Quando resolvi reassistir X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past), queria entender se ele ainda segurava o rojão como um dos pontos altos da Marvel nos cinemas. E a resposta é direta: segura, e muito.
Lançado
em 2014 com um orçamento robusto de mais de 200 milhões de dólares, o
longa dirigido por Bryan Singer tem uma nota expressiva de 7.9 no
IMDb e cravou 90% de aprovação da crítica. O filme é um divisor de águas
na franquia porque conseguiu unir o elenco clássico da trilogia dos anos 2000 —
como Patrick Stewart (Professor X), Ian McKellen (Magneto) e Hugh Jackman
(Wolverine) — com a turma mais jovem apresentada em Primeira Classe,
liderada por James McAvoy, Michael Fassbender e Jennifer Lawrence.
Para tirar essa superprodução do papel, a equipe fincou base principal
nas locações de Montreal, no Canadá, recriando
desde Paris até Washington D.C. E a trilha sonora, assinada por John Ottman, não só resgatou os temas épicos dos
mutantes como embalou perfeitamente uma das cenas de ação mais marcantes do
cinema moderno ao som de Time in a Bottle, do
Jim Croce. O filme ainda recebeu uma indicação ao Oscar de Melhores Efeitos
Visuais, marcando a primeira vez que um longa dos X-Men chegou à
premiação da Academia.
Por que a premissa de viagem no tempo
funciona tão bem aqui?
Viagem no tempo em filme de herói costuma dar nós na cabeça, mas aqui a
ideia é direta e sem enrolação. Estamos em um futuro distópico
e devastado no ano de 2023, onde robôs caçadores chamados Sentinelas dizimaram
quase todos os mutantes e humanos. A única saída desesperada da
resistência é mandar a mente de Logan (Wolverine) de volta para 1973.
A missão é visceral: impedir que a Mística (Jennifer Lawrence) assassine
o criador das Sentinelas, Bolivar Trask (Peter Dinklage). Esse assassinato é o
gatilho histórico que faz o governo acelerar o programa de caça aos mutantes. O
roteiro acerta em cheio ao colocar Wolverine como o cara que precisa unir um
jovem e desacreditado Charles Xavier com um furioso Erik Lehnsherr. Ver o cara
mais casca-grossa da equipe ter que atuar como mentor e diplomata traz uma
dinâmica sensacional para a narrativa.
Como o filme consegue equilibrar
tantas estrelas no elenco?
Reunir duas gerações de atores pesados em um só filme tinha tudo para
dar errado ou virar uma bagunça de egos, mas a direção de Bryan Singer roda com
a precisão de um motor bem regulado.
O grande mérito do filme é dar o peso dramático correto para cada
núcleo. Enquanto no futuro temos o tom sombrio e tenso da sobrevivência — com
Bishop, Blink, Colossus e Homem de Gelo lutando até o último cartucho —, no
passado dos anos 70 temos um thriller político e de espionagem. McAvoy entrega
um Xavier quebrado pela dor e pelas drogas, enquanto Fassbender exala a
imponência moral do Magneto. Hugh Jackman amarra as duas pontas com o carisma
habitual, sem roubar o espaço do desenvolvimento dos outros personagens.
Quão insana é a famosa cena do
Mercúrio e as curiosidades dos bastidores?
Não tem como falar desse filme sem citar a sequência do Mercúrio (Evan
Peters) no Pentágono. A cena em que ele desarma os guardas em supervelocidade
enquanto tudo corre em câmera lenta ao som de Time in a Bottle é
uma aula de cinema. Para filmar aqueles poucos minutos, a produção usou câmeras
de alta velocidade gravando a 3.200 quadros por segundo e uma parafernália de
iluminação gigante.
Nos bastidores, as curiosidades mostram o tamanho do desafio:
·
O terno de 200 quilos: A armadura
completa dos Sentinelas do futuro foi construída em escala real e pesava
centenas de quilos em algumas estruturas de estúdio.
·
A Rogue Cut: Anna Paquin (Vampira) gravou uma
subpartida inteira de resgate no futuro que acabou sendo cortada da versão de
cinema para enxugar o ritmo, sendo lançada mais tarde em uma versão estendida.
·
A rotina de Jackman: Hugh Jackman
precisou passar por treinos insanos de musculação para voltar ao físico do
Wolverine, mesmo já estando com mais de 40 anos na época do filme.
O filme envelheceu bem e ainda vale a
pena assistir hoje?
Analisando a obra como um todo, o filme não só envelheceu como um bom
vinho, mas permanece como o topo do panteão dos mutantes no cinema. Ele entrega
tudo o que um fã de ficção e ação busca: apostas altas, batalhas empolgantes,
carga dramática de verdade e um respeito enorme ao material de origem das HQs
assinado por Chris Claremont e John Byrne.
O
ritmo não desacelera, os efeitos visuais continuam impressionantes e o
encerramento do arco é um presente para quem acompanhou a saga desde o ano
2000. Se você busca um filme de herói que trate o espectador com inteligência e
entregue sequências de ação de tirar o fôlego, Dias de Um Futuro Esquecido
continua sendo uma pedida obrigatória no topo da lista.
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