Se você viveu a efervescência do cinema nos anos 2000, sabe o peso que a franquia dos mutantes tinha. Depois de dois filmes que praticamente definiram o que seriam os super-heróis nas telas, a expectativa para o encerramento da trilogia estava no teto. Eu me lembro bem da ansiedade para ver como fechariam aquela história grandiosa. É exatamente sobre esse ápice — e os seus tropeços — que vamos conversar hoje.
Qual é o contexto e a história de
X-Men: O Confronto Final?
Lançado no ano de 2006, o longa chegou com a promessa de ser o maior
evento da cultura pop daquele período. Com o título original X-Men: The Last Stand, o enredo gira em torno de uma
descoberta que muda o jogo: uma cura mutante. De um lado, o Professor Xavier
prega a escolha; de outro, Magneto recruta um exército argumentando que a cura
é, na verdade, uma arma de extermínio.
Para piorar a situação dos nossos heróis, Jean Grey retorna dos mortos.
Mas ela não é mais a mesma companheira de equipe; ela sucumbiu à força
avassaladora da Fênix Negra, uma entidade de puro instinto e destruição. A
trama nos joga direto em um dilema moral pesado sobre identidade e sobrevivência,
culminando em uma guerra total onde ninguém está seguro.
Quem está por trás da direção e do
elenco de peso?
A grande mudança aqui aconteceu nos bastidores. Bryan Singer, que
comandou os dois primeiros longas com maestria, pulou do barco para fazer o
filme do Superman. Quem assumiu a cadeira de diretor foi Brett Ratner. A troca
de comando trouxe uma pegada bem diferente: menos foco nos dilemas políticos
profundos e muito mais velocidade na ação e nos efeitos especiais.
O elenco, por outro lado, manteve a base que a gente respeita e trouxe
novos nomes de impacto. Hugh Jackman entrega mais uma vez um Logan bruto,
determinado e com aquela liderança marrenta que carrega o filme nas costas.
Junto com ele, temos as voltas certeiras de Patrick Stewart (Xavier), Ian
McKellen (Magneto) e Famke Janssen (Jean Grey/Fênix). As novidades ficaram por
conta de Kelsey Grammer, que ficou perfeito na pele peluda e azul do Fera, e
Vinnie Jones dando o tom de força bruta como o Fanático.
Onde o filme foi gravado e quais
foram as principais locações?
Visualmente, a produção escalou o nível de destruição, e grande parte
disso se deve aos cenários. As gravações aconteceram predominantemente no
Canadá, na região de Vancouver, que já era a casa tradicional da franquia.
Locais marcantes como o Hatley Castle serviram novamente de fachada para
a icônica Escola para Jovens Prodígios do Professor Xavier. Mas o grande
destaque em termos de ambientação é a batalha final na ilha de Alcatraz, em São
Francisco. A equipe de produção construiu cenários massivos em estúdio e usou
efeitos de ponta para simular a destruição da famosa ponte Golden Gate, criando
um pano de fundo caótico e imponente para o confronto que dá nome ao filme.
Quais são as maiores curiosidades dos
bastidores da produção?
Produções desse tamanho sempre rendem boas histórias de bastidores.
Separando o que aconteceu por trás das câmeras, algumas curiosidades mostram
como o processo foi corrido e cheio de detalhes:
·
Maquiagem de maratonista: O ator Rebecca
Romijn, que vivia a Mística, passava por horas de caracterização. Para o Fera
de Kelsey Grammer, o processo não ficava atrás; o ator precisava chegar ao set
de madrugada para colar os pelos azuis e a prótese facial.
·
Orçamento recorde: Na época do seu
lançamento, em 2006, ele se tornou um dos filmes mais caros da história do
cinema, com um orçamento estimado na casa dos 210 milhões de dólares.
·
Duração enxuta: Apesar de ter a maior quantidade de
personagens e tramas paralelas (a cura e a Fênix Negra), ele é o filme mais
curto da trilogia original, com pouco mais de 1 hora e 40 minutos de projeção.
Vale a pena assistir? Confira a nossa
crítica sincera do filme
Olhando para trás, com o termômetro atual do cinema e considerando a
nota atual de 6.6 no IMDb, a sensação que fica é de um potencial
gigante que acabou sendo um pouco desperdiçado. O filme não é um desastre
completo, longe disso. A ação é empolgante, as cenas de luta do Wolverine são
viscerais e ver o Magneto usando toda a sua potência ao mover uma ponte inteira
ainda arranca um sorriso de qualquer fã do gênero.
O grande erro foi a pressa. Tentar condensar a icônica "Saga da
Fênix Negra" dos quadrinhos em uma subtrama dividindo espaço com a vacina
mutante tirou o peso emocional que a morte de personagens importantes pedia. As
despedidas parecem rápidas demais e os novos mutantes viraram apenas capangas
descartáveis na batalha de Alcatraz.
Ainda assim, como entretenimento puro e direto ao ponto, ele funciona
bem. É aquele tipo de filme ideal para um fim de semana: você abre uma cerveja
gelada, desliga um pouco o cérebro e aproveita a pancadaria honesta e os ótimos
efeitos visuais. Não tem a profundidade dos anteriores, mas encerra a jornada
daquela primeira geração de mutantes com bastante barulho e atitude.
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