Wolverine: Imortal (The Wolverine)

 


Se você curte uma boa história de ação, com certeza já parou para acompanhar a jornada do mutante mais casca-grossa dos quadrinhos. Pensar no Logan é pensar em brigas de bar, garras de adamantium e uma fúria incontrolável. Mas em Wolverine: Imortal, a pegada muda um pouco. Lançado no ano de 2013, o longa decide despir o herói de quase tudo o que o torna invencível para focar naquilo que realmente importa: o peso da sua eternidade.

Depois dos eventos trágicos que rolaram na trilogia principal dos X-Men, encontramos um protagonista quebrado, vivendo isolado nas florestas como um bicho ferido. Ele carrega a culpa e o fantasma do seu grande amor, Jean Grey (Famke Janssen). É nesse cenário de isolamento que surge o convite para ir ao Japão, onde um velho conhecido da Segunda Guerra Mundial promete lhe dar o que ele mais deseja: o fim da sua imortalidade. Com o título original de The Wolverine e atualmente ostentando uma nota IMDb de 6,7, o filme traz uma proposta diferente, focada na honra, no sacrifício e no declínio físico de um guerreiro.

Qual é a verdadeira história por trás de Wolverine: Imortal?

A trama nos puxa diretamente para o submundo da Yakuza e dos clãs samurais. O diretor James Mangold — o mesmo cara que mais tarde nos entregaria a obra-prima Logan — optou por adaptar um arco clássico dos gibis dos anos 80, escrito por Chris Claremont e Frank Miller.

A grande sacada aqui é tirar o herói da sua zona de conforto e jogá-lo em uma cultura totalmente diferente, onde a força bruta não dita todas as regras. O elenco conta com Hugh Jackman destilando carisma e uma forma física impressionante no papel principal. Ao lado dele, temos excelentes atores orientais que dão o tom da produção, como Hiroyuki Sanada interpretando o rival Shingen, Tao Okamoto como Mariko e Rila Fukushima na pele da letal Yukio. A história flui bem justamente porque se ancora no choque cultural e na vulnerabilidade do protagonista, que se vê obrigado a sangrar e demorar para cicatrizar como qualquer homem comum.

Onde o filme foi gravado para garantir esse visual único?

Para entregar a imersão que a narrativa exigia, a principal locação do longa foi a própria terra do sol nascente. Boa parte das filmagens externas aconteceu no Japão, incluindo cenários emblemáticos em Tóquio, como o templo Zojoji, e na belíssima Ilha de Omishima.

Esses ambientes reais fazem toda a diferença na tela. Em vez daquela enxurrada de computação gráfica e telas verdes que costumam engolir os filmes de super-heróis hoje em dia, aqui você sente o peso das ruas movimentadas, a calmaria dos templos antigos e a imponência da arquitetura japonesa. Isso dá uma textura realista e visceral para cada cena de combate, nos fazendo acreditar que o Logan realmente está pisando naquele território sagrado e perigoso.

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores da produção?

Produzir um longa desse tamanho sempre rende boas histórias de bastidores. Separei as melhores para você entender o nível de dedicação envolvido na obra:

·         Dieta extrema: Hugh Jackman levou a preparação física tão a sério que chegou a fazer desidratação controlada por 36 horas antes das cenas sem camisa para que seus músculos e veias ficassem saltados e perfeitamente definidos.

·         Outro diretor na jogada: Originalmente, o filme seria dirigido por Darren Aronofsky (de Requiem para um Sonho e O Cisne Negro). Ele acabou deixando o projeto devido a conflitos de agenda e viagens, abrindo espaço para James Mangold reescrever o tom do longa.

·         Influências do cinema clássico: Mangold revelou que se inspirou profundamente em faroestes americanos como Josey Wales, o Fora da Lei e em clássicos de samurai do mestre Akira Kurosawa para ditar o ritmo das lutas.

Vale a pena assistir? Confira a nossa crítica da obra

O saldo de Wolverine: Imortal é muito positivo, principalmente pelo respiro que ele dá ao gênero. Ver o herói perder temporariamente seu fator de cura é excelente para aumentar a tensão. Cada corte, cada tiro e cada pancada que ele leva passam a ter consequências reais. A sequência de ação em cima do trem-bala japonês é espetacular e muito bem coreografada, prendendo a atenção do início ao fim.

O único deslize real fica por conta do terceiro ato. O filme vinha se sustentando muito bem como uma trama de suspense e máfia japonesa baseada em combate de espadas, mas cede à pressão dos clichês de Hollywood no final, jogando na nossa cara uma batalha contra uma armadura de adamantium gigante que destoa um pouco do tom realista construído até ali. Mesmo assim, a atuação impecável de Jackman e a condução firme de Mangold garantem que este seja um dos capítulos mais maduros e interessantes de toda a saga dos mutantes no cinema. Se você quer ver uma jornada de redenção com ótimas lutas, o filme merece um espaço na sua tela.

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