A Morte do Demônio: A Ascensão (Evil Dead Rise)

 


Eu sempre fui apaixonado pelo gênero de terror, do tipo que curte ver a poeira subir quando uma franquia clássica resolve se reinventar sem pedir licença. Quando ouvi falar que a saga criada por Sam Raimi ganharia um novo capítulo, confesso que bateu aquela desconfiança. Mas o resultado na tela me pegou de jeito. Em A Morte do Demônio: A Ascensão (título original: Evil Dead Rise), o diretor Lee Cronin pega a essência do gore brutal e nos arremessa em um pesadelo urbano sem saída.
 

Lançado nos cinemas em 2023, o filme traz um visual cru e sustentou uma nota respeitável no IMDb (na casa de 6.5 a 6.7/10), o que é ótimo para o gênero. A produção mudou a clássica cabana na floresta para um prédio decadente em Los Angeles, criando uma sensação de claustrofobia física e visceral. Se você curte visceralidade de verdade e quer entender por que esse capítulo deu o que falar, vem comigo nessa análise.


Vale a pena assistir A Morte do Demônio: A Ascensão?

Se a sua ideia de cinema envolve sangue jorrando, tensão constante e uma boa dose de violência gráfica sem frescura, a resposta é um sim absoluto. A trama acompanha Beth (Lily Sullivan), uma técnica de som de bandas que viaja para visitar sua irmã mais velha, Ellie (Alyssa Sutherland), mãe solo de três filhos que mora num apartamento prestes a ser demolido. 

A dinâmica muda radicalmente quando um terremoto expõe uma sala secreta no subsolo do prédio. O filho de Ellie encontra um livro estranho encadernado em pele e alguns discos de vinil antigos com gravações de rituais. Quando o áudio é tocado, as entidades demoníacas conhecidas como Deadites entram em ação, e a mãe é a primeira a ser possuída. A partir daí, o que se vê é uma batalha desenfreada pela sobrevivência onde a estrutura familiar é estraçalhada sem piedade.

Como o diretor construiu essa atmosfera de pesadelo claustrofóbico?

A escolha de trocar os matos por um prédio condenado em Los Angeles foi uma tacada de mestre de Lee Cronin. O cara conseguiu manter a pegada das produções anteriores enquanto trazia um ar moderno e urbano para o caos. 

O elenco seguro sustenta o peso dramático e o horror puro:

·         Alyssa Sutherland (Ellie): Entregou uma das atuações de possessão mais perturbadoras dos últimos tempos. O trabalho corporal e as feições assustadoras dela impressionam. 

·         Lily Sullivan (Beth): A heroína pragmática que assume o protagonismo na marra. 

·         Morgan Davies, Gabrielle Echols e Nell Fisher: Os jovens que passam de uma rotina familiar comum para uma noite de pavor absoluto. 

Um detalhe interessante é a locação: embora a trama se passe nos Estados Unidos, a maior parte das filmagens aconteceu na Nova Zelândia. A trilha sonora composta por Stephen McKeon entra com dissonâncias de metais e ruídos industriais que deixam qualquer um com os nervos à flor da pele.

O que a crítica achou desse novo capítulo do horror?

Minha leitura da obra coincide muito com o consenso geral da crítica especializada. O filme não tenta ser um "horror intelectualizado" cheio de metáforas complexas. Ele entrega exatamente o que a franquia sempre prometeu: carnificina, tensão e um ritmo acelerado. 

O grande triunfo da direção foi equilibrar o gore chocante com a tensão psicológica. Ver uma mãe transformada em uma aberração caçando os próprios filhos traz uma camada desconfortável que eleva o nível da narrativa. O ritmo não desacelera no terceiro ato, culminando num clímax grotesco e memorável que utiliza muito bem elementos clássicos, como a serra elétrica e a lendária caminhonete Oldsmobile Delta 88 (que aparece aqui como uma sutil referência). O filme acumulou diversas indicações e prêmios em festivais de gênero e premiações de cinema de horror, consagrando Alyssa Sutherland como uma das maiores vilãs da década.

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores da produção?

Filme de terror de verdade se faz com efeitos práticos, e aqui o trabalho da equipe de maquiagem e arte foi insano.

·         Volume de sangue cenográfico: A produção utilizou cerca de 6.500 litros de sangue cenográfico. O diretor revelou em entrevistas que a equipe teve que construir uma linha de produção especial para dar conta de todo o líquido vermelho usado no set. 

·         Cameo escondido: Bruce Campbell, o eterno Ash Williams da franquia original, não atua na tela, mas ele faz uma ponta de áudio imperceptível em um dos vinis antigos que aparecem na história. 

·         Lançamento alterado: Inicialmente, a ideia da distribuidora era lançar o longa direto em plataformas de streaming. Porém, as exibições de teste com o público foram tão intensas e positivas que o estúdio decidiu mandá-lo direto para os cinemas, faturando mais de 140 milhões de dólares mundialmente. 

Para quem curte uma experiência intensa, direta e sem enrolação, esse filme honra o legado da franquia e mostra como o horror prático bem feito ainda tem um impacto avassalador na tela.

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