X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)

 


Se você acompanhou a trajetória dos mutantes nas telonas desde o começo dos anos 2000, sabe bem que a franquia estava respirando por aparelhos depois do massacre que foi O Confronto Final e daquele filme solo do Wolverine que quase ninguém gosta de lembrar. Eu já estava quase aceitando que o universo dos X-Men nos cinemas tinha dado o que tinha que dar. Foi aí que, em 2011, fomos surpreendidos por um recomeço de respeito.

Hoje quero trocar uma ideia sobre X-Men: Primeira Classe, um filme que resgatou minha empolgação com os heróis da Marvel e mostrou como se faz uma prequela de verdade, unindo espionagem clássica, Guerra Fria e a origem de uma das maiores amizades e rivalidades da cultura pop.

Por que X-Men: Primeira Classe foi um divisor de aguas para os mutantes no cinema?

Quando o filme chegou aos cinemas no meio de 2011, o cenário das adaptações de quadrinhos estava mudando rápido. O Universo Cinematográfico da Marvel já ensaiava seus primeiros passos rumo aos Vingadores, e a Fox precisava provar que a marca X-Men ainda tinha força sem depender exclusivamente do Wolverine.

A sacada de mestre aqui foi mudar o tom. Em vez de tentar repetir a fórmula antiga, a história voltou para a década de 1960, no auge da Crise dos Mísseis de Cuba. Essa estética de filme de espionagem do James Bond deu um ar elegante e pé no chão que casou perfeitamente com a proposta.

Assistindo ao filme, fica claro que a trama funciona tanto para quem é fã das HQs quanto para quem só busca uma boa história de ficção científica com fundo histórico. A narrativa mostra como Charles Xavier e Erik Lehnsherr se conheceram, lutaram lado a lado e, por divergências ideológicas inevitáveis, acabaram tomando caminhos opostos. É uma construção de personagens madura, focada no peso das escolhas de cada um.

Quem esta por tras do filme e qual e a ficha tecnica de Primeira Classe?

A direção ficou nas mãos do talentoso Matthew Vaughn, que vinha do sucesso de Kick-Ass: Quebrando Tudo. Vaughn trouxe uma dinâmica ágil, com cenas de ação muito bem dirigidas e sem aquele excesso de cortes confusos.

Na parte técnica e no elenco, o filme entrega um trabalho impecável:

·         Título Original: X-Men: First Class

·         Ano de Lançamento: 2011

·         Nota no IMDb: 7.7 / 10

·         Diretor: Matthew Vaughn

·         Elenco Principal: James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Erik Lehnsherr / Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Kevin Bacon (Sebastian Shaw), Rose Byrne (Moira MacTaggert), Nicholas Hoult (Fera) e January Jones (Emma Frost).

·         Locações de Filmagem: As gravações passaram por locais em Oxfordshire e Berkshire no Reino Unido, além de estúdios e locações no estado da Geórgia e no Novo México, nos Estados Unidos, simulando cenários como Argentina, Rússia e as praias de Cuba.

·         Trilha Sonora: Composta por Henry Jackman, a trilha é um show à parte. O tema principal mistura guitarras com orquestra tradicional, entregando uma energia moderna, pesada e marcante que virou a identidade dessa nova fase da franquia.

O destaque absoluto fica para a química entre James McAvoy e Michael Fassbender. A atuação de Fassbender como um Magneto caçador de nazistas é sensacional. Ele transmite uma raiva contida e uma presença em cena que deixam qualquer sequência de ação épica.

Quais sao os bastidores e curiosidades mais legais sobre o filme?

Todo grande filme de herói carrega boas histórias de bastidores, e com este não foi diferente. Separando algumas das curiosidades mais interessantes que valorizam ainda mais a produção:

·         A maquiagem pesada da Mística: Jennifer Lawrence encarava cerca de sete a oito horas diárias de preparação no camarim para aplicar a tinta azul e as próteses do corpo da personagem. O processo era tão desgastante que causava reações na pele da atriz, o que fez a produção optar por um fato sintético nas sequências dos filmes seguintes.

·         A ponta mais icônica da franquia: A breve aparição de Hugh Jackman como Wolverine num bar, mandando um sonoro "vão se foder" para Xavier e Erik, levou apenas alguns minutos para ser gravada e se tornou uma das cenas mais comentadas pelos fãs.

·         Preparação intensiva: Para viver a versão jovem e aristocrática do Professor X, James McAvoy chegou ao set de cabeça raspada achando que o personagem já seria careca. Ele precisou usar apliques de cabelo durante as primeiras semanas de filmagem.

·         Premiações e Reconhecimento: O longa acumulou diversas indicações no Saturn Awards e no Scream Awards, além de levar o prêmio de Melhor Filme de Ficção Científica/Fantasia no People's Choice Awards, reafirmando a excelente recepção tanto da crítica quanto do público.

O filme resistiu ao tempo e vale a pena rever hoje?

A resposta curta é: sim, com certeza. A minha crítica a essa obra é extremamente positiva porque o roteiro entende o cerne da parada. Não se trata apenas de mutantes disparando raios pelos olhos ou soltando garras. Trata-se de dois homens brilhantes com visões de mundo completamente antagônicas sobre o preconceito, a sobrevivência e a humanidade.

A vilania de Kevin Bacon como Sebastian Shaw funciona como o catalisador perfeito para colocar a equipe à prova. As cenas de treinamento da primeira geração de mutantes na mansão trazem um ritmo leve e empolgante, equilibrando a tensão política que domina o terceiro ato.

Anos após o seu lançamento, X-Men: Primeira Classe continua sendo um dos pontos altíssimos de toda a franquia mutante nos cinemas. É um filme seguro, focado em boas atuações, com um visual retrô muito estiloso e que não envelheceu um dia sequer. Se faz tempo que você não assiste, vale muito a pena colocar na tela de novo no fim de semana.

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