Cara, se tem uma franquia que passou por altos e baixos no cinema, essa franquia é a dos mutantes da Marvel. E hoje eu decidi sentar para conversar sobre um dos capítulos mais controversos e comentados dessa jornada: X-Men: Fênix Negra (X-Men: Dark Phoenix). Lançado em 2019, o longa chegou com a promessa de encerrar a saga principal dos heróis sob o comando da Fox, adaptando um dos arcos mais icônicos e poderosos dos quadrinhos. Como um bom fã de ficção científica e ação, eu esperava uma despedida épica, daquelas de colar na cadeira. Mas a realidade dos bastidores e as escolhas de roteiro entregaram um resultado bem diferente do planejado. Vamos dissecar juntos o que funcionou e o que naufragou nessa produção?
Por que a saga da
Fênix Negra é tão importante para os fãs?
Para entender o peso
desse filme, a gente precisa voltar um pouco no tempo. A HQ da Saga da Fênix Negra, escrita por Chris Claremont nos
anos 1980, é considerada por muitos a maior história dos X-Men. Ela mostra a
transformação de Jean Grey de uma heroína contida para uma força cósmica
instável e destruidora. O cinema já tinha tentado fazer isso em 2006 com X-Men: O Confronto Final, e o resultado foi bem
decepcionante.
Então, quando
anunciaram que o diretor Simon Kinberg (que também foi roteirista do filme de
2006) assumiria o projeto para fazer justiça à história, a expectativa foi lá
no alto. A ideia era focar no drama psicológico e na ação espacial, mostrando
como o poder absoluto pode corromper até a mais pura das mentes. No papel, a
premissa é fantástica, mas a execução esbarrou em problemas sérios de ritmo.
Quem está por trás e
na frente das câmeras neste capítulo final?
O comando do filme
ficou nas mãos de Simon Kinberg, estreando na direção, após anos produzindo e
escrevendo para a franquia. No elenco principal, temos o retorno da galera que
vinha mandando muito bem desde Primeira
Classe: James McAvoy como o ambicioso Professor Charles Xavier,
Michael Fassbender entregando tudo na intensidade do Magneto, e Jennifer
Lawrence como a mística — que aqui já parecia um pouco cansada do papel.
Sophie Turner assume o
protagonismo absoluto como Jean Grey, e o filme ainda traz a excelente Jessica
Chastain como uma vilã alienígena sem muito carisma, infelizmente. Grande parte
das filmagens aconteceu em Montreal, no Canadá, que serviu de palco para
recriar desde os subúrbios americanos até os cenários de destruição total que a
mutante nível Ômega causa ao perder o controle. Na avaliação do público no
IMDb, o filme amarga uma nota 5.7, o que reflete bastante a recepção morna da
crítica e dos fãs na época.
Quais são as maiores
curiosidades dos bastidores de Fênix Negra?
Se tem uma coisa que
me fascina no cinema são as histórias de bastidores, e este filme tem um
caminhão delas. Separar o que aconteceu por trás das câmeras ajuda muito a
entender o produto final que chegou aos cinemas.
·
O final original foi totalmente alterado: O desfecho do filme seria uma batalha espacial maciça
contra uma invasão alienígena (os Skrulls). No entanto, o final foi modificado
e refilmado porque, segundo rumores, era muito parecido com o de outro filme de
super-herói recente da época (especula-se que fosse Capitã Marvel ou Capitão América: Guerra Civil). A batalha final acabou
sendo transferida para um trem militar na Terra.
·
A compra da Fox pela Disney mudou tudo: No meio das gravações e da pós-produção, a Disney
comprou a Fox. Isso jogou um balde de água fria na equipe, pois todos já sabiam
que o universo dos mutantes seria reiniciado no MCU (Universo Cinematográfico
da Marvel) mais cedo ou mais tarde, tirando o peso de "continuidade"
do projeto.
·
Era para ser dividido em duas partes: O plano inicial de Kinberg era contar essa história
densa em dois filmes. O estúdio acabou cortando a ideia e exigindo que tudo
fosse resolvido em apenas uma produção, o que explica o desenvolvimento corrido
de vários personagens.
Vale a pena assistir
ou o filme é um erro completo?
Sendo bem direto com
você: o filme não é o desastre completo que a internet pintou no lançamento,
mas passa longe de ser um clássico como Dias de um Futuro Esquecido ou X-Men 2. O ponto forte, sem dúvidas, é a dinâmica entre
o Magneto de Fassbender e o Xavier de McAvoy. Ver os dois lados dessa moeda
ideológica colidirem de novo sempre vale o ingresso. A trilha sonora do mestre
Hans Zimmer também é absurda, trazendo um tom sombrio e tenso que eleva várias
cenas.
Por outro lado, o
roteiro falha em dar peso emocional à queda de Jean Grey. A ameaça alienígena
parece jogada de última hora e os novos mutantes são meros capangas de luxo
para sequências de pancadaria. A sequência de ação no trem é muito bem
coreografada e mostra o poder bruto dos personagens, garantindo uma boa dose de
adrenalina para quem curte um bom quebra-pau, mas falta alma para conectar o
espectador ao destino daquela família que acompanhamos por quase duas décadas.
No fim das contas, serve como um passatempo honesto de ação, mas fica aquele
gosto amargo de que os mutantes mereciam uma despedida muito mais imponente.
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