições e a coragem de mostrar cenas de combate viscerais dão
uma personalidade única ao longa. A sequência dos Illuminati, por exemplo, é um
prato cheio para quem gosta de reviravoltas chocantes e sem floreios.
Por outro lado, o
Roteiro de Michael Waldron sofre com o ritmo acelerado. Em certos momentos, a
necessidade de mover os personagens de uma dimensão para outra impede que
alguns conflitos emocionais respirem com a calma necessária. A motivação de
Wanda é extremamente compreensível, mas a transição direta para uma postura
implacável pode soar brusca para quem não acompanhou todas as produções
anteriores.
Mesmo com essas
ressalvas no ritmo, o saldo final é muito positivo. O filme entrega um
espetáculo visual de alto nível, atuações convincentes e a sensação de que o
MCU pode, sim, sair da zona de conforto quando permite que diretores autoriais
deixem sua marca. É um blockbuster sólido, divertido e que cumpre bem o seu
papel de entretenimento sem enrolação.
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