X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)

 


Se você é fã de um bom filme de ação, com certeza o Logan é um daqueles personagens que têm um lugar guardado no seu respeito. Lembro exatamente de quando soube que ele ganharia uma história só dele. A promessa era grande: ir fundo no passado do mutante mais invocado da Marvel, entender de onde veio aquela raiva toda e, claro, ver como as garras de adamantium foram parar ali. Com essa expectativa lá no alto, peguei a pipoca para assistir a X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine), lançado nos cinemas em 2009.

Dirigido por Gavin Hood, o longa prometia ser o divisor de águas para os filmes de super-heróis da época, focando em uma pegada mais brutal e na jornada solo de um anti-herói que não leva desaforo para casa. No entanto, o resultado final dividiu muita gente e, hoje, carrega uma nota de 6,5 no IMDb. Vamos dissecar o que deu certo e o que derrapou nessa produção?

Como começa a jornada do mutante mais famoso do cinema?

A trama tenta amarrar as pontas soltas que os três primeiros filmes dos X-Men deixaram no ar. Tudo começa no século XIX, mostrando o jovem James Howlett descobrindo seus poderes de cura e suas garras orgânicas após uma tragédia familiar. Ao lado de seu irmão Victor Creed, o Dentes de Sabre, ele atravessa décadas lutando em praticamente todas as grandes guerras da história humana — uma sequência de abertura que, para mim, é uma das melhores coisas do filme.

Eventualmente, os irmãos são recrutados por William Stryker para a Equipe X, um grupo militar de mutantes que faz o trabalho sujo do governo. Logan percebe que o sadismo do grupo passou dos limites e decide pular fora, tentando viver uma vida pacata como lenhador nas montanhas do Canadá. Mas o passado, meu amigo, sempre cobra o preço. Quando Victor supostamente mata a mulher que Logan ama, o herói aceita passar pelo doloroso experimento do Projeto Arma X para revestir seus ossos com o metal indestrutível adamantium e buscar vingança.

O elenco tem o retorno triunfal de Hugh Jackman, que entrega o físico e a intensidade que o personagem pedia, além de Liev Schreiber como um Victor Creed visceral e ameaçador. O filme ainda traz Danny Huston como Stryker, Lynn Collins como Kayla Silverfox, Ryan Reynolds como Wade Wilson (em uma versão que ele mesmo prefere esquecer) e Taylor Kitsch como Gambit. Grande parte das locações icônicas de florestas e montanhas foi filmada na Nova Zelândia e na Austrália, o que dá uma escala visual bem bacana para o refúgio do herói.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores deste longa?

Nenhum filme com uma produção tão conturbada passa sem boas histórias de bastidores. Separei algumas curiosidades que mostram bem o peso e os problemas que cercaram essa obra:

·         O vazamento histórico: Cerca de um mês antes da estreia oficial, uma versão de trabalho (workprint) do filme vazou inteira na internet. O arquivo estava sem vários efeitos visuais finalizados, com cabos de aço aparecendo e telas verdes expostas. Foi um dos maiores escândalos de pirataria de Hollywood e forçou o estúdio a correr para garantir que o público fosse aos cinemas ver a versão pronta.

·         A primeira chance de Ryan Reynolds: Este filme marcou a estreia de Reynolds como Wade Wilson. Embora o ator estivesse perfeito no início, com as piadas ácidas e a habilidade com as espadas, as decisões criativas do final do filme geraram tanta revolta que o próprio Reynolds passou anos zoando o longa. A redenção veio depois, nos filmes do Deadpool, onde ele inclusive viaja no tempo para "consertar" essa linha temporal.

·         Intensidade no set: Hugh Jackman levou a preparação física ao extremo para este filme, acordando às 4 da manhã todos os dias para treinar e comer porções absurdas de proteína. Liev Schreiber, para não ficar para trás como o vilão principal, também passou por um treinamento pesado para ganhar massa muscular e conseguir encarar Jackman de igual para igual nas coreografias de luta.

O que deu errado na adaptação dos personagens e efeitos?

Entrando na parte crítica, é impossível falar de X-Men Origens: Wolverine sem apontar os erros que impediram o filme de ser a obra-prima que os fãs mereciam. O principal problema aqui foi o excesso de subtramas e a necessidade de enfiar o maior número possível de mutantes na tela apenas por puro fan service. Personagens fantásticos como o Gambit foram jogados na história de forma apressada, funcionando quase como um GPS humano para guiar o Wolverine até a Ilha de Stryker.

Além disso, os efeitos visuais envelheceram mal — e, verdade seja dita, já não eram fantásticos em 2009. A cena em que Logan olha para suas garras de adamantium no banheiro reflete um CGI artificial que quebra totalmente a imersão de um filme que deveria ser realista e cru. A trilha sonora de Harry Gregson-Williams tenta injetar peso e drama com batidas de ação clássicas, mas acaba soterrada pelo ritmo bagunçado do roteiro.

Mas o crime supremo do filme, que faz qualquer fã de quadrinhos prender a respiração de frustração, foi o tratamento dado ao "Arma XI" no clímax. Pegar o Mercenário Tagarela, um personagem cuja principal característica é a fala afiada, e literalmente costurar a boca dele, transformando-o em um Frankestein mutante com poderes misturados, foi uma das decisões mais bizarras da história do cinema pop.

Vale a pena assistir a X-Men Origens: Wolverine hoje em dia?

Olhando pelo retrovisor, a resposta é um meio-termo. Se você procura uma obra profunda, com a carga dramática de Logan (2017) ou o respeito ao cânone mutante, este filme vai te decepcionar. A narrativa é rasa e o roteiro toma caminhos fáceis para justificar a perda de memória do protagonista, usando uma questionável bala de adamantium.

Por outro lado, se a sua ideia é apenas desligar o cérebro no fim de semana e curtir um filme de ação descompromissado com muita pancadaria, o longa ainda entrega diversão. A dinâmica de rivalidade fraternal entre Hugh Jackman e Liev Schreiber funciona muito bem e sustenta os melhores momentos de combate. É uma produção que serve perfeitamente como um registro de uma época em que Hollywood ainda estava tentando entender como adaptar super-heróis de forma madura, errando a mão no processo, mas pavimentando o caminho para os acertos que viriam anos depois.

 

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