O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)


Sabe aquele tipo de filme que você assiste e, assim que os créditos começam a rolar, dá vontade de puxar uma cadeira, abrir uma cerveja ou passar um café e ficar horas conversando sobre cada detalhe? Foi exatamente essa a sensação que tive quando assisti a O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel) pela primeira vez.

Lançado em 2014, o longa é uma daquelas obras raras no cinema moderno que conseguem unir uma estética impecável, um ritmo dinâmico de comédia de aventura e uma profundidade melancólica surpreendente. Não à toa, a produção ostenta uma respeitável nota 8.1 no IMDb, consolidando-se como um clássico instantâneo da década.

Qual é a história por trás de O Grande Hotel Budapeste?

A trama se passa no fictício país europeu de Zubrowka, durante os anos entre guerras, e nos leva para dentro de um hotel de luxo em seu período de glória. Eu me vi preso logo de cara pela rotina do lendário gerente Monsieur Gustave H., um homem refinado, extremamente vaidoso e obcecado por oferecer o melhor serviço possível às suas clientes, em sua maioria senhoras idosas e abastadas.

A vida de Gustave muda completamente quando ele faz amizade com Zero Moustafa, o jovem e dedicado mensageiro do hotel. Quando uma das clientes frequentes de Gustave morre de forma misteriosa e deixa para ele um valiosíssimo quadro renascentista, o gerente se torna o principal suspeito de assassinato. A partir daí, o filme engata uma engrenagem ágil de fuga da prisão, perseguições na neve e disputas pela herança de uma família aristocrática gananciosa. É uma história sobre amizade, honra e a busca por manter a elegância em um mundo que está prestes a ruir.

Quem está por trás da direção e do elenco estrelado?

Quem comanda essa orquestra visual é o cineasta Wes Anderson, um diretor conhecido por sua simetria obsessiva, paleta de cores marcante e ritmo de diálogo acelerado. Aqui, Anderson entregou o que considero o auge da sua maturidade artística.

O elenco reunido é simplesmente absurdo. Ralph Fiennes entrega uma das melhores atuações da sua carreira como Gustave, mesclando uma compostura aristocrática com tiradas cômicas e palavrões inesperados na hora certa. O estreante Tony Revolori faz um contraponto perfeito como o jovem Zero. Ao lado deles, temos nomes do primeiro time de Hollywood:

  • Saoirse Ronan como Agatha, a corajosa confeiteira e par romântico de Zero.

  • Willem Dafoe no papel de um assassino de aluguel assustador e implacável.

  • Adrien Brody como o vilão invejoso e herdeiro mimado.

  • Edward Norton interpretando o capitão da polícia encarregado da investigação.

  • Aparições marcantes de veteranos como Jeff Goldblum, Jude Law, Bill Murray, Owen Wilson, Harvey Keitel e uma irreconhecível Tilda Swinton.

Onde o filme foi gravado e como sua estética foi construída?

Se você achava que o hotel do filme ficava em Budapeste ou em algum resort congelado da Europa Central, a realidade das gravações vai te surpreender. As filmagens aconteceram na histórica cidade de Görlitz, na Alemanha, bem na fronteira com a Polônia. O interior do hotel, com seu átrio grandioso e varandas esculpidas, foi montado dentro do Görlitzer Warenhaus, uma antiga loja de departamentos abandonada em estilo Art Nouveau. Já os cenários externos e sequências de estúdio foram produzidos nos tradicionais estúdios de Babelsberg, próximos a Berlim.

Outro ponto alto da estética é a trilha sonora fantástica composta por Alexandre Desplat. Em vez de uma orquestra tradicional, Desplat usou instrumentos folclóricos russos e do leste europeu, como balalaicas e cimbalos. O resultado é um som vibrante que guia o ritmo acelerado da narrativa.

Curiosidades marcantes do filme

  • Mudança de proporção de tela: Wes Anderson usou três formatos de tela diferentes no filme para indicar em qual época a cena se passava. As cenas nos anos 1930 usam o formato quase quadrado (1.37:1), as dos anos 1960 usam widescreen (1.85:1) e as dos anos 1980 usam o formato anamorfico tradicional (2.35:1).

  • Minimodelos reais: Para as cenas externas do hotel no topo da montanha e do bondinho, a produção não usou computação gráfica pesada, mas sim maquetes detalhadas feitas à mão.

  • Doces de verdade: Os famosos doces Mendl's que aparecem na trama foram criados por um padeiro local de Görlitz, e a atriz Saoirse Ronan teve que aprender a confeccioná-los na prática para fazer o papel.

Quais prêmios O Grande Hotel Budapeste conquistou e por que vale a pena assistir?

O impacto do filme na indústria foi gigantesco. No Oscar de 2015, a produção foi indicada a 9 categorias e levou 4 estatuetas para casa: Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Penteado. Além disso, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme na categoria Comédia ou Musical.

Olhando para a obra como um todo, minha crítica a O Grande Hotel Budapeste é extremamente positiva. O filme funciona em duas camadas muito distintas. À primeira vista, é uma comédia rápida, engenhosa e divertida, cheia de soco na cara, fugas mirabolantes e tiradas afiadas. É aquele cinema de entretenimento puro que te prende do primeiro ao último minuto.

Porém, por baixo de todo o colorido e das piadas, há uma melancolia profunda. O filme retrata o fim de uma era de cavalheirismo e cultura na Europa diante da chegada da barbárie do fascismo. Gustave representa a insistência em manter a civilidade e a gentileza mesmo quando o mundo ao redor está desmoronando. É essa mistura de humor inteligente, ação dinâmica e uma pitada justa de nostalgia que faz desta obra-prima um filme obrigatório para qualquer fã de cinema.

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